quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O que fazer para fomentar o desenvolvimento?

Gostei muito da séries de posts do Mansueto Almeida
Vejam abaixo:
Quem acompanha a literatura econômica pode ter certeza de uma coisa. Apesar do progresso na área de desenvolvimento econômico nas últimas três décadas e do maior conhecimento que hoje se tem sobre o que funciona e o que não funciona, os grandes economistas que estudam o assunto não conseguem ainda concordar no que fazer. Assim, como esperar que governos consigam avançar no fomento ao desenvolvimento se nem mesmo os melhores acadêmicos conseguem chegar a um consenso mínimo do que deve ser feito? Vamos ver como algumas das estrelas da ciência econômica e formadores de opinião na área de desenvolvimento econômico responderiam a pergunta acima. 1) Jeffrey Sachs (Columbia University) Os países são pobres porque estão mergulhados em uma armadilha da pobreza – investem pouco em educação porque o retorno do capital humano é baixo. E o retorno do capital humano é baixo porque falta oportunidade de emprego. Tudo isso leva a um circulo vicioso (baixo retorno do capital e baixos incentivos à educação e inovação) que poderia ser quebrado com a ajuda externa de organismos internacionais e países desenvolvidos. O problema de combater a pobreza e do estímulo ao crescimento seria resolvido com um “Big Push” – depois pensamos em incentivos. Instituições seriam secundárias e poderiam ser criadas ao longo do processo de crescimento, uma vez que a “armadilha da pobreza” seja quebrada. A pobreza existe porque a comunidade internacional aplica “pouco” dinheiro para combatê-la. Programas como as metas de desenvolvimento do milênio são bons e precisamos aumentar o compromisso com esse tipo de política. 2) William Easterly (New York University e ex-Banco Mundial) Os homens brancos vivem com um sentimento de culpa pela pobreza do mundo. Assim, eles tentam planejar como resolver os problemas dos pobres e dos países pobres, mas fazem um bocado de tolices ao tentar “planejar o desenvolvimento” e distorcem incentivos. No final, ditadores de países pobres recebem dinheiro da comunidade internacional, ficam mais ricos e a distribuição de redes para proteger crianças do mosquito transmissor da malária terminam como rede de pescar no barco de algum pescador no mar. A solução é reduzir os programas internacionais de combate à pobreza, aprimorar incentivos de mercados em cada país e avançar na abertura comercial para que cada país possa usufruir das vantagens comparativas. Crescimento é um processo complexo e não há receita única. Os burocratas mais atrapalham do que ajudam e Jeffrey Sachs é um grande utopista que deveria criticar a politica de proteção comercial e de subbsídos dos EUA ao invés de “ajudar os pobres”. O que devemos fazer para ajudar os mais pobres é incentivar abertura comercial, aprimorar os mecanimos de mercado e defender o término dos subsídio agrícolas dos EUA e da União Européia. A forma de combater pobreza é por meio do livro comércio com a inclusão de produtores de países pobres que hoje são prejudicados pelos subsídiso de países ricos. Essa é a única forma de combater a pobreza de forma sustentável: “more trade and less aid“. 3) Daron Acemoglu (MIT) e James Robinson (Harvard) Professor Daron Acemoglu (MIT) O que determina o crescimento de um país no longo-prazo são as instituições. Os países sabem exatamente o que fazer e o que não fazer, mas adotam politicas extrativas (e não inclusivas) porque há uma elite que se beneficia do crescimento concentrado (ou mesmo da falta dele). O governo não pode fazer muita coisa porque “o governo” faz parte desse equilíbrio, que é um equilíbrio estável – instituições politicas e econômicas extrativas se reforçam mutuamente e levam a um equilíbrio dinâmico estável. Professor James Robinson Como então os países fogem da armadilha de estar preso a um equilíbrio ruim: instituições extrativas, políticos corruptos, baixo incentivo à inovação, etc.? não há receita de bolo. Há janelas de oportunidades, como recentemente ocorreu com a primavera árabe, que trazem para o cenário político novos atores que podem alterar a correlação de forças em uma sociedade, dando inicio à formação de instituições políticas e econômicas mais inclusivas. O Brasil seria um bom exemplo dessa dinâmica de criar instituicões inclusivas não por uma revolução, mas de forma mais gradual com os avanços que o país logrou desde o fim do regime militar (isso está livro deles why nations fail). Crescimento de longo-prazo é um processo demorado e boas instituições não serão criadas de fora para dentro. Por mais bem intencionado que seja Jeffrey Sachs, tudo o que ele propõe é “wishful thinking” e não entendeu nada do que escrevemos no nosso livro “why nations fail”.
