terça-feira, 11 de junho de 2013

A marcha dos oprimidos. Por Rodrigo Constantino.

Represento a ONG Minorias Unidas na Luta Ativista (Mula). Somos uma entidade que defende as pobres vítimas do “sistema”, ou seja, os gays, as lésbicas, os transexuais, os negros, as mulheres, os índios, os muçulmanos e todos os demais grupos excluídos que são explorados pelos brancos capitalistas. Nossa visão de mundo não engloba o indivíduo, essa figura de carne e osso criada pelos ocidentais para fins espúrios. Nós só enxergamos grupos, que formam nossas identidades: classe, raça, gênero, inclinação sexual, religião. Somente essas abstrações nos interessam. Falar em indivíduo é cair na estratégia pérfida dos liberais. Não aceitamos isso! Dividir para conquistar, eis nossa meta. Separamos o mundo entre aqueles que estão conosco, e nossos inimigos mortais. Estes são representados pela ONG Brancos Ricos Ocidentais Capitalistas Heterossexuais e Associados (Brocha). São nossos arquiinimigos na retórica, e ao mesmo tempo nossos melhores amigos na prática. É que precisamos deles para que paguem a conta de nossos privilégios. Conseguimos isso por meio de chantagem emocional, incutindo culpa nas “elites”. A bilionária Fundação Ford é ótimo exemplo, sempre do nosso lado. É verdade que o mundo teve escravidão desde sempre, que até Zumbi tinha escravos, que os próprios africanos escravizaram outros africanos, e que foi o Ocidente que colocou um fim nessa prática nefasta. Não importa! Vamos dizer que todo negro é vítima e que os brancos precisam pagar. Alguns negros, como Thomas Sowell, condenam isso? Simples: chamamos eles de traidores da raça. Funcionava com Lênin e os demais comunistas. Lembrem-se: existem apenas dois grupos. Por isso podemos fazer como o ex-presidente Lula e culpar os “brancos de olhos azuis” pela crise de 2008, mesmo que o CEO de um dos maiores bancos envolvidos na confusão fosse negro. Por falar em Lula, eis outra grande vítima: nordestino e metalúrgico. Não importa que ele não trabalhe em um chão de fábrica há décadas, ou que receba duzentos mil por palestra, ou que só ande em jatinho particular, ou que seja aliado de todos os velhos caciques da política. Lula sempre será um ícone das minorias oprimidas! O mais importante é vender a idéia de que somos vítimas, e que os brancos são responsáveis por todos os males do mundo. Sabemos que os negros e “chicanos” americanos gozam de muito mais liberdade e prosperidade do que seus pares africanos e latino-americanos. Não importa! Eles são vítimas, mesmo que o homem mais poderoso do mundo seja negro. Eternas vítimas. Somos herdeiros de Foucault, o sadomasoquista que falava da forma mais cruel de tirania: a “hegemonia” oculta. Esqueça Coréia do Norte, Irã ou Cuba. A verdadeira ditadura está nos Estados Unidos! Sabemos que os gays correm risco de vida nos regimes comunistas ou islâmicos, mas o que importa isso? São os gays em São Francisco e Ipanema as verdadeiras vítimas. É que tem de ser muito macho para ser ativista em Cuba ou no Irã. Somos filhos de Paulo Freire, e também acreditamos na “pedagogia dos oprimidos”. As escolas e faculdades não podem ser máquinas de formação de engenheiros e cientistas para ajudar na hegemonia capitalista. Precisamos de ainda mais professores marxistas, engajados nas causas das minorias, doutrinando nas áreas humanas. Viva Gramsci! Vamos criar várias nações dentro do Brasil. A nação negra, a nação gay, a nação indígena, e por aí vai. Nada de ver todos apenas como brasileiros. Cada um desses grupos vai receber sua legítima cota, e vai direto para ótimos cargos públicos ou dar aulas nas faculdades. Merecemos essa vantagem, nada mais do que uma reparação pelo domínio dos brancos ao longo dos séculos. E podemos ficar tranquilos: o povo da Brocha costuma aceitar calado nossas demandas. Nada como uma “elite” culpada, mesmo que de classe média. Basta acusarmos eles de “homofóbicos”, “racistas”, “reacionários”, ou “preconceituosos” que eles logo se intimidam e recuam. Sempre funciona acusar alguém que não é nada disso dessas coisas feias. O verdadeiro homofóbico ou racista não liga, mas a turma da Brocha entra em pânico. Eis nosso grito revolucionário: minorias do mundo todo, uni-vos! Vamos pleitear mais privilégios de grupo, pois essa coisa de igualdade perante as leis que os liberais defendem é muito chata. Alguns podem estranhar eu ser homem e branco. Mas Chico Buarque é branco, com olhos claros, rico e heterossexual, e é aclamado pela Mula. Somos nós contra eles. Só há identidade no grupo. Abaixo o indivíduo! Socialismo ou morte! A morte dos que discordam, claro. Rodrigo Constantino é economista

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Projeto com Mike Portnoy, Derek Sherinian, Tony MacAlpine & Billy Sheehan.

