quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Além da euforia (I): Por Fabio Giambiagi.

Acabo de lançar, com Armando Castelar Pinheiro, o livro "Além da euforia" (Editora Campus). O livro faz uma análise da economia brasileira nos últimos anos, destacando a natureza excepcional de um conjunto de circunstâncias positivas que beneficiaram o país, mas apontando para uma série de deficiências do nosso modelo de desenvolvimento. Começo hoje uma série de cinco artigos tratando das principais ideias do livro. Ele trata dos elementos que tendem a prejudicar a perspectiva de um maior dinamismo futuro da nossa economia, elementos esses que, na euforia consumista dos últimos tempos, os brasileiros tendemos a ignorar. Aqueles que acompanham as colunas que escrevi no Valor nos últimos anos talvez se sintam confusos pelo que pode parecer, numa primeira impressão, como manifestações de expressões contraditórias por parte do mesmo autor. De fato, nos últimos 10 anos ajudei a organizar vários livros e, em mais de um deles havia uma imagem positiva do país. Como é possível - pode indagar o leitor - transmitir uma visão positiva e crítica ao mesmo tempo? Na verdade, ambas atitudes se justificam e a coexistência entre essas visões se explica com base na velha imagem do copo "cheio pela metade e vazio pela metade". Os avanços do Brasil ao longo dos últimos 25 anos a 30 anos foram muito grandes - e, em alguns casos, acentuados depois de 2003. Brasil não aproveitou plenamente as boas condições dos últimos anos para aprofundar o desenvolvimento De forma genérica, pode-se dizer que o país se assumiu como uma democracia complexa; modernizou o parque produtivo em relação ao seu estado nos anos 80; estabilizou a economia; mudou o regime fiscal em relação à desordem que imperou durante décadas; melhorou a distribuição de renda; diminuiu o número de pessoas miseráveis; reduziu a taxa de desemprego; acumulou reservas internacionais; etc. Os méritos disso foram compartilhados por vários governos: originalmente, Sarney comandou a transição política nos anos 80; a gestão Collor deu uma "virada de leme" na orientação da economia no começo dos anos 90; com Itamar Franco tivemos o Plano Real; FHC liderou reformas fundamentais que mudaram a economia do país depois de 1994; e no governo Lula todos os indicadores econômicos e sociais melhoraram de forma inequívoca na última década. Não obstante isso, persiste entre um grupo de analistas - entre os quais, modestamente, me incluo - a percepção de que o Brasil não aproveitou plenamente uma "combinação zodiacal" inédita para dar passos mais avançados rumo ao desenvolvimento. Em particular, essa visão, que o livro escrito com Castelar tenta condensar, sustenta que parte dos êxitos na primeira década do atual século - e, em particular, nos últimos anos - se apoiou no comportamento atípico de algumas variáveis-chave da economia internacional - notadamente os preços das "commodities" e as taxas de juros - e que se estas sofrerem uma reversão no futuro, o país não terá se preparado devidamente para encarar um cenário hostil. A abordagem crítica se baseia em quatro pontos: 1) a taxa de investimento da economia brasileira continua sendo baixa, como expressão de uma poupança doméstica inferior à que prevalecia em 1994 e que, depois de algumas oscilações e de aumentar entre 1999 e 2004, voltou a cair entre 2004 e 2011; 2) os níveis de educação da população brasileira, em média e mesmo entre os mais jovens, são constrangedoramente baixos para poder aspirar a taxas maiores de crescimento, em um mundo cada vez mais competitivo; 3) a situação do balanço de pagamentos - base da reviravolta favorável da situação do setor externo do país na primeira metade da primeira década do século - dá sinais de reversão, apenas mitigados até 2011 por termos de troca exuberantes; e 4) a demografia, que no Brasil até aqui tem sido uma aliada do crescimento, passará gradualmente a se tornar um entrave para uma maior expansão, devido à combinação de menor crescimento da População Economicamente Ativa e maior incremento da população idosa - na bonança, estamos sacando contra o futuro. O resultado disso é uma economia que tem crescido se aproveitando dos bons ventos da economia internacional e da existência, no começo desse ciclo, em 2003, de um "exército de trabalhadores de reserva" então desempregados, estoque esse que gradualmente foi sendo esgotado pelo próprio processo de expansão. A chave para entender as limitações desse processo está na frase de um analista estrangeiro (Gray Newman) acerca da América Latina, numa das epígrafes do livro: "O risco é esquecer o desafio colocado para os 'policy makers': o de aproveitar os atuais fluxos de capitais para construir melhores condições para o crescimento sustentável. Poucas coisas foram mais prejudiciais para a região que o excesso de confiança em fluxos transitórios". A frase é de 2005 e 7 anos depois os fluxos ainda se mantêm, mas o alerta é mais válido do que nunca. Convidamos o leitor interessado a compartilhar nossa reflexão e nossas dúvidas. Aprofundarei esses temas nos meus próximos quatro artigos. Fabio Giambiagi, economista, co-organizador do livro "Economia Brasileira Contemporânea: 1945/2010" (Editora Campus). E-mail: fgiambia@terra.com.br. © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/2673982/alem-da-euforia-i#ixzz28vXEo1tf