4) Abhijit Banerjee (MIT) e Esther Duflo (MIT). Nossos colegas são muito radicais. Eles todos podem contribuir com a solução para reduzir a pobreza e promover o crescimento, mas é preciso qualificar as teses deles com a metodologia de Randomized Evaluations-RE que os pesquisadores do “Poverty Action Lab” utilizam. Para melhorar as INSTITUIÇÕES (as regras do jogo de uma sociedade) tão destacadas pelo Daron Acemoglu, precisamos entender melhor as “instituições” no âmbito microeconômico, por exemplo, os programas de microcrédito, transferência de renda condicionada, programas de melhoria das escolas em comunidades pobres, projetos de esclarecimento nas vilas pobres para melhorar a governança local, programas de esclarecimento à população sobre os recursos transferidos para escola local, etc. Esses vários programas no âmbito microeconômico podem ser testados em várias regiões e países pobres e, se adequadamente avaliados (via Randomized Evaluations-RE), poderiam nos ensinar o que funciona e em quais condições. Esses programas locais são em geral baratos e os estudos que fazemos mostram que muitos deles melhoram o bem estar de comunidades pobres e, esse tipo de programa, se adotado em escala maior depois de adequadamente testado como se faz na indústria farmacêutica com novas drogas, poderiam melhorar as INSTITUIÇÕES. Neste caso, a solução macro do crescimento de longo prazo viria de projetos locais no qual a comunidade internacional poderia ajudar com recursos e avaliação (Sachs poderia ajudar). Mas incentivos são importantes e o desenho desses programas micro precisam levar em conta os incentivos de mercado (Easterly poderia ajudar). Por fim, podemos melhorar as INSTITUIÇÕES no âmbito macro a partir de projetos micro (instituições com letra minúscula) (Acemoglu e Robinson concordamos com vocês, mas janelas de oportunidades podem ser criadas). 5) Joseph Stiglitz (Columbia University) e Paul Krugman (Princeton University) Professor Joseph Stiglitz O mundo é uma droga com politicas erradas de países desenvolvidos que foram capturados pela elite do sistema financeiro. Os países em desenvolvimento confiaram demais no “Consenso de Washington” e adotaram politicas que dificultam o crescimento de longo prazo. A solução para o problema do crescimento passa, necessariamente, por políticas governamentais mais ativas que promovam o crescimento, fortaleça o papel dos sindicatos dos trabalhadores, aumentem a tributação sobre os mais ricos, aumente a rede de bem estar social, aumente a regulação do sistema financeiro, adoção de politicas industriais e fomento à inovação. Professor Paul Krugman O governo tem a força e precisamos apenas trazer para o poder as pessoas certas, aquela que estão dispostas a promover o crescimento inclusivo e não cair na armadilha do pessimismo dos economistas de Chicago. No caso dos EUA, se voltarmos ao mix de politicas que tinhamos no pós-guerra, podemos voltar a crescer novamente e pagar nosso imensa dívida. O problema do baixo crescimento dos EUA, por exemplo, é um problema político que resultou da captura do governo pelas elites e baixa mobilização dos trabalhadores. A crise decorreu da falta de regulação do governo e da perda de poder do eleitor mediano, um processo que teve início na primeira metade da década de 1970. 6) Dani Rodrik (Harvard) e Ricardo Hausmann (Harvard) professor Dani Rodrik Os países precisam experimentar e descobrir suas vantagens comparativas. Vantagens comparativas podem ser criadas e o governo tem um papel importante nesse processo de estimulo à descoberta do que pode ser produzido de forma eficiente em um país. O foco não é dar incentivos para o que já existe, mas incentivos para que novos empreendedores possam investir em novos setores ou produtos, com o Estado compartilhando o custo do fracasso. Esse processo de descoberta precisa ser subsidiado porque o retorno social é muito maior que o retorno privado e, assim, se não for subsidiado a sociedade vai investir pouco nesse processo de descoberta de novas atividades. Essa estratégia que advogamos pode complementar a estratégia do Banerjee e da sua turma do Poverty Action Lab – não são estratégias excludentes e espero que eles entendam dessa forma. professor Ricardo Hausmann Instituições são importantes. mas os países melhoram, gradualmente, suas