Não há nem comentários.... Quatro caras extremamente virtuosos!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Por que o país não cresce? Por Pedro Ferreira e Renato Fragelli.

Grande parte da inspiração para as políticas econômicas atuais vêm de um livro publicado por Keynes, durante a grande depressão iniciada em 1929, intitulado "A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda". Diante da grande capacidade ociosa da economia, para aumentar o produto, Keynes preconizava estímulos à demanda via promoção do consumo e ou investimento. Com o setor privado relutante em elevar seus gastos, cabia ao governo fazê-lo. Um dos aspectos inovadores daquela teoria era a possibilidade de um aumento do investimento - privado ou público - gerar a própria poupança para financiá-lo. Afinal, a capacidade produtiva necessária para atender à maior demanda por investimento já existia, mas não estava mobilizada.
Esse fenômeno, entretanto, desaparece quando não há capacidade ociosa na economia, pois não se consegue aumentar a produção doméstica no curto prazo. Numa economia que ocupa plenamente sua capacidade produtiva, o aumento de demanda só poderá ser atendido por maiores importações - ou menores exportações - e, se não for possível atender no exterior o excesso de demanda doméstico, a inflação aumentará.
Neste momento, os sinais de que a economia brasileira atingiu seu limite de produção são nítidos: taxa de desemprego historicamente baixa, deterioração do saldo comercial e em transações correntes, pressão inflacionária com alta difusão e vendas no varejo 42% acima dos níveis de cinco anos atrás. Este último número é duas vezes e meia maior que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no mesmo período.
A avaliação equivocada de que o capitalismo desmoronou levou à ressurreição de ideias intervencionistas.Não há insuficiência de demanda, mas sim de oferta. No que tange ao fator capital, são frequentes os congestionamentos nos portos, aeroportos, estradas e metrôs. A ameaça de falta de energia paira no horizonte. Quanto ao fator trabalho, à crônica escassez de mão de obra qualificada, começa a somar-se uma novidade: a escassez de mão de obra desqualificada, decorrente de mudanças demográficas que diminuíram sua oferta.
Apesar dos claros sintomas de que a resistência do PIB em avançar se deve à insuficiência de oferta, o governo insiste no diagnóstico keynesiano ativando demanda com juros baixos, gastos elevados e cortes de impostos sobre consumo. Diagnóstico errado leva a remédios errados. E o agravante aqui é que esses remédios acabam por prejudicar a eficiência da economia, comprometendo a recuperação do produto que visavam promover. Por exemplo, a fim de impedir que a demanda resvale para maiores importações, estas são restringidas, mas hoje há ampla evidência que esse tipo de política afeta negativamente a produtividade da indústria. A pressão inflacionária é combatida com controle de preço de combustível - que debilita a Petrobras - e redução de preços da energia - que compromete a capacidade de expansão do sistema gerador - e outras medidas ad hoc que afetam o índice de preços, mas não as pressões inflacionárias propriamente.
Ademais, o sistema de metas para a inflação foi debilitado. Em vez de convencer os formadores de preços de que a inflação se situará em torno de 4,5%, o Banco Central se limita a manter a inflação abaixo de 6,5%, contando com os cortes de impostos e controles de preços citados acima.
Nada disso é sustentável no longo prazo, o que deteriora as expectativas de potenciais investidores. A expansão da oferta exigiria mais investimentos que permanecem estagnados devido ao ambiente de negócios adverso. Quando o Estado não tem dinheiro nem capacidade gerencial para implantar os necessários investimentos em infraestrutura, deve transferir a tarefa para o setor privado. Mas tratando-se de empreendimentos com longos prazos de maturação e vida útil, a atração de investidores privados requer ambiente de negócios favorável, sem riscos regulatórios.
Desde a liberalização comercial dos anos 1990, o país vinha passando por reformas estruturais e institucionais que melhoraram muito o ambiente de negócios e os incentivos para se investir no país. O governo petista, durante a gestão do ministro Palocci, promoveu importantes reformas - como a nova lei de falências e a alienação fiduciária para o crédito imobiliário - que, juntamente com um marco regulatório favorável implantado na era FHC, criaram um ambiente propício aos investimentos privados. Ajudado por uma conjuntura externa favorável, colheu-se um período de crescimento vigoroso, com inflação controlada e equilíbrio no balanço em transações correntes.
Mas, a partir da crise do subprime em 2008, a avaliação equivocada de que o capitalismo havia desmoronado levou à ressurreição de antigas ideias intervencionistas, revertendo várias das reformas anteriores, cujo clímax foi a mudança do marco regulatório do petróleo, um setor que vinha funcionando muito bem. Desde então, à secular burocracia, somou-se enorme incerteza no marco regulatório em vários setores, com mudanças nos setores de energia elétrica, extração mineral, portos, para citar apenas alguns. Tem-se, por um lado, uma aposta continuamente aumentada em políticas de expansão de demanda, o que não é mais o problema atual. Por outro, uma volta a políticas do passado que, não só não deram certo - vide a estagnação da economia dos anos 1980 -, como distorcem a economia e aumentam a incerteza. Não é surpresa que o investimento não se recupere, que o apoio público através de financiamentos subsidiados tenha se tornado quase uma condição necessária para projetos de longo prazo, e que as perspectivas de crescimento, mesmo nas previsões mais otimistas, sejam medíocres.