Além da euforia (II): Por Fabio Giambiagi.

Continuo hoje a série de cinco artigos acerca do meu livro com Armando Castelar ("Além da euforia", Editora Campus). O livro trata do "lado escuro da Lua" da nossa realidade: os problemas, a rigor, conhecidos por todos, mas que insistimos em não levar em consideração. Após um primeiro artigo geral, o tema em questão hoje é a nossa baixa produtividade. A economia brasileira está ingressando em mares nunca dantes navegados: o da escassez de mão de obra. Em épocas antigas, a necessidade de braços (e mentes) era abastecida pelo movimento demográfico do país. Entre 1950 e 1960, a população brasileira cresceu a uma taxa de 3% ao ano, taxa que se manteve elevada por um par de décadas. Além disso, o Brasil dinâmico era o da indústria em expansão e a migração campo-cidade assegurava fluxos de trabalhadores aos borbotões. Como se não bastasse, a expansão da participação das mulheres no mercado fazia com que a taxa de variação do número de pessoas dispostas a trabalhar fosse maior que a do número de pessoas em idade de trabalhar. Quando comecei a estudar economia, em 1980, logo tivemos a crise recessiva de 1981/1983 e a economia entrou em colapso. O investimento despencou e o desemprego em massa tornou-se um fantasma que assolou toda uma geração. No Brasil no qual se formou o grupo dos economistas "cinquentões" a que pertenço, o grande entrave ao crescimento era a escassez ora de demanda - quase sempre - ora de capital, nas (raras) ocasiões em que o produto potencial não conseguia "dar conta do recado", como nos "minibooms" do Plano Cruzado (1986), do Plano Real (1994/1995) ou, episodicamente, em alguns momentos de 2005, 2008 ou 2010, quando o governo tinha que subir os juros para esfriar a economia. Falta de mão de obra, porém, era um não problema, uma categoria analítica que não frequentava nossa realidade - nem nos meus anos de faculdade do começo dos 80, nem nos 30 anos seguintes. Agora, porém, as coisas estão mudando (ver tabela). As estatísticas da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) sofreram uma descontinuidade em 2002 e, portanto, o primeiro ano para o qual é possível definir uma média anual é 2003. Entre aquele ano e 2010, as taxas de variação média anual das variáveis População Economicamente Ativa (PEA), População Ocupada (PO) e população desempregada foram de 1,6%, 2,5% e menos 6,8% (taxa negativa), respectivamente. Nesse mesmo período, a taxa de variação média da população de 15 a 64 anos foi também de 1,6% ao ano, similar à da PEA. A economia brasileira está ingressando em mares nunca dantes navegados: o da escassez de mão de obra Em 2011, a PEA e a população de 15 a 64 anos aumentaram 1,2% e 1,3%, respectivamente, a PO cresceu 2,1% e o número de desempregados diminuiu 10,4%. A taxa de desemprego média do Brasil está perto do piso. Talvez possa cair mais um pouco, mas quando chegar a algo em torno de 5%, não haverá novos desempregados para serem absorvidos estruturalmente. O emprego no passado recente não foi limitado pela PEA, que nos últimos cinco anos cresceu 1,5% ao ano e, por isso, foi possível que ele pudesse crescer a taxas elevadas. Já nos próximos anos, em contraste com essa realidade, a variável passará a ser limitada pela PEA, ao mesmo tempo em que esta irá a caminho de crescer apenas 1% ao ano daqui a alguns anos. O que isso significa? Para entender a plena dimensão do desafio, olhemos com cuidado a última coluna da tabela. Ela compara o crescimento do PIB com o da população empregada, medida pela PME. Sei que são universos diferentes e que a PO abrange apenas as regiões metropolitanas, mas o indicador dá uma ideia do que ocorre no mundo real. E o que aconteceu é simples de entender: a produtividade não teve nenhum desempenho exuberante. Nos próximos anos, a não ser que a eficiência da economia dê um salto, se combinarmos a expansão do produto por homem ocupado no ciclo do crescimento do PIB de 2003/2011 (menos de 2%), com a taxa de crescimento da PEA - e da PO - rumo à qual estamos migrando (em torno de 1%), o problema não é que será difícil crescer a pelo menos 5%, como com grande dose de voluntarismo se postula em alguns círculos, mas sim que o Brasil terá problemas até para crescer 4%! Carlos Díaz Alejandro publicou em meados dos anos 80 um artigo muito comentado na época, chamado "Good-bye financial repression, hello financial crash". Parodiando Alejandro podemos dizer hoje "Adeus, economia da escassez de demanda; bom dia, economia da escassez de mão de obra". O keynesianismo do "pau na máquina" e da demanda "na veia" terá que ceder espaço ao mundo muito mais sofisticado do aumento da produtividade. Para o Brasil, será o fim da vida fácil e a hora de mostrar o seu valor. Fabio Giambiagi, economista, co-organizador do livro "Economia Brasileira Contemporânea: 1945/2010" (Editora Campus), escreve mensalmente às quartas-feiras. E-mail: fgiambia@terra.com.br. © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/2711304/depois-da-euforia-ii-produtividade-fraca#ixzz28vX8udJv

