quinta-feira, 31 de maio de 2012

Riscos e lacunas do modelo brasileiro por Armando Castelar Pinheiro.

No seu relatório anual sobre a competitividade global, o Institute for Management Development (IMD) mostra mais uma vez que o Brasil caminha para trás no ranking das nações mais competitivas. Em 2012 caiu duas posições, passando à 46ª colocação entre os 59 países analisados. Como conciliar esse desempenho com a visão que passamos a ter do Brasil, de "queridinho" dos investidores estrangeiros e estrela ascendente no cenário econômico e político global? Qual das duas visões está correta, a de que o futuro de que falava Stefan Zweig finalmente chegou para o Brasil ou a que continua nos identificando com um país de risco elevado e ambiente de negócios ruim, este o sétimo pior entre os analisados pelo IMD? Em livro que escrevi com Fabio Giambiagi, intitulado "Além da Euforia", lançado há um par de semanas, mostramos que hoje dois Brasis coexistem, o que se livrou de alguns dos piores vícios do passado e aquele em que subsistem problemas antigos, em alguns casos até agravados. Dois Brasis co-existem, o que se livrou de alguns dos vícios do passado e aquele em que ainda há problemas antigos Começamos o livro reconhecendo os muitos avanços das duas últimas décadas. Sem querer ser exaustivos, podemos citar da abertura comercial aos avanços no mercado de crédito, passando pelo Plano Real e as alterações nas regras fiscais consolidadas na Lei de Responsabilidade Fiscal, assim como o saneamento e as novas regulações do setor financeiro. Entendemos, portanto, que houve inúmeros progressos na qualidade das nossas instituições e políticas econômicas, tornando o Brasil um destino mais atraente para os investidores estrangeiros, avanços dos quais devemos nos orgulhar. O livro não se destina, porém, a tecer louros sobre o passado, mas a apontar dois problemas centrais do nosso atual "modelo" de desenvolvimento. O primeiro é a provável exaustão de alguns fatores que explicam boa parte significativa do bom desempenho econômico dos últimos anos. A importância desses fatores não é devidamente reconhecida no desenho da política econômica, que atribui os resultados recentes aos fundamentos da nossa economia, colocando o país em uma dinâmica econômica que nos parece insustentável. O segundo problema é que o sucesso recente nos fez esquecer os gargalos que subsistem na nossa economia e limitam o nosso potencial de crescimento, como revelam pesquisas como a do IMD. Um dos desequilíbrios dinâmicos tratados em "Além da Euforia", que recentemente passou a ocupar espaço na mídia, envolve o crescimento da demanda acima daquele do Produto Interno Bruto (PIB) potencial, com base em forte expansão do crédito e das importações. Ainda que essa estratégia tenha funcionado na segunda metade da década passada, isso ocorreu por que o país partiu de elevados níveis de desemprego, um superávit em conta corrente de 2,5% do PIB e baixos níveis de endividamento. Hoje a taxa de desemprego é baixa; a conta corrente deve fechar o ano com déficit acima de 2,5% do PIB; e o endividamento das famílias é alto, considerando juros, prazo e que uma parcela pequena dele se destina à compra de imóveis. Além disso, é dado um crédito insuficiente ao papel das condições externas, tanto ao efeito da melhoria dos termos de troca, que impediu que a alta nas importações se transformasse em um déficit em conta corrente mais elevado, como à entrada de capital externo, que alimentou a expansão do crédito. Para avaliar a importância desses efeitos basta ver que a América Latina como um todo acelerou o crescimento do PIB ao mesmo tempo e tanto quanto o Brasil, com quedas de desemprego em alguns países ainda maiores do que a nossa. De fato, em 2011 o Brasil teve a menor expansão de PIB em toda a América do Sul. Também analisamos no livro a dinâmica insustentável na área fiscal, calcada na expansão do gasto corrente e da carga tributária sistematicamente acima do PIB. Ainda que em algum momento vá se tornar difícil continuar aumentando impostos - e a carga elevada e complexa é um dos fatores que constrange o investimento no país - a transição demográfica em curso já traz contratado um aumento significativo de gastos nas áreas de previdência, saúde e assistência a idosos. Nesse sentido, mostramos a necessidade de mudar as regras de aposentadoria, sob risco de tornar o sistema inviável daqui a uns anos. Além desses desequilíbrios dinâmicos, o livro analisa uma série de áreas em que a necessidade de reformas ficou esquecida em função dos bons resultados dos últimos anos: educação, infraestrutura, ambiente de negócios, produtividade são alguns dos temas tratados em capítulos individuais no livro. Também dedicamos um capítulo ao pré-sal, discutindo como evitar que esse se transforme numa fonte de atraso, como ocorre em alguns países não tão distantes de nós. "Além da Euforia" foi escrito em uma linguagem acessível aos não especialistas, com vários números para ilustrar nossos argumentos. Acreditamos que isso torna a sua leitura mais agradável e, esperamos, ajude a fomentar uma discussão mais realista sobre o Brasil atual.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Câmbio volátil e depreciado põe risco juro mais baixo - Valor Econômico.