instituições ao longo do processo de crescimento e “boas instituições” dependem do estágio de desenvolvimento de cada país. A China seria um bom exemplo desse processo de descoberta e melhoria institucional patrocinado pelo governo.O importante quando se fala de políticas de fomento ao crescimento e a setores produtivos é ter monitoramento, avaliação e regras de saída. Há espaço para “boas políticas industriais”. Mas o fato de defendermos politicas industriais não significa que sejamos a favor das loucuras que muitos países fazem e chamam de politica industrial. No caso específico do Brasil, já publiquei texto (Hausmann), em 2008, onde defendo que o Brasil já tem uma estrutura industrial diversificada e que o problema maior de vocês seria a baixa taxa de poupança doméstica.
É claro que a lista abaixo dos dois post anteriores não é exaustiva e apenas coloquei aqueles professores que mais aparecem no debate de desenvolvimento. Há um outro grupo grande de economistas que defenderia o básico: governo deve se preocupar com educação, segurança e direitos de propriedade. Para esses economistas, o que o governo pode fazer para promover o desenvolvimento é não atrapalhar o funcionamento do livre mercado, deixar o país explorar as vantagens comparativas que já tem, investir em educação e até dar incentivos para inovação. Mas nada de política industrial ou de programas voltados para “planejar o desenvolvimento”. Na visão desse grupo, desenvolvimento não pode ser planejado e quem tentou fazer isso se deu mal. Os exemplos de países que planejaram o desenvolvimento e tiveram sucesso são exceções que confirmam a regra (Easterly tem um bom texto sobre isso). O que fazer? Bom, todos os dias alguém me pergunta o que o governo deve fazer. Como é que vou saber se nem os economistas famosos concordam no que fazer e cada um fala mal do livro do outro? Para cada um dos economistas citados acima há uma legião de professores e profissionais em diversos órgãos internacionais que divulgam suas ideias e todos acham que têm a última solução para o problema do desenvolvimento. Pelo menos a turma do RE (Banerjee, Duflo e seguidores) tem uma vantagem: não sofrem do problema de megalomania apesar da tentação de alguns dos seus seguidores em generalizar experimentos que não podem ser generalizados – essa turma vai ainda suar muito para convencer que a metolodologia deles não sofre dos mesmos problemas tão criticados dos estudos de caso: vale apenas para o caso ou os casos analisados. Quer um conselho? Pergunte ao seu professor de economia favorito quem tem razão neste debate. Eu mesmo vou começar a perguntar aos meus amigos que estão na academia o que fazer para promover o crescimento. O problema é que já fiz isso uma vez e não houve consenso. Enquanto isso dois economistas velhinhos devem estar pensando…… Professor Albert O. Hirschman “Solow, muita gente me criticou por que não formalizei minhas ideias sobre desenvolvimento econômico e que sempre fui muito otimista com a América Latina. Mas depois de quase meio século de avanço na teoria, até que ponto esses jovens de fato avançaram na proposição de políticas públicas? e alguns deles continuam com essa fixação nos “obstáculos ao crescimento” que tanto critiquei na década de 60.” Professor Robert Solow “Hirschman, apesar de nossas diferenças de metodologia para estudar crescimento econômico, sempre houve um respeito mútuo. Sofri também várias criticas porque me acusaram de desenvolver um modelo no qual não conseguia explicar o principal fator por trás do crescimento de longo-prazo: o crescimento da produtividade que no meu modelo é um resíduo. Mas quando vejo a briga desses caras e as propostas deles me pergunto: no que extamente eles avançaram em relação ao meu modelo? É verdade que Lucas e Romer mostraram na década de 1980 que investimento em capital humano e inovação são importantes. “And so what”? como transformar essas descobertas em politicas públicas? Como o Estado deve fomentar inovação e de que forma inovação se tranforma em crescimento da produtividade total dos fatores (PTF) e crescimento de longo prazo? A relação causal é de inovação (variável exógena) para PTF ou que o aumento da taxa de investimento levaria a mais inovação (endógena) via learning-by-doing que afeta o progresso técnico?