Além da euforia (III): Por Fabio Giambiagi.

Este é o terceiro de cinco artigos sobre meu livro com Armando Castelar Pinheiro ("Além da euforia", Editora Campus). Depois de um primeiro artigo geral e de outro sobre a produtividade, hoje irei tratar da nossa baixa poupança doméstica. Na discussão sobre o papel do Estado, que ressurgiu com força no Brasil na crise de 2008/2009, os defensores de uma maior participação do governo têm utilizado o argumento que, em circunstâncias em que o setor privado hesita em investir, o investimento público - ou financiado com recursos públicos - teria um papel fundamental para o aumento do investimento. Há, porém, uma questão que não tem sido levada devidamente em conta. O problema que existe para o aumento do investimento não é se ele será feito pelo setor público ou pelo setor privado e sim como se ganha espaço para isso na composição da demanda agregada. Não adianta pretender que a Petrobras gaste mais no pré-sal, que a União dote o país de aeroportos decentes para a Copa de 2014 ou que os Estados pavimentem mais estradas, se não forem tomadas medidas para conter o ritmo de expansão do consumo, caso a economia opere perto da plena carga. É interessante olhar as duas tabelas deste artigo. Uma delas mostra a igualdade entre a Formação Bruta de Capital (FBK) e a poupança e a decomposição desta entre a poupança doméstica e a externa, sendo que esta última é a soma da renda líquida enviada ao exterior (RLEE) com o déficit de transações das contas de bens e serviços com o exterior. A outra tabela apresenta as taxas de variação reais médias dos componentes da demanda agregada em períodos específicos: 1) os primeiros anos do Plano Real; 2) os anos de ajuste do governo FHC e, já no governo Lula, da ortodoxia de Antonio Palocci; e 3) o pós-2004. É preciso medidas para conter o ritmo de expansão do consumo caso a economia opere perto da plena carga As duas tabelas conjuntamente contam uma história em três capítulos: 1) deterioração da poupança doméstica nos primeiros anos do Plano Real, com piora da situação externa; 2) ajuste de 1999 a 2004, revertendo tais processos com contenção do consumo, aumento da poupança doméstica e notável mudança do resultado das transações correntes com o exterior; e 3) nova inflexão depois de 2004, com maior consumo, redução da poupança doméstica e piora das contas externas. O "novo modelo de desenvolvimento" que sucedeu ao fim da era Palocci nada mais foi do que o velho modelo de crescer com poupança externa. A discussão em torno do papel do Estado ignora tais questões. Pode até fazer sentido conduzir a Petrobras em ritmo de "pau na máquina" ou "turbinar" as instituições financeiras oficiais para alavancar seus empréstimos. O que não faz sentido é fazer isso, ao mesmo tempo em que o crédito continua crescendo bastante e se adotam regras generosas de aumento do salário mínimo - mecanismos que reforçam o crescimento do consumo - e depois reclamar que a conta corrente está com um déficit muito alto! É preciso entender que um dos problemas críticos a serem enfrentados pela economia brasileira para poder crescer mais chama-se: "escassez de poupança". Até agora, depois de 2004, foi possível implementar uma política que "driblou" qualquer tentativa de fazer escolhas, uma vez que tanto o consumo como o investimento aumentaram a taxas vigorosas, ao mesmo tempo em que o país exibia indicadores externos confortáveis e inflação baixa. Isso ocorreu, porém, partindo de uma situação muito peculiar, quando no começo dessa história de sucesso havia grande capacidade ociosa e superávit em conta corrente, com muita "gordura" para queimar. Entretanto, se o Brasil continuar exibindo um descompasso entre o crescimento da absorção doméstica e do PIB e tendo, como corolário disso, um aumento do "quantum" de importações significativamente superior ao das exportações, haja pré-sal para equacionar esse desequilíbrio na segunda metade da década! O livro será lançado hoje, 11 de julho, em São Paulo, na Livraria Cultura, Av. Paulista 2073 (Conjunto Nacional). Fabio Giambiagi, economista, coorganizador do livro "Economia Brasileira Contemporânea: 1945/2010" (Editora Campus), escreve mensalmente às quartas-feiras. E-mail: fgiambia@terra.com.br. © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/2745212/depois-da-euforia-iii-poupanca-escassa#ixzz28vX3Ko5C