A instabilidade excessiva e uma desvalorização muito acentuada do câmbio podem dificultar o projeto do governo de reduzir os juros para níveis mais baixos, provocando também incertezas num país hoje mais integrado à economia internacional, advertem alguns economistas. Além de um eventual impacto inflacionário, um risco que hoje parece pequeno, um dólar que oscila muito também afeta a vida de muitas empresas que tem dívida no exterior ou incluíram a importação na sua estratégia produtiva, influenciando também decisões de investimento no país - em renda fixa e na bolsa e também em atividades produtivas. Para o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, o câmbio não pode ser visto apenas como um fator importante para a rentabilidade da indústria, como, segundo ele, parece acreditar o Ministério da Fazenda. "O câmbio tem hoje uma grande abrangência no equilíbrio macro e microeconômico do país." O Brasil, lembra ele, tem um déficit em conta corrente (resultado das transações de bens, serviços e rendas com o exterior) que, se não é enorme, tampouco é desprezível, e precisa ser financiado - nos 12 meses até abril, somou 2,04% do Produto Interno Bruto (PIB), ou US$ 51,6 bilhões. Um dólar volátil demais pode inclusive afetar decisões de empresas estrangeiras de investir no setor produtivo, diz ele - que, no entanto, não atribui ao movimento do câmbio o fluxo recente um pouco menor de investimentos estrangeiros diretos. Também ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Mendonça de Barros destaca ainda que uma alta muito forte do dólar afeta as empresas que se endividaram no exterior, muitas vezes a um custo menor por prazos mais dilatados. Para ele, o movimento recente do câmbio atrapalhou até mesmo as vendas de títulos da dívida pública. No dia 22, quando o dólar testou o limite de R$ 2,10, o Tesouro ofertou três lotes de NTN-Bs (papéis atrelados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo) com vencimento em 2016, 2018 e 2022, mas não vendeu nada. Muita volatilidade no câmbio pode afastar o investidor estrangeiro que ajuda o governo a alongar os prazos da dívida pública, a taxas mais baixas, não se tratando de um dinheiro especulativo, avalia ele, hoje sócio da Quest Investimentos. Mendonça de Barros lembra que, nos últimos anos, um número muito maior de empresas passou a importar. Se o dólar sobe muito, isso pressiona os custos das companhias, podendo se traduzir em alguma inflação. Por tudo isso, ele acha que não faz sentido comemorar a depreciação mais acentuada do câmbio, como fez o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O discurso tende a contribuir para desvalorizar ainda mais a moeda, num momento de incerteza no cenário externo, especialmente em relação à crise na Europa. "Um câmbio muito desvalorizado e volátil pode colocar em risco o objetivo do governo de ter juros reais mais baixos", diz ele, que vê um cenário de fato propício para o BC testar níveis menores para a Selic, com um quadro externo benigno para os preços, uma atividade doméstica fraca e um quadro de juros baixíssimos no mundo desenvolvido. A alta mais forte do dólar incomodou o BC, que vendeu US$ 5,4 bilhões em swaps cambiais depois que o dólar se aproximou de R$ 2,10. Além disso, o sempre discreto diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton de Araújo, chegou a dizer publicamente que o excesso de volatilidade no câmbio era preocupante. Ontem, o dólar, que no fim de fevereiro estava em R$ 1,72, fechou em R$ 1,986. Para o ex-presidente do BC Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria, o governo tem alguns objetivos simultâneos em alguma medida conflitantes, como o de desvalorizar deliberadamente o câmbio, reduzir os juros e ampliar o crédito. O real mais fraco tem algum efeito sobre a inflação, ainda que no momento o repasse da desvalorização da moeda para os preços seja limitado. Loyola também nota que o país está hoje mais aberto do ponto de vista comercial e financeiro. Um câmbio muito volátil, para um país que precisa de poupança externa (que equivale ao déficit em conta corrente), pode ter efeitos negativos. Por fatores como esses, a moeda não pode ser tomada apenas como algo que vai melhorar a competitividade da indústria, por melhorar a rentabilidade das exportações e encarecer as importações, diz Loyola. Em entrevista recente ao Valor, o ex-presidente do BC Ibrahim Eris afirmou que um câmbio na casa de R$ 2 tem risco inflacionário, ainda que melhore de fato a situação da indústria. "Você não pode desvalorizar a moeda em 20% e achar que não vai ter nenhum impacto sobre a inflação, embora seja algo transitório", disse Eris. Para ele, que vê espaço para o BC testar níveis de juros comparáveis aos internacionais, o câmbio mais desvalorizado pode exigir da autoridade monetária em algum momento uma parada no ciclo de redução da Selic, atualmente em 9% ao ano. Hoje, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve cortar mais uma vez a taxa, para 8,5%, segundo a expectativa da maior parte do mercado.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Fudeu!! Querem botar o Oreiro no IPEA!!!

BRASÍLIA - O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, se reúne na tarde desta terça-feira com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. O encontro não estava previsto na agenda oficial da presidente divulgada na noite de ontem e foi incluído somente no início da tarde. Conforme adiantou o Valor, o assunto da reunião deve ser a sucessão de Pochmann no Ipea. Ele deixará o cargo para concorrer pelo PT à Prefeitura de Campinas (SP) nas eleições de outubro. O presidente do Ipea sugeriu três nomes para lhe sucederem: Vanessa Petrelli, Leda Paulani e Jorge Abrahão. Nenhuma dele, no entanto, empolgou Dilma. Porchmann, por outro lado, vetou a sugestão de Ricardo Paes de Barros, assessor especial da Secretaria de Assuntos Estratégico. Desta forma, ganhou força o nome do economista josé Luís Oreiro. (Yvna Sousa | Valor)
Como diria meu amigo Clauber: "Meu Deus, isso vai dar merda".
Se é para avacalhar, coloquem um plantador de inhame na direção do IPEA.....
UPDATE:
Tive a curiosidade de procurar quem é o Ricardo Paes de Barros. O cara é muito fera, e foi vetado pelo Porchmann!!!
É fácil ver que a Dilminha e o Porchman não querem um economista sério no comando do IPEA.

O Lula vai ser preso? por Carlos Eduardo.

Eu apoio.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

domingo, 27 de maio de 2012

Que besteira, todos nós já sabemos que é o câmbio!!

Esse Acemoglu e o Robinson são muito burros!! Deveriam passar um tempo na Unicamp para aprender que o verdadeiro determinante da riqueza de uma nação é o câmbio!!! Vejam mais um vídeo sobre a idéia idiota deles sobre instituições.... Pobres retardados, ainda não foram iluminados pelas teorias econômicas tupiniquins!!!

"The Imperial March" by the Vienna Philharmonic Orchestra (HQ)

Foda pra caralho!!!

A nova rodada de heterodoxisses vai funcionar? Discussão na Globo News.

Parte 1.
Parte 2.

sábado, 26 de maio de 2012

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Quando proteger a indústria - direto do blog do Leonardo Monastério.

- Quando a indústria for nascente, porque ela é nascente.
- Quando a indústria for madura. Pois é preciso preservar os empregos;
- Quando a indústria for decadente. E deixar que se perca tamanho know-how acumulado no setor?
- Quando os termos de troca forem desfavoráreis. Afinal, só com a indústria fugiremos da tendência secular da deterioração dos termos de troca;
- Quando os termos de troca forem favoráveis. Ora, é preciso combater a doença holandesa e, além disso, a maré pode virar;
- Se o desemprego estiver alto, devido ao efeito multiplicador da atividade manufatureira;
- Se o desemprego estiver baixo, para reduzir os custos e a pressão sobre a inflação;
- Se der praia no final de semana;
- Se não der praia.

What Makes a Nation Rich? por Acemoglu.

Vejam aqui a opinião do Acemoglu.
Pobre Acemoglu, no Brasil todos nós já sabemos, graças à iluminação das teorias keynesianas e cepalinas, que o verdadeiro determinante da riqueza das nações é câmbio!!!!
O Acemoglu deveria vir aprender um pouco de economia na Unicamp.....

Ex-presidente do BC fala sobre os efeitos da crise internacional na economia brasileira - Globo News.

Vejam aqui.

Imediatismo dos pacotes por Márcio Gárcia.