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

John B. Taylor: Monetary Policy and the Next Crisis

At its annual meeting of the world's central bankers in Switzerland last week, the Bank for International Settlements—the central bank of central banks—warned about the harmful "side effects" of current monetary policies "in the major advanced economies" where "policy rates remain very low and central bank balance sheets continue to expand." These policies "have been fueling credit and asset price booms in some emerging economies," the BIS reported, noting the "significant negative repercussions" unwinding these booms will have on advanced economies. The BIS emphasizes the view that international capital flows stirred up by monetary policy were a primary factor leading to the preceding crisis and that these flows would lead to the next one. This is in stark contrast to the "global saving glut" hypothesis—which says that the funds pouring into the U.S. in the previous decade originated largely from the surplus of exports over imports in emerging market economies. The BIS should be taken seriously. It warned long in advance about the monetary excesses that led to the financial crisis of 2008. The capital-flow story starts during extended periods of low interest rates, as in the U.S. Federal Reserve's low rates from 2003 to 2005 and its current near-zero interest rate policy, which began in 2008 and is expected to last to 2014. These low interest rates cause investors to search elsewhere for yield, and they buy foreign securities—corporate as well as sovereign—for that reason. Global bond funds in the U.S. thus shift their portfolios to these higher-yielding foreign securities and investors move to funds that specialize in such securities. Low U.S. interest rates also encourage foreign firms to borrow in dollars rather than in local currency. U.S. branch offices of foreign banks play a key part in this process: As of 2009, U.S. branches of over 150 foreign banks had raised $645 billion to make loans in their home countries, making special use of U.S. money-market funds, where about one half of these funds' assets are liabilities of foreign banks. This increased flow of funds abroad—whether through direct securities purchases or through bank lending—puts upward pressure on the exchange rate in these countries, as the foreign firms sell their borrowed dollars and buy local currency to expand their operations and pay workers. That's when foreign central banks enter the story. Concerned about the negative impact of the appreciating currency on their country's exports or with the risky dollar borrowing of their firms, they respond in several ways. First, they impose restrictions on their firms' overseas borrowing or on foreigners investing in their country. But the differences in yield provide strong incentives for market participants to circumvent the restrictions. Second, central banks buy dollar assets, including mortgage-backed securities and U.S. Treasurys, to keep the value of their local currency from rising too much as against the dollar. One consequence of these purchases is a foreign government-induced bubble in U.S. securities markets, as we saw in mortgage markets leading up to the recent crisis, and as we may now be seeing in U.S. Treasurys. The flow of loans from the U.S. to foreign borrowers is effectively matched by a flow of funds by central banks back into the U.S. There is no change in the current account, and no role for the so-called savings glut. Third, in order to discourage the inflow of funds seeking higher yields—which would drive up the exchange rate of their own currency—foreign central banks hold their interest rates lower than would be appropriate for domestic economic stability. There is much statistical evidence for this policy response, and, when you roam the halls of the BIS and talk to central bankers, as I did last week, you get even more convincing anecdotal evidence. Call it the lemming effect: Central banks tend to follow each other's interest rates down. This is what happened in the lead up to the 2008 financial crisis, and it has helped fuel Europe's current debt crisis. In the 2003-2005 period, low interest rates led to a flow of funds into U.S. mortgage markets as foreign central banks bought dollars, aggravating the housing boom and the subsequent bust. Moreover, the European Central Bank's interest rate moves during 2003-2005 were influenced by the Fed's low rates. By my estimates, the interest rate set by the ECB was as much as two percentage points too low, which also had the effect of spurring housing booms in Greece, Ireland and Spain. Ironically, the European debt crisis, which originated in the booms and busts in Greece, Ireland and Spain, now has come around to threaten the U.S. economy. The Fed's current near-zero interest rate policy, designed to stimulate the U.S. economy, has made it harder for other central banks to combat credit and asset price booms. A group of 18 emerging market central banks—including Brazil, China, India, Mexico and Turkey—held their interest rates on average as much as five percentage points below widely used policy benchmarks—and global commodity prices doubled from 2009 to 2011, a boom rivaling the excesses leading up to the 2008 financial crisis. This global, loose monetary policy was likely a big factor pushing up commodity prices. The current sharp slowdown in most emerging markets coincides with an inevitable bust of this easy-money induced boom, and the decline of foreign demand for American goods is now feeding back to the U.S. economy. The Fed needs to pay closer attention to global capital flows and the reactions of other central banks to its decision to set interest rates very low for long periods of time. This does not mean taking one's eye off the U.S. economy, but rather preventing booms and busts abroad from slowing growth at home precisely when we need it most. Mr. Taylor, a professor of economics at Stanford University and a senior fellow at the Hoover Institution, is the author of "First Principles: Five Keys to Restoring America's Prosperity (Norton, 2012).