domingo, 14 de abril de 2013

Porque aqueles de esquerda detestam a Thatcher?. Por Robert Ellery.

Direto do blog do Adolfo
Tenho visto várias manifestações de ódio a Margaret Thatcher. É estranho, a Dama de Ferro governou seu país por mais de dez anos sem mudar as leis para se manter no poder, sem mandar adversários políticos para cadeia, sem nunca ter tentado um golpe ou fechado órgãos de imprensa críticos a seu governo. Todas estas medidas muito comuns para o alguns ícones da democracia de nuestra América. Desta forma era de se esperar que tanto tempo no poder, ainda mais em um regime parlamentarista, fosse consequência do apoio de seu povo. É bem verdade que os protestos estão associados a figuras de esquerda especialistas na área de reescrever a história. O mesmo tipo de gente que canta loas a popularidade dos governantes petistas e afirmam que nunca um governo foi tão aceito pelo povo enquanto jogam para debaixo do tapete da história que FHC foi eleito e reeleito em primeiro turno, para turma da patrulha anti-FHC aviso que não votei nele (nem em ninguém) em nenhuma das vezes. O verdadeiro motivo do ódio a Thatcher é o mesmo do ódio a FHC. Ambos ousaram obter sucesso usando fórmulas criticadas pela esquerda. Mas tratemos de Thatcher no momento. Sob seu governo a inflação caiu de 27% em 1975 para 2,4% em 1986, tudo isto enquanto fazia o Reino Unido crescer mais do que vinha crescendo nos últimos anos. A figura mostra o PIB per-capita do Reino Unido como proporção do PIB per-capita americano. Em 1979, quando tomou posse, a relação era de 65,4% quando saiu do governo em 1990 era de 72,7%. Para dar noção de grandeza em 1970 era 66,2%, ou seja, Lady Thatcher reverteu a trajetória de crescimento do Reino Unido enquanto combatia a inflação (que bela lição em tempos que acreditam que é preciso inflação para crescer). Mas ainda, ao contrário de certos milagreiros locais que geram crescimento no curto prazo e depressão menos de uma década depois, as bases para o crescimento lançadas por Margaret Thatcher eram sólidas, dez após sua saída do poder a relação era de 75,6%. Apenas para comparação no Brasil esta mesma relação saiu de 26% em 1979 e caiu para 19,7% em 1990 e na França a variação foi de 83,5% em 1979 para 82,7% em 1990. Enquanto acabava com a inflação e fazia a economia crescer Lady Thatcher ainda arranjou um tempinho para enterrar de vez a finada URSS e mandar os generais argentinos para casa. É muito sucesso para uma pessoa só, é imperdoável.

Debate sobre inflação no Painel da Globo News.

Parte 1. Parte 2.
O Samuel Pessôa chama de teoria econômica peculiar, eu chamo de teoria excêntrica.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

E agora hein, senhor Oreiro?

Confesso que este blog anda meio abandonado. No entanto, algumas coisas imploram para ser mencionadas.
Por total acaso, me deparei com este paper do Oreiro.. Li a introdução - aquela mesma ladainha de economista heterodoxo chorão - e a conclusão. Pois bem, vejam a política econômica sugerida pelo Oreiro e seus amigos campineiros*:
Neste contexto, verifica-se a existência de uma armadilha juros-câmbio na economia brasileira. Com efeito, a eliminação do desalinhamento cambial imporia, na atual estrutura de condução da política monetária, uma forte elevação da taxa de juros, o que teria impacto nocivo sobre o investimento e, portanto, sobre a sustentabilidade do crescimento econômico no longo prazo. Para eliminar esta armadilha propomos um conjunto de medidas de política econômica, como adoção de metas implícitas de câmbio, controles sobre a saída de capitais de curto prazo e flexibilização do regime de metas de inflação no Brasil
O governo adotou as sugestões dos economistas excêntricos. O resultado? Acho que não precisa nem escrever aqui......
* Eu sei que o Oreiro não estudou na UNICAMP. Mas essa mistura de (pós?)keynesianismo, marxismo e cepal, na qual se constitui a heterodoxia no Brasil, é uma praga que nasceu na UNICAMP e, na minha opinião, é o principal entrave ao desenvolvimento do país.