Além da euforia (IV): Por Fabio Giambiagi.

Este é o quarto artigo acerca do meu livro com Armando Castelar ("Além da euforia", Ed. Campus) referente aos problemas da nossa realidade e que serão um obstáculo para a continuidade do crescimento. Depois de um primeiro texto geral, os artigos posteriores trataram da nossa baixa produtividade e da poupança doméstica e hoje iremos abordar o tema da educação. O desenvolvimento sustentável, para além da "etapa fácil" da ocupação de capacidade ociosa e da redução da taxa de desemprego, se constrói sobre alicerces que, no Brasil, deixam a desejar - realidade essa que, se não for modificada, irá conspirar contra nosso êxito no longo prazo. O capítulo sobre educação foi escrito por Marcio Gold Firmo, cujas informações acerca do tema são aqui sintetizadas. A tabela é um bom indicador para medir nosso atraso relativo. É verdade que entre 2000 e 2010 o número de anos médios de escolaridade da População Economicamente Ativa (PEA) no Brasil aumentou 1,1 ano. Ocorre que: i) na década anterior, tinha aumentado 1,9 anos; ii) na primeira década deste século, a escolaridade média se elevou também 1,1 ano nos países selecionados da periferia europeia e nos "tigres" asiáticos e em 0,9 anos nos maiores países da América Latina exceto Brasil; e iii) no conjunto de países da tabela, em 2010 o Brasil fica muito atrás em qualquer comparação feita. Estamos mal na foto - e o filme não chega a ser animador. O Brasil evoluiu, mas o resto do mundo também. Consequentemente, nosso atraso relativo permanece. Uma realidade similar se observa em diversos indicadores. Na nota de matemática do Programme for International Student Assessment (Pisa), hoje o melhor "termômetro" comparativo da qualidade da educação em diversos países, mesmo considerando o avanço recente, ficamos atrás não apenas dos países desenvolvidos, mas também de países como Argentina, México, Chile, Uruguai e também atrás de Rússia, Sérvia, Turquia e Cazaquistão. No mesmo PISA, em 2009, o percentual de alunos com desempenho abaixo do adequado em matemática foi de 8% na Coreia do Sul, 22% na média dos países da OCDE, 23% nos EUA, 30% na Grécia, 42% na Turquia e constrangedores 69% no Brasil. Nos exames do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), o percentual de alunos com desempenho em Matemática considerado adequado à sua série já é baixo no 5º ano do Ensino Fundamental (apenas 33%) e cai ainda mais, para apenas 15%, no 9º ano e para 11% no 3º ano do Ensino Médio. Alguém poderia alegar que o problema é de escassez de verbas. Essa é uma questão controversa, mas objetivamente: a) o gasto em educação no Brasil passou de 3,9% para 5% do PIB entre os anos de 2000 e 2010; e b) neste último ano, o gasto em educação no Brasil como fração do PIB, pelos dados da OCDE, era maior do que nos EUA e do que a média da OCDE, além de ser também superior ao de Polônia, Holanda, Canadá, Espanha, Coréia do Sul, Alemanha, Austrália, Chile e Japão. País prioriza o ensino direcionado à formação do cidadão, ao invés de ensinar matemática e português Parte do nosso atraso vem de longa data e resulta da opção que as elites dirigentes fizeram há décadas ao adotar um modelo fortemente concentrador de renda e com escassas preocupações com a melhora de oportunidades para os filhos das famílias mais humildes, através da priorização da educação. A Coreia do Sul fez exatamente o contrário a partir dos anos 50, com resultados espetaculares. Parte do problema, porém, deriva de escolhas recentes, como aquelas associadas a certo tipo de ensino voltado para a formação do cidadão, em oposição à priorização do aprendizado de matemática e português. Sem uma base forte nessas disciplinas, é impossível esperar que o aluno tenha um bom desempenho nas demais. Cabe destacar, como um bom sinal, o empenho do setor privado e da academia em favor do avanço da avaliação da eficácia de diferentes tipos de intervenções educacionais, a despeito da resistência de parte do setor de educação pública. É imperativo que os governos assumam o papel de multiplicadores das experiências inovadoras de sucesso. Na educação, o Brasil tem hoje uma atitude oposta à que assume no futebol, no qual o segundo lugar é visto como uma derrota. Comparativamente, a autocongratulação em relação aos resultados educacionais de nossas crianças e jovens é de uma complacência inadmissível. Aspirar a um crescimento sustentável de 5% ao ano, desse jeito, é apenas um sonho. Fabio Giambiagi, economista, coorganizador do livro "Economia Brasileira Contemporânea: 1945/2010" (Editora Campus), escreve mensalmente às quartas-feiras. E-mail: fgiambia@terra.com.br. © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/2780128/depois-da-euforia-iv-educacao#ixzz28vWvzpIY

Além da euforia (V): Por Fabio Giambiagi.