"Primum non nocere" é princípio básico da ética médica, segundo o qual o médico deve avaliar, antes de tomar qualquer atitude, se sua ação poderá prejudicar mais o doente do que se nada fosse feito. Tal ensinamento aplica-se a várias outras áreas, inclusive à economia. Infelizmente, não vem encontrando o devido eco na condução da política econômica brasileira recente. A desaceleração mais forte da economia vem suscitando uma sucessão de "pacotes" de estímulo econômicos, cada vez mais patéticos. Tais pacotes advêm de um diagnóstico comum: falta demanda. E prescrevem doses crescentes dos mesmos remédios: subsídios ao crédito e desonerações tributárias, sempre focalizados em poucos produtos e setores, escolhidos por critérios obscuros. Frequentemente, têm sido também criadas barreiras a produtos importados que competem com a produção de setores com lobby mais forte em Brasília, notadamente o automobilístico. De fato, a economia brasileira ora passa por um momento de arrefecimento da demanda, e é função da política econômica suavizar, na medida do possível, o ciclo econômico. No entanto, corrigir as raras e breves ocasiões de falta de demanda não é problema que tenha ameaçado o desempenho da economia brasileira, muito pelo contrário. Dificuldades pelo lado da oferta, essas, sim, constituem gargalos estruturais que vêm, há muito, prejudicando o crescimento econômico. E, com frequência, os pacotes de estímulo à demanda, em vez de destravar a oferta e ajudar no crescimento da produtividade da economia, representam aumento do custo Brasil para setores não beneficiados pelas medidas governamentais. A sucessão de medidas de estímulo à demanda pode até trazer alívio momentâneo, mas prejudica o crescimento A política econômica recente vem ficando cada vez mais parecida com aquelas que vigoraram no período pré-Real, quando as regras eram mudadas com grande frequência. Isso se choca frontalmente com os preceitos da teoria econômica moderna, que têm enfatizado, cada vez mais, a importância da manutenção de incentivos propícios ao crescimento econômico e à prosperidade. Incentivos que só podem surtir efeito se baseados em regras e instituições estáveis ao longo do tempo. A instabilidade advinda da sucessão de pacotes prejudica o investimento e o crescimento. Um empresário racional que se defronte com dificuldades, em vez de se esforçar para reduzir custos ou investir para aumentar a produtividade, logo perceberá ser mais lucrativo juntar-se a um lobby para extrair benesses em Brasília ou na avenida Chile. Não chega a ser surpreendente que isso venha ocorrendo. Confesso que até mesmo eu acho monótona a repetição do argumento de que as reformas estruturais (previdenciária, tributária, trabalhista) precisam voltar a ser prioridade. Mas nem mesmo o modesto projeto de limitar o crescimento real da folha salarial do setor público sai da gaveta do deputado relator, que alega que não o fará até a presidente afirmar que a medida é, de fato, prioritária. Há indicações cada vez mais evidentes de que a política econômica carece de visão coerente de longo prazo. Por exemplo, ao justificar as decisões do recente pacote, o ministro do Desenvolvimento declarou que "o governo está conjugando medidas estruturais, como é o caso da redução sistemática da taxa de juros, com medidas conjunturais..." (Valor Econômico, 23/5/2012, pág. A3). Tal declaração contém dupla impropriedade. Primeiro, porque atribui a redução dos juros à suposta agenda de medidas estruturais do governo, enquanto deveria ser responsabilidade autônoma do BC, a se crer nas declarações da presidente Dilma e do presidente do BC. Segundo, e mais importante, porque alterações da taxa de juros são, por definição, medidas anticíclicas e, portanto, conjunturais. Estruturais seriam medidas que permitissem ao BC reduzir os juros sem colocar em risco o controle inflacionário, como um verdadeiro ajuste fiscal, que arrefecesse a expansão do gasto corrente, e estimulasse o investimento público. Mas estas, o governo parece desinteressado ou incapaz de promover. Como disse um amigo, a estratégia econômica atual assemelha-se cada vez mais à do enxadrista improvisado: "Peça pra frente, que xadrez é sorte"! © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nosso Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/2675984/o-imediatismo-dos-pacotes#ixzz1vtDITrMp

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Entrevista: Friedman sobre "O Caminho da Servidão" de Hayek.

G3 Live In Denver - Rockin In The Free World.

Foda pra caralho....

Sensible Keynesians see no easy way out por Raghuram Rajan.

In the long run we are not dead, we will still be recovering from the Great Recession. We should therefore weigh stimulus policies not just on their immediate effect but on their consequences over time. Sensible Keynesians recognise this. They bet that reviving growth through government spending today outweighs the future loss of growth as the debt taken on to fund current spending is paid back. Consider two circumstances where this may apply. The first is in a fully fledged panic where demand collapses, banks and companies fail and organisational capital is destroyed. Save, possibly, for Greece, it is hard to argue any industrial country is there today. The key question then is whether more government spending can make a real difference to the most severe employment problems. Here the case for a general stimulus becomes less compelling. In the US, demand is weakest in communities where a boom and bust in house prices has left an overhang of household debt. Lower local demand has hit employment in industries such as retail and restaurants. A general increase in government spending may be too blunt – greater demand in New York is not going to help families eat out in Las Vegas (and hence create more restaurant jobs there). Targeted household debt write-offs in Las Vegas could be a better use of stimulus dollars.The second is when persistent high unemployment leads the long term unemployed to lose the habits and skills that make them employable. This is probably the more pertinent case in several industrial countries, such as the US and Spain. Increasing employment in a sustainable way today could more than pay for itself if people who would otherwise drop out of the workforce earn incomes. However, the past build-up of debt in now depressed areas may suggest that demand was too high relative to incomes. If so, demand, without the dangerous stimulant of borrowing, will stay weak. Policy should instead help workers move where there are suitable jobs – for instance, by helping them offload their homes and the associated debt without the stigma of default. Employment is also lower in states that experienced a housebuilding bust. In these states, unemployment is higher among construction workers and in related jobs such as real estate brokerage. Could big publicly funded infrastructure projects, modelled on those in the 1930s, re-employ them? Possibly not, since today’s built-up US is less in need of infrastructure on that scale. Moreover, it is not clear that a worker used to putting up drywall can move easily to laying fibre-optic cable. Perhaps it would be better policy to support retraining for private jobs. Japan, which had a huge property boom and bust in the late 1980s, provides a salutary warning of the difficulties of stimulus through infrastructure spending. Even though Japan covered much of the country with concrete, it never fully emerged from the crisis. For the Japanese, the long run has arrived, and they are older, fewer and have the highest government debt in the G7. The US government can still spend. The UK is more on the margin. With a huge financial sector dependent on the government’s financial standing, it can take fewer chances with its finances. Austerity is painful, which is why austerity tomorrow is not credible. Yet shared tax increases and spending cuts can instil a sense of national purpose to help a country weather tough times. For Greece, government spending is the problem, not the solution. A responsible government would implement judicious austerity, firing the party hacks who were hired in the go-go years, cutting wages and pensions and restructuring itself to collect taxes and provide useful services, even while retaining transfers to the indigent and elderly. As public sector workers share the private sector’s pain, national solidarity could improve. Also, improved government efficiency and other structural reforms will make it easier for Europe to provide the financing that will prevent even more savage cuts to government functions. And it will make it easier to write down Greek debt further and attract private investment, giving people hope of growth. Targeted government spending, or reduced austerity, along the lines suggested by sensible Keynesians, might be feasible in some countries and helpful in speeding recovery. But we should examine each policy based on a country’s circumstances. We should be particularly wary of populist Keynesians, who parrot “in the long run we are dead” to justify any short-sighted government action. They do the world a disservice by suggesting there are easy ways out. By misleading people and their leaders, they may well precipitate revolution rather than recovery.

