quinta-feira, 17 de maio de 2012

Sobre as medidas heterodoxas.

Segue abaixo uma respota dada a um leitor em post antigo. Resolvi colocar novamente pq o assunto está na moda. Lembrem de que o isso foi escrito a mais de um ano atrás.
Operações no cambio não resolvem, pois uma vez que o cambio desvalorizado fomenta as exportações, o pagamento recebido por es...tas tende a valorizar novamente o real. Assim, só é possível manter a competitividade baseada no cambio desvalorizado se o governo tiver condições de manter a situação comprando cada vez mais dólares. Dada à escassez de poupança interna, o governo não pode proceder como a China e tem basicamente duas opções: ou emite títulos e os vende ao banco central para usar esses reais para comprar dólares (insustentável pois o real não é moeda de reserva e a inflação seria brutal) ou arcar com os altíssimos custos fiscais de emprestar do público para comprar os dólares extras (o que vem fazendo hj, mas os custos de carregar reservas é brutal dado a grande diferenças entre os juros internos e aqueles recebidos nas melhores opções de esterilização). As outras tentativas de manter o real desvalorizado não passam de enxugar gelo. Enquanto os grandes BCs não terminarem o QE e os nossos juros não diminuírem a valorização não vai melhorar. Além de tudo, desvalorizar o câmbio diminui a riqueza real do país, uma vez que parte dessa tem a ver com o poder de compra do brasileiro em termos de produtos importados. Da mesma forma, impor tarifas às importações também não funciona, basicamente, por três motivos: como sustenta o teorema da assimetria de Lerner, em prazos longos, tarifas às importações são equivalentes às tarifas sobre exportações, pois o valor das importações se iguala ao valor das exportações (não faz sentido ter balança positiva eternamente e balança negativa muito menos); taxar importações não melhora nossa competividade em outros mercados (não podemos impedir os italianos de comprarem sapatos chineses para que comprem os nossos); colocar impostos diminui a competição e os incentivos às empresas nacionais para inovar e aumentar eficiência e produtividade. Este último ponto é muito claro para mim, não acho que a proteção para indústria nacional funcione de forma positiva. Muita gente parece acreditar que sim. Não q eu ache a situação da indústria nacional seja boa. Eu sei que o cambio é um sério problema. No entanto, vejo uma solução diferente. Cortar impostos da folha de pagamento pode ser uma saída enquanto as reformas e o investimento em infraestrutura e inovação não vêm (ideia do seu odiado Samuel Pessoa). Mas o governo precisaria cortar gastos também, do contrário teria que aumentar a divida (efeitos de crowding out, juros subiriam e atraíra ainda mais dólares) ou aumentar impostos (ruim também). As reformas são extremamente necessárias. Apenas não acredito nenhum pouco na capacidade do governo em coordenar as atividades produtivas. Resumidamente, eu não acredito que os formuladores de politica econômica são deuses na terra, isto é, são completamente racionais e detêm toda a informação necessária sobre todos os setores da economia e, assim, sabem exatamente quanto dinheiro precisa ser investido em cada projeto, em cada setor, tem uma capacidade de cognição infinita que os permite coordenar todos os projetos simultaneamente e o pior, o que os formuladores são isentos de qualquer propensão à corrupção e incapazes se utilizar as ferramentas que possuem para garantir popularidade e ganhar a próxima eleição (qualquer semelhança com os argumentos de Hazlitt não é nem de longe mera coincidência)

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