Encerro hoje a série de artigos acerca do meu livro com Armando Castelar ("Além da euforia", Editora Campus) sobre os problemas que todos sabem que caracterizam a economia brasileira, mas diante dos quais agimos como se não existissem. Além da apresentação inicial das principais ideias do livro, os artigos trataram das questões da produtividade, da poupança doméstica e da educação. Hoje iremos abordar o desafio demográfico. As regras de aposentadoria no Brasil são o nosso "lado grego". O que se disse da Grécia nos últimos 2 ou 3 anos? "Eles não aproveitaram a bonança de anos anteriores para fazer o dever de casa", "continuaram se aposentando muito cedo", "o resto do mundo se cansou de sustentar os gregos" e toda sorte de comentários de teor similar. É evidente que o Brasil não é a Grécia. Basta dizer que a dívida pública bruta grega como proporção do PIB é da ordem de duas vezes a nossa, além do nosso setor público ser credor líquido do exterior e de termos flexibilidade cambiária, todos esses elementos que representam diferenças cruciais. Ninguém, em sã consciência, pode argumentar que o Brasil está nas proximidades de correr risco de "default". Tendo deixado isso claro, porém, proponho ao leitor um exercício: já percebeu como ficam aquelas frases se substituirmos a expressão "os gregos" por "os brasileiros"? Diz J. Kennedy que a melhor época para consertar o telhado é quando o tempo está bom O leitor ouviu falar da "crise da Áustria"? Não, porque não houve crise. Menos ainda de "crise da Alemanha", cuja economia teve um desempenho estupendo depois de 2008/2009. Pois bem, quem olha para os dados da tabela pode ter uma pequena pista de por que Portugal entrou em crise e a Alemanha não: em Portugal, as pessoas podem antecipar a aposentadoria já com 55 anos, enquanto que na Alemanha isso só pode ocorrer aos 63. Ocorre que a tabela mostra também a idade em que, na média, as pessoas se aposentam por tempo de contribuição no Brasil pelo INSS: aos 54 anos os homens e aos 52 as mulheres. Vamos ser francos: dado algum dos que foram tão citados na crise grega nunca foram novidade. O mercado sabia dos fatos há muito tempo - e, não obstante isso, com a miopia própria das bonanças, ignorou a realidade durante anos, comprando alegremente títulos gregos a taxas pouco acima das associadas aos títulos germânicos. Foi só quando as labaredas da crise estavam chegando no quarto andar que tais números passaram a ser expostos em alto e bom som como prova do desleixo dos países da periferia da União Europeia na época das "vacas gordas". O leitor já pensou o que podem dizer do Brasil no futuro, se o mercado se tornar hostil? A pergunta que não quer calar (e que ninguém quer ouvir) é: há alguém que não esteja informado acerca da última linha da tabela? As projeções demográficas estão no site do IBGE