Sachsida sobre a nova rodada de heterodoxisses.

Leiam aqui.
Não sei o que é pior, o Mantega ser corrupto e adotar tais medidas puramente pq foi comprado pelos setores ajudados ou se ele é burro o suficiente para acreditar que isso funciona.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Mais uma rodada de heterodoxisses.

Guido Mantega anuncia mais uma rodada de heterodoxisses.
Isso vai dar merda!!! E quando der (inflação com baixo crescimento, demissões nos setores superaquecidos pelas heterodoxisses do nosso governo), os heterodoxos vão botar a culpa em quem???!!! Meu palpite é que vão culpar os banqueiros gananciosos que vão restringir crédito e patrões malvados das indústrias distorcidas pelo governo.....
E outra, será que não veem que redução de impostos desse jeito somente adianta o consumo de bens duráveis??!! Pq acham que o consumo desses bens caiu tão fortemente??? Será que não foi pq que muita gente já trocou de carro nos estímulos anteriores??? O governo vai continuar estimulando até que todo mundo troque de carro???? Daqui a pouco estaremos adotando as medidas que os EUA adotaram no começo da crise, o governo vai incentivar vc a destrui seu carro e te dar um cheque para comprar um novo!!! olha como isso funcionou nos EUA....

domingo, 20 de maio de 2012

A Itália está salva!!!

Todos os keynesianos sabem como desastres naturais e destruição em massa são benéficos para a economia, pois, como é óbvio e só os ortodoxos malvados e sem coração não veem, há um grande aumento da demanda para reconstrução que, através do efeito multiplicador, se espalha por todos os setores da economia trazendo renda e emprego para o país com sorte de ter sido desolado por um terremoto ou que sabiamente se engajou em uma guerra. Pois bem, o país sortudo da vez é a Itália. Um terremoto de 5,9 atingiu o norte da Itália, mas os italianos devem comemorar!!! Deviam apenas ficar tristes por não ter sido um terremoto mais forte, mas quem sabe, com muita sorte, eles não atingidos por um terremoto de 9,5 graus?!!
Para aqueles que acreditam que estou descaracterizando a visão keynesiana, vejam a opinião de Krugman sobre:
Os atentados terroristas de 11 de setembro.
O Furacão Irene.
O que ajudaria a acabar com crise nos EUA.

Quem disse que os marxistas não sabem derivar?

sábado, 19 de maio de 2012

ADRENALINE MOB - Indifferent

Russel Allen é um monstro.

Keynes vs Hayek.

Jared Diamond e Acemoglu estão errados!!!

Economistas têm sempre tentado entender porque alguns países são tão ricos enquanto outros são tão pobres (quantos papers começam com tal frase?!). Há duas respostas dominantes: a hipótese da geografia, liderada por Jared Diamond, defende que diferenças nas dotações de recursos naturais (plantas e animais domesticaveis) influenciaram a produtividade e, consequentemente, a capacidade de introduzir inovações, inclusive institucionais, que permitiram um maior enriquecimento e dominação sobre civilizações com menor qualidade de recursos naturais; a segunda tem seumaior expoente em Acemoglu e defende que, mesmo nos tempos antigos, o arranjo institucional é o fator principal para explicar a riquezas das nações, pois cria a estrutura de incentivos sobre a qual os indivíduos tomam suas decisões.
Pois bem, segundo nossos economistas excêntricos/alternativos/diferentes/heterodoxos, ambos estão completamente enganados!!! O verdadeiro fator determinando da riqueza de uma nação é o câmbio!!!! O que seria dos sumérios se não tivessem desvalorizado seu câmbio??? Os egipcios teriam conseguido prosperar sem a desvalorização do câmbio???? Com certeza, a Grécia não teria sido engolida pelo império romano se tivesse desvalorizado para fomentar suas exportações e permitir ganhos de escala nos encadeamentos para frente e para trás de sua indústria nascente!!!
Alguém avisa o Diamond e o Acemoglu que a questão que ambos se dedicam tão intensamente já foi plenamente respondida por economistas brasileiros.
Pobres gringos, já é 2012 e ainda não conhecem a iluminação das teorias keynesianas e cepalinas.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Sobre as medidas heterodoxas.

Segue abaixo uma respota dada a um leitor em post antigo. Resolvi colocar novamente pq o assunto está na moda. Lembrem de que o isso foi escrito a mais de um ano atrás.
Operações no cambio não resolvem, pois uma vez que o cambio desvalorizado fomenta as exportações, o pagamento recebido por es...tas tende a valorizar novamente o real. Assim, só é possível manter a competitividade baseada no cambio desvalorizado se o governo tiver condições de manter a situação comprando cada vez mais dólares. Dada à escassez de poupança interna, o governo não pode proceder como a China e tem basicamente duas opções: ou emite títulos e os vende ao banco central para usar esses reais para comprar dólares (insustentável pois o real não é moeda de reserva e a inflação seria brutal) ou arcar com os altíssimos custos fiscais de emprestar do público para comprar os dólares extras (o que vem fazendo hj, mas os custos de carregar reservas é brutal dado a grande diferenças entre os juros internos e aqueles recebidos nas melhores opções de esterilização). As outras tentativas de manter o real desvalorizado não passam de enxugar gelo. Enquanto os grandes BCs não terminarem o QE e os nossos juros não diminuírem a valorização não vai melhorar. Além de tudo, desvalorizar o câmbio diminui a riqueza real do país, uma vez que parte dessa tem a ver com o poder de compra do brasileiro em termos de produtos importados. Da mesma forma, impor tarifas às importações também não funciona, basicamente, por três motivos: como sustenta o teorema da assimetria de Lerner, em prazos longos, tarifas às importações são equivalentes às tarifas sobre exportações, pois o valor das importações se iguala ao valor das exportações (não faz sentido ter balança positiva eternamente e balança negativa muito menos); taxar importações não melhora nossa competividade em outros mercados (não podemos impedir os italianos de comprarem sapatos chineses para que comprem os nossos); colocar impostos diminui a competição e os incentivos às empresas nacionais para inovar e aumentar eficiência e produtividade. Este último ponto é muito claro para mim, não acho que a proteção para indústria nacional funcione de forma positiva. Muita gente parece acreditar que sim. Não q eu ache a situação da indústria nacional seja boa. Eu sei que o cambio é um sério problema. No entanto, vejo uma solução diferente. Cortar impostos da folha de pagamento pode ser uma saída enquanto as reformas e o investimento em infraestrutura e inovação não vêm (ideia do seu odiado Samuel Pessoa). Mas o governo precisaria cortar gastos também, do contrário teria que aumentar a divida (efeitos de crowding out, juros subiriam e atraíra ainda mais dólares) ou aumentar impostos (ruim também). As reformas são extremamente necessárias. Apenas não acredito nenhum pouco na capacidade do governo em coordenar as atividades produtivas. Resumidamente, eu não acredito que os formuladores de politica econômica são deuses na terra, isto é, são completamente racionais e detêm toda a informação necessária sobre todos os setores da economia e, assim, sabem exatamente quanto dinheiro precisa ser investido em cada projeto, em cada setor, tem uma capacidade de cognição infinita que os permite coordenar todos os projetos simultaneamente e o pior, o que os formuladores são isentos de qualquer propensão à corrupção e incapazes se utilizar as ferramentas que possuem para garantir popularidade e ganhar a próxima eleição (qualquer semelhança com os argumentos de Hazlitt não é nem de longe mera coincidência)

Uma estratégia de desenvolvimento.

Economistas heterodoxos não se cansam de argumentar que precisamos de uma estratégia de desenvolvimento....
Pois bem, aqui vai a minha estratégia de desenvolvimento. O encontro anual da AKB está para acontecer e o governo deveria financiar tal encontro em navio luxuoso com direito a uma parada em uma ilha paradisíaca e deserta no Caribe (aposto que eles iriam adorar tal estímulo). Seria ótimo para o desenvolvimento do país se todos akbistas fossem deixados em tal ilha para sempre.
Perfeito não é???!!! Duvido que alguém tenha melhor estratégia que essa!!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

As novas metas por Pedro Ferreira e Renato Fragelli.

Desde meados de 2011, uma nova política econômica vem sendo implantada, afastando-se do bem-sucedido tripé formado pela meta de inflação, câmbio flexível e meta de superávit primário que vigorou desde 1999. A mudança iniciou-se com reduções mais arrojadas da taxa Selic, que passou de 12,5% ao ano para os atuais 9%, mesmo diante de um consenso de mercado de que o centro da meta (4,5%) não seria alcançado. Na política cambial, a fim de se forçar a desvalorização do real, elevou-se o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de capitais para 6%, reduzindo-se a atratividade de aplicações em moeda doméstica, bem como intensificaram-se as compras de reservas pelo Banco Central. A novidade mais recente na política econômica foi a pressão do Planalto sobre os bancos estatais para reduzirem suas taxas de empréstimos. Do antigo tripé, somente o superávit primário de 3% do PIB parece ainda subsistir, embora sua obtenção dependa crescentemente de receitas extraordinárias e até imaginárias, como depósitos judiciais ainda pendentes de deliberação final da Justiça. Num momento em que a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) patina, devendo ficar abaixo de 3% em 2012, o objetivo da política de juros adotada é incentivar o consumo e o investimento. Embora não seja uma taxa baixa frente à experiência recente, está muito aquém do desejo do governo que ainda sonha com os 4,4% ao ano que caracterizaram em média os anos de bonança do governo Lula. Para isto ele empenha todas as armas de seu arsenal. Até o momento, a agressiva redução da taxa Selic não comprometeu o controle da inflação, embora as previsões para 2013 sejam menos otimistas. Mas o fato de as taxas de juros reais de longo prazo terem também caído abaixo de 5% ao ano indica alguma confiança em que o país caminha para taxas reais de equilíbrio permanentemente mais baixas. Do antigo tripé macroeconômico somente o superávit primário de 3% do PIB parece ainda subsistir A utilização dos bancos públicos para liderar a redução dos juros sobre empréstimos pode ser entendida como uma tentativa de empurrar um mercado oligopolizado na direção de um comportamento mais competitivo. Em princípio, quando dois grandes players, como a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco do Brasil (BB), baixam coordenadamente suas taxas de empréstimos, pode-se potencialmente gerar um novo equilíbrio com spreads bancários mais baixos. Em que pese o fato de a estratégia prejudicar os acionistas privados do Banco do Brasil, cumpre reconhecer que bancos públicos não deveriam se comportar como os privados que se guiam pela maximização de lucros, mas ter como objetivo maximizar o bem-estar da sociedade. Se a manobra for bem-sucedida, os ganhos para a sociedade podem suplantar as perdas. Mas a agressiva ênfase na redução das taxas de juros envolve riscos. Até o final de 2010, a política monetária tinha como objetivo coordenar as expectativas inflacionárias. Choques de oferta desviavam temporariamente as expectativas inflacionárias de curto prazo do centro da meta, mas a credibilidade do Banco Central era evidenciada pelo fato de as previsões com prazo mais extenso se situarem em torno de 4,5% ao ano. A nova política econômica aparentemente definiu novos parâmetros: uma meta para a taxa nominal de câmbio - será que R$ 2,00 satisfaz os industriais? - e outra para a taxa de juros de empréstimos bancários, enquanto o Banco Central parece considerar a sua tarefa cumprida quando a taxa de inflação não supera 6,5% ao ano, isto é, o topo da meta. Quem hoje crê que a inflação dos próximos 36 meses ou 48 meses ficará em 4,5% ao ano? A previsão mais popular está algo em torno de 5,5%. Este cenário poderá levar os agentes econômicos a tomarem medidas mais defensivas (por exemplo, maiores reajustes de preços) frente a aumentos futuros da incerteza econômica, o que elevará consideravelmente o custo das políticas anti-inflacionárias. Há perigos também no uso dos bancos públicos para redução dos juros. A CEF já carrega em seu portfólio 100% dos empréstimos imobiliários à baixa renda. São devedores de alto risco. Além disso, a expansão agressiva do crédito durante a crise de 2008 necessariamente implica em devedores selecionados com menos cautela. A preservação dos spreads, apesar da queda da taxa Selic, bem como o aumento recente da inadimplência bancária, são sintomas de que a qualidade da carteira do sistema bancário piorou. Mesmo baixando suas taxas de empréstimos, os bancos privados terão uma seletividade maior que os públicos. Estes tendem a ficar com os tomadores mais arriscados. Qualquer choque negativo implicará em aumento adicional da inadimplência e no abalo da saúde financeira da Caixa e BB. Como o governo não vai permitir que eles quebrem, ou mesmo que cheguem perto disto, pode-se prever no futuro vultosos aportes do Tesouro a esses bancos. Isto já ocorreu no passado e a conta para os contribuintes foi sempre salgada. O elevado crescimento dos anos Lula resultou parcialmente da combinação das reformas implantadas por FHC com os termos de troca favoráveis ao Brasil. Esses frutos já foram colhidos. Desde a interrupção das reformas institucionais desencadeada pela crise do mensalão, a única mudança significativa implantada pelo governo PT foi o fundo de pensão dos servidores, mesmo assim somente para novos servidores. Não será mudando o que deu certo desde 1999, e arranhando a credibilidade do Banco Central que o crescimento estável será alcançado. Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli Cardoso são professores da pós-graduação da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (EPGE-FGV).

Europa - Entre Aspas Globo News.

Vejam aqui.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Homenagem a Van Nistelrooy.