para qualquer um que se dispuser a analisar os dados. Elas nos informam que no Brasil o número de pessoas com 60 anos ou mais de idade passará de 19 milhões para 64 milhões de pessoas entre 2010 e 2050, ao mesmo tempo em que a população de 15 a 59 anos vai encolher ligeiramente. E o que fizemos diante desse mega-desafio? Duas coisas: a) aumentamos as aposentadorias nas duas pontas da escala social, dando fortes aumentos reais ao longo de quase 20 anos a 2 de cada 3 aposentados do INSS (os que ganham o salário mínimo) e aos próximos aposentados da administração pública, que com os aumentos reais dos últimos anos vão passar para a inatividade com uma renda muito superior à média dos seus salários de contribuição; e b) houve um empenho firme e deliberado no sentido de convencer a população em peso de que mudar as regras de aposentadoria seria uma ideia "neoliberal". Isso, para não falar dos projetos divorciados da matemática elementar do senador Paulo Paim, aprovados com apoio unânime no plenário quando levados a votação e dependentes do veto presidencial. O livro com Armando Castelar se inicia com uma epígrafe de J. Kennedy, segundo o qual "a melhor época para consertar o telhado é quando o tempo está bom". À luz das tendências demográficas e da benevolência das nossas regras de aposentadoria, nesse sentido pode-se afirmar que nos últimos anos não colocamos nem um mísero prego no telhado do Regime Geral da Previdência Social. No dia em que chover, poderemos pagar as consequências. Fabio Giambiagi, economista, coorganizador do livro "Economia Brasileira Contemporânea: 1945/2010" (Editora Campus), escreve mensalmente às quartas-feiras. E-mail: fgiambia@terra.com.br. © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/2825712/depois-da-euforia-v-demografia#ixzz28vWlIcWM

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

domingo, 7 de outubro de 2012

O mundo é um lugar melhor sem Eric Hobsbawn.

Eric Hobsbawn, o historiador marxista e um dos maiores ícones da esquerda, finalmente faleceu. O dano que este homem fez ao mundo é imensurável. Sua visão marxista da história é hoje ensinada na grande parte dos cursos de economia e os pobres graduandos aprendem que o desenvolvimento é um processo de exploração, que somos pobres pq eles são ricos, que riqueza não cria, se rouba dos mais fracos e mais toda aquela ladainha de marxista.... A revista veja publicou uma matéria que aponta para a péssima influência de Hobsbawn ... Idéias e ideais, diferentemente da vida humana, são eternos. É uma pena que isso funcione para o bem e para o mal, pois mesmo que a morte de Hobsbawn tenha tornado o mundo um pouco melhor, sua obra ainda vai influenciar muitos retardados pseudo-intelectuais de esquerda (desculpem a redundância...)...

Documentário Mises Brasil.

Documentário BBC: Marx, Keynes e Hayek.