Infelizmente, o segundo melhor centro avante que vi jogar(o melhor foi o Ronaldo) decidiu se aposentar nesta temporada. Ruud van Nistelrooy foi um matador nato, com incrível precisão na finalização e muita técnica.
Seguem dois vídeos em homenagem ao grande atacande holandês.
Ninguém finaliza melhor do que Nistelrooy.
Aproveito também para agradecer, ganhei infinitos jogos no WE e no PES com gols de Van Nistelrooy!

A agonia da Grécia por Celso Ming.

Leiam aqui.

sábado, 12 de maio de 2012

Central Bankers under Siege por Raghuram Rajan.

Muito interessante.

Outra mensagem aos meus amigos comunistas.

Os dormem-sujos socialistas sempre soltam orgulhosos perdigotos para afirmar como a revolução cubana foi benéfica para o povo da ilha presídio. Qualquer pessoa séria sempre soube que isso era mentira, pois bem, para aqueles que ainda são crédulos, recomendo a leitura deste trabalho. Só uma passagem de aperitivo:
We examine Cuban GDP over time and across space. We find that Cuba was once a prosperous middle-income economy. On the eve of the revolution, incomes were 50 to 60 percent of European levels. They were among the highest in Latin America at about 30 percent of the United States. In relative terms, Cuba was richer earlier on. Income per capita during the 1920s was in striking distance of Western Europe and the Southern United States. After the revolution, Cuba slipped down the world income distribution. Current levels of income per capita appear below their pre-revolutionary peaks.

Sinais de desarrumação por Celso Ming.

Há algumas semanas a economia brasileira vem passando certos sinais de desarrumação. Não dá mais, por exemplo, para continuar afirmando que a inflação não é problema. O avanço do IPCA de abril, de nada menos que 0,64% (foi de 0,21% em março), e, mais do que isso, o nível de difusão dessa alta (63%) mostram que ela não pode ser atribuída apenas à estocada dos preços dos cigarros – como sugeriu nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A primeira prévia do IGP-M de maio também apontou uma guinada forte dos preços no atacado (de 1,15%). E, como o atacado de hoje tende a ser o varejo de amanhã, em consequência desse fator alguma inflação adicional está encomendada. A força das remarcações no atacado, por sua vez, reflete em alguma medida a escalada das cotações do dólar no câmbio interno, de 6,5% nas últimas cinco semanas, induzidas por ação do Banco Central. A ânsia por puxar pela desvalorização do real parece ter impedido o governo Dilma de entender que, nos dois últimos anos, a indústria ficou muito mais dependente das importações. Para enfrentar custos crescentes dos fatores de produção, sobretudo da mão de obra, o setor industrial recorreu mais pesadamente às importações de matérias-primas, insumos, peças e conjuntos. A alta do dólar no câmbio interno criou um custo adicional de produção que está sendo repassado quase automaticamente para os preços finais. Essa nova alta de preços vai sendo desenhada num ambiente em que o consumo cresce entre 5% e 6% ao ano sem contrapartida da atividade econômica, que vai ficando para trás. Por falar nisso, a presidente Dilma enfrenta agora a perspectiva de não poder entregar, pelo segundo ano consecutivo, o crescimento econômico anual prometido, desta vez entre 4,0% e 4,5%. O discurso oficial ainda conta com essas projeções. Mas o mercado, consultado semanalmente pelo Banco Central por meio de sua Pesquisa Focus (que atinge cerca de 100 instituições), já trabalha com crescimento do PIB para 2012 de só 3,2%. Mas um punhado de analistas passou a projetar números inferiores a 3,0%. O mau desempenho da indústria, reafirmado por um punhado de estatísticas de origens diversas, parece confirmar essa percepção. Em outras palavras, o comportamento insatisfatório do setor produtivo vai mostrando os limites da atual política econômica voluntarista da presidente Dilma, construída com sucessão de puxadinhos e expedientes improvisados. Parece mais difícil agora esticar a alta do dólar e derrubar os juros para elevar a competitividade da indústria. Essa desarrumação foi enfaticamente desmentida pelo ministro Guido Mantega nesta quinta. Mas está cada vez mais difícil confiar nas declarações dele, ultimamente contrariadas pelos fatos. O último objeto dos reiterados desmentidos do ministro foram as mudanças nas cadernetas. Mantega argumentava que não havia o que alterar nas regras das cadernetas, porque não detectara migração significativa de aplicações dos fundos de renda fixa para elas. Agora, insiste em que a alta do dólar no câmbio interno não provoca inflação relevante. Tomara que o ministro esteja certo e que, no final deste ano, possa comemorar um crescimento do PIB de ao menos 4,5%. CONFIRA A saída é emitir moeda. O banco central da Holanda divulgou nesta quinta-feira uma análise sombria da economia europeia. Embora seja uma das instituições mais ortodoxas do Continente, sugeriu que o Banco Central Europeu “atue agressivamente para impedir eventual deflação”. É um outro jeito de pedir emissões de moeda para salvar Estados endividados. O risco, diz o relatório, é o de a Europa mergulhar numa estagnação de longo prazo, parecida com a enfrentada pelo Japão.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Debating Stimulus and Harvard and Stanford por John Taylor.

Larry Summers and I debated “Did Fiscal Stimulus Help the Economy?” at Harvard this week. There was no video streaming or recording, and I will not try to summarize the back and forth (which the overflow crowd seemed to enjoy), but here is a summary of things I said in my opening remarks. There will be a follow-up debate at Stanford on April 4 which will be recorded. The issue we are debating today is central to economic policy. It’s an issue where there‘s obviously a great deal of disagreement. Students want to know why there’s disagreement, and the point-counterpoint of debate is an important way to learn. So I thank Harvard for sponsoring this debate, and I thank you all for coming. I have been doing a lot of empirical research on the impact of discretionary Keynesian stimulus packages—the temporary and targeted packages intended to counter recessions and jump-start the economy by increasing government purchases, transfer payments, or tax rebates. I don’t find convincing empirical evidence that they helped the economy, or that they increased economic growth in any significant or sustained way. In fact, by increasing unpredictability about policy and by raising uncertainty about increased deficits and debt, they are likely to have harmed the economy. Let me start with a few points of clarification: First, I want to emphasize that I not saying that permanent or long-lasting changes in fiscal policy, such as tax reforms that lower marginal tax rates, cannot help the economy, or that the automatic stabilizers are ineffective. This debate focusses on temporary discretionary fiscal stimulus packages. Second, I am not objecting to certain features of macroeconomic theory that are sometimes labeled Keynesian, such as that wages and prices are sticky, or that aggregate demand has a role in short run fluctuations, or even that people’s expectations matter, though I would emphasize that expectations have important rational characteristics. For me such complications—which I have been researching for many years—suggest the need for fewer discretionary policy actions and more systematic rule-like ones. Third, I take a longer perspective than the February 2009 stimulus package and the related cash for clunkers and first time home buyer programs. There were also fiscal stimulus packages in 2008 and 2001, as well as in the 1970s. The basic idea behind Keynesian stimulus packages is presented in basic college courses: A shift down in aggregate expenditures can be countered by increasing government purchases—augmented by possible multiplier effects—which shift up aggregate expenditures and fill the “gap.” Temporary changes in tax payments and transfers work the same way except that increased consumption is supposed to fill the gap. Estimated macro models used for policy evaluation—whether old Keynesian or new Keynesian—have this basic mechanism built into them. However, they differ greatly in their predictions of the policy impact because of different assumptions about expectations, the marginal propensity to consume, the speed of price adjustment, and crowding out of other spending. For example, Christina Romer and Jared Bernstein used old Keynesian models to predict the effect of the stimulus package of 2009 before it was implemented. They predicted large effects of the package with multipliers around 1.5. In contrast, in research with John Cogan, Volker Wieland and Tobias Cwik, I used a new Keynesian model to predict the effects of the 2009 stimulus. We predicted a much smaller effect, with multipliers averaging 0.5, even less when you include transfer payments. The problem with using these existing macro models to answer the question of this debate “Did fiscal stimulus help the economy?” is that they will simply repeat the same prediction story over and over again. You learn virtually nothing if you use the same models to evaluate the impact that you used to predict the impact. So it is necessary to look at what actually happened, to look at the changes in aggregate consumption or GDP due to the stimulus packages, and that is what I have done. For the parts of the packages which include temporary tax rebates or temporary tax cuts I find no significant consumption effect using regression analysis and controlling for other factors that affect consumption. If you look at a chart of the tax rebates in 2008, for example, the evidence is striking: There was a big increase in personal disposable income at the time of the rebate, but no similar change in consumption. This is exactly what the permanent income or life cycle theories of Milton Friedman and Franco Modigliani tell us. People largely saved the injection of cash. The same thing is true for the 2001 and 2009 stimulus packages. In the case of the 2009 stimulus package, there was also an attempt to increase significantly government purchases of goods and services. But the evidence is that this attempt largely failed. A special satellite account produced by the Bureau of Economic Analysis shows that federal infrastructure investment—at the peak quarter—increased by only .05 percent of GDP as a result of the stimulus and federal government consumption by only .14 percent. While state and local governments received substantial grants under the 2009 stimulus, a statistical analysis by John Cogan and me shows that they did not use these grants to increase their purchases of goods and services as many had predicted. Instead they reduced net borrowing and increased transfer payments. Even with balanced budget laws, state and local governments can borrow for infrastructure, and they borrowed less on a net basis during the stimulus period, while they put additional funds into financial assets. So when you look at what actually happened, you find that the stimulus packages in recent years did not help the economy; they did not significantly increase aggregate expenditures as the simple rationale for such Keynesian interventions suggests. Remarkably, economists found the same ineffectiveness when similar policies were tried and evaluated in the 1970s including a temporary tax rebate in the Ford Administration and stimulus grants to the states in the Carter administration. After studying the 1975 rebate, Ford’s own Council of Economic Advisers (I was on the staff) concluded that: “Tax reduction should be permanent rather than in the form of a temporary rebate,” and research by Ned Gramlich on the Carter stimulus grants to the states showed that they were not effective. By the end of the terribly performing 1970s, Robert Lucas and Thomas Sargent wrote their famous paper “After Keynesian Macroeconomics” and macro policy switched away from the focus such temporary fiscal stimulus packages. Not surprisingly, in my view, economic performance improved greatly for more than two decades. It is too bad we had to go through the recent revival of these ineffective policies to relearn what was known thirty years ago.

What the Austrian Business Cycle Theory Can and Cannot Explain por Steve Horwtiz

Lars Christensen's post on Rothbard's America's Great Depression over at Market Monetarist serves as a useful reminder about what the Austrian cycle theory can and cannot do. Christensen takes issue, as others have over the years, with Rothbard's interpretation of monetary policy in the 1920s. Lars argues that, at best, one could claim that only the period 1925-27 involved any sort of inflation and that the length and degree of that expansionary policy was surely not enough to explain the disaster that followed in 1929. This, along with some other points he raises, leads him to some deep skepticism about the Austrian cycle theory. Rather than address all of his criticisms, I want to raise one point that I made in the comments over there. Both critics and adherents of the ABCT misunderstand it if they think it is some sort of comprehensive theory of the boom, breaking point, and length/depth of the bust. It isn't. As Roger Garrison has long insisted, the theory by itself is a theory of the unsustainable boom. It is a theory that explains why driving the market rate of interest below the natural rate through expansionary monetary policy produces a boom that contains endogenous processes that will cause that boom to turn to a bust. Again, it's a theory of the unsustainable boom. ABCT tells us nothing about exactly when the boom will break and the precise factors that will cause it. The theory claims that eventually costs will rise in such a way that make it clear that the longer-term production processes falsely induced by the boom will not be profitable, leading to their abandonment. But it says nothing about which projects will be undertaken in which markets and which costs (other than perhaps the loan rate) will rise, and it tells us nothing about the timing of those events. We know it has to happen, but the where and when are unique, not typical, features of business cycles. Once the turning point is reached, ABCT tells us little to nothing about how the bust will play out. Yes, we know that further inflation and interventionist attempts to prevent the necessary reallocation of resources will make matters worse, but the theory by itself doesn't tell us a priori how this will play out in any given historical circumstance. The ABCT is not a theory of the causes of the length and depth of recessions/depressions, but a theory of the unsustainable boom. To turn to Christensen's particular example: the ABCT cannot explain the entirety of the Great Depression. It simply can't. And adherents of theory who make the claim that it can are not doing the theory any favors. What ABCT can explain (at least potentially, if the data support it) is why there was a recession at all in 1929. It argues that it was the result of an unsustainable boom initiated by an excess supply of money at some point in the 1920s. Yes, the bigger the boom, cet. par., the worse the bust, but even that doesn't tell us much. Once the turning point is reached, there's not a lot that ABCT can say other than to let the healing process unfold unimpeded. In the context of the Great Depression, one has to invoke other theories to explain why the bust, whose onset the ABCT explains, became so deep and so long. And that is where Friedman and Schwartz's work on the 1929-33 period along with awful policies of the Hoover administration, ably documented by Rothbard in AGD and updated in this Cato piece of mine from last year, are required to explain why things got so bad so quickly. These are not parts of the ABCT; they are additional theoretical devices that help us explain the historical evidence. We can also make use of other work to explain the length of the Great Depression, especially Bob Higgs' work on "regime uncertainty" and other analyses of the interventionism of the FDR era. These can explain why even a recession as deep as the one exacerbated by Hoover and the Fed became a decade-long Great Depression. Here too, these are not Austrian Business Cycle Theory but other devices we need. The same can be said of the most recent boom and bust, where ABCT can help us explain why the boom was unsustainable and necessitated a bust, but it cannot, by itself, explain why the housing market was front and center and why it turned into a financial crisis as well. Nor can it explain the lingering slow recovery in and of itself. Note that if the ABCT is a theory of the unsustainable boom, then a recession caused by other factors would not invalidate the ABCT - e.g. a monetary deflation that brings on a recession would not invalidate ABCT. In language that O'Driscoll and Rizzo gave us a few decades ago, the ABCT can explain the typical features of the unsustainable boom, but the unique features require auxiliary theoretical devices along with good, close empirical work to understand all of the institutional factors in play during the cycle in question. (See my papers with Gene Callahan and Will Luther for more on ABCT and the Great Recession. Those have both since been published.) Friends of ABCT do it no favors when they argue that it is a comprehensive explanation of "the Great Depression" or anything else. It isn't. It also opens the theory up to the sorts of criticisms that Christensen offers. The ABCT is very valuable for explaining what it purports to explain: why excess supplies of money will lead to an unsustainable boom characterized by malinvestment in long-term interest-sensitive production processes. Mises and Hayek and others developed the theory precisely because that sort of boom was typical of those seen in the late 19th and early 20th century. But it remains a theory of the unsustainable boom. Explaining the unique features of booms and why busts are more or less deep or more or less long, however, requires that we bring other theories into the story to complement the ABCT. Keeping our claims about the explanatory power of the ABCT to a level of modesty consistent with what the theory can and cannot do is both good economics and a good way to protect it from unjustified criticism.

Cigarrinho maldito.

Leiam a opinião do Mantega sobre a inflação. Nada a ver com a política fiscal e política monetária heterodoxa.

Cuidado com a “escada do desenvolvimento” por Mansueto Almeida.

Quem chutou a escada do desenvolvimento? Foi algum “gringo rico” ou foi um brasileiro? Acabei de receber o power point da apresentação do professor Ha-Joon Chang na FIESP na terça-feira desta semana. É uma apresentação de 33 slides com a defesa de várias teses polêmicas, muitas das quais sugerem, a meu ver, implicações equivocadas. O leitor tem uma clara e nítida impressão que o Brasil de hoje é pior do que o Brasil dos anos 70. Por que? Bom, porque a participação da indústria no PIB caiu e, assim, estamos condenados a ser um país de segunda classe se não modificarmos, radicalmente, a nossa política macroeconômica e “salvarmos a indústria”. Pergunto ao leitor. O Brasil seria um país melhor hoje se a participação da indústria no PIB fosse de 23% e não de 14,6% do PIB? Acho impossível ter resposta para esse pergunta sem o uso (abusivo) de hipóteses heróicas. As comparações com a Coreia são interessantes, mas passa a impressão que se tivéssemos feito o “dever de casa” – incentivado a produção e exportação de produtos de elevado conteúdo tecnológico- seríamos hoje o país do “presente” e não o país do futuro. Neste caso, não consigo entender porque Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Itália, Chile, etc. que não são grandes exportadores de eletrônicos conseguiram se desenvolver. Na opinião do professor Ha-Joon Chang, o Brasil passa por um claro processo de desindustrialização e o nosso erro comparado com a Coreia foi que:
“Korea has a broad range of world-class industries (e.g., semiconductors, display, mobile phones, shipbuilding, automobile, steel) and high innovative capabilities (no. 3 in the world, after Japan and Taiwan, in terms of the number of US patents acquired per year per capita); Brazil has great industrial potentials, but has achieved world class only in a few limited areas (EMBRAER and Petrobras) and, more importantly for the longer term, does not have high innovation capabilities.”
Em nenhum momento ao longo da apresentação (o que não é surpresa) se fala de duas coisas fundamentais do crescimento coreano, além é claro da política industrial: (1) a reforma agrária no país, o que significa que a Coreia fez política industrial partindo de uma desigualdade de renda muito menor que o Brasil; e (2) o esforço de investimento em educação em conjunto com o esforço de política industrial. Há várias coisas interessantes na apresentação, mas o que discordo dele é achar que um país com tanta riqueza em produtos naturais precisaria seguir o modelo coreano e ser um grande exportador de produtos manufaturados. A propósito, hoje a exportação de produtos primários como “soja” tem por trás anos de pesquisa e inovação. Se você duvida disso, sugiro visitar a Embrapa. Queremos promover a indústria? Claro é bom para o crescimento da economia de um país ter uma indústria inovadora e competitiva. Mas dessa afirmação tirar a conclusão que precisamos ter uma meta de participação da indústria no PIB ou de “manufacturing value added per capita” é um pouco demais. Por fim, na conclusão de sua apresentação o economista fala que: “Brazil needs to arrest its industrial decline. In the short run, this requires a radical change in macroeconomic policy, but in the longer run, Brazil’s industrial renaissance cannot be engineered without a new, more aggressive industrial policy. Without these policy changes, Brazil’s will forever remain the country of tomorrow.” OK, mas exatamente qual tipo de política industrial? Promover grandes empresas em setores que já somos competitivos ou promover mais inovação? Proteger mais o mercado para permitir que empresas domésticas aumentem o preço dos seus produtos (e logo mais inflação) ou aumentar a concorrência e reduzir a carga tributária do setor industrial? Promover grandes empresas ou ofertar bens públicos (melhores portos) para várias empresas? O termo política industrial é um termo elusivo; serve tanto para justificar uma montanha de dinheiro para empresas que não precisam de política industrial como para caracterizar incentivos à inovação. No mais, o que atrapalha o crescimento do Brasil não é a falta de uma indústria de semicondutores ou o fato de não sermos um grande exportador de eletrônicos, mas a baixa poupança, baixo investimento público, elevada carga tributária, excesso de regras e um ambiente de negócios não muito favorável ao empreendedorismo. O problema do nosso crescimento não é que os “gringos” estão chutando a escada, mas que temos um mix de políticas que não favorece ao crescimento mais rápido – embora essas políticas tenham, por enquanto, resultado na redução da pobreza e na desigualdade. Quem definiu a carga tributária e o mix de gasto público com baixo investimento público no Brasil? Foi a sociedade brasileira por meio de seus representantes eleitos de forma legítima ou os gringos? Não foram os gringos que chutaram nossa escada, fomos nós mesmos e o fato de não crescermos mais rápido talvez não tenha a ver com o argumento da indústria nascente, menor proteção ou de ganhos de escala; i.e talvez não tenha a ver com chutar a escada, como defende o professor Ha-Joon Chang. E insistir nessa agenda protecionista pode nos levar a uma outra escada famosa, aquela ao lado, em Georgetown (MD) nos EUA, do filme “O Exorcista”, no qual a escada está ligada à morte e não ao crescimento.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Acemoglu e Robinson sobre a hipótese da geografia.

Parte 1. Parte 2. Parte 3. Parte 4.
Ainda continuo com a tese do Diamond para explicar a natureza da riquezas das nações nos tempos antigos. Hoje em dia, geografia é praticamente irrelevante para explicar os padrões de renda que vemos pelo mundo.