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Barro on Keynesian Economics vs. Regular Economics

Readers of this blog may have guessed by now that I am not a fan of The Wall Street Journal editorial page. (Actually that is not entirely true. The Journal editorial page is my go-to source of material whenever I am looking for something to write about on the blog. So the truth is that I am deeply indebted and eternally grateful to the Journal.) But I have to admit that even I was not quite prepared for Robert Barro’s offering in today’s Journal. You don’t have to be a Keynesian economist – and I have never counted myself as one – to find Barro’s piece, well, let’s just say, strange. Barro is certainly more sophisticated than Stephen Moore who, having discovered, 75 years after Keynes wrote the General Theory, that Keynesian economics defies common sense, tried and failed to apply the coup de grace to Keynesian economics. Employing a variation on Moore’s theme, Barro, with a good deal more sophistication than Moore, draws the contrast not between Keynesian economics and common sense but between Keynesian economics and regular economics. Regular economics is the economics of scarcity and tradeoffs in which there is no such thing as a free lunch, in which to get something you have to give up something else. Keynesian economics on the other hand is the economics of the multiplier in which government spending not only doesn’t come at the expense of private sector spending, amazingly it increases private sector spending. Barro throws up his hands in astonishment: If [the Keynesian multiplier were] valid, this result would be truly miraculous. The recipients of food stamps get, say, $1 billion but they are not the only ones who benefit. Another $1 billion appears that can make the rest of society better off. Unlike the trade-off in regular economics, that extra $1 billion is the ultimate free lunch. Quickly composing himself, Barro continues: How can it be right? Where was the market failure that allowed the government to improve things just by borrowing money and giving it to people? Keynes in his “General Theory” (1936), was not so good at explaining why this worked, and subsequent generations of Keynesian economists (including my own youthful efforts) have not been more successful. Nice rhetorical touch, that bit of faux self-deprecation, referring to his own fruitless youthful efforts. But the real message is: “I’m older and wiser now, so trust me, the multiplier is a scam.” But wait a second. What does Barro mean by his query: “Where was the market failure that allowed the government to improve things just by borrowing money and giving it to people?” Where is the market failure? Hello. Real GDP is at least 10% below its long-run growth trend, the unemployment rate has been hovering between 9 and 10% for over two years, and Professor Barro can’t identify any market failure? Or does Professor Barro, like many real-business cycle theorists (say, Charles Plosser, for instance?), believe that fluctuations in output and employment are optimal adjustments to productivity shocks involving intertemporal substitution of leisure for labor during periods of relatively low productivity? Perhaps that is what Barro thinks now, which would be interesting to know if it were the case, but about two and a half years ago, writing another op-ed piece for the Journal, Barro had a slightly different take on what is going on during a depression. [A] simple Keynesian macroeconomic model implicitly assumes that the government is better than the private market at marshalling idle resources to produce useful stuff. Unemployed labor and capital can be utilized at essentially zero social cost, but the private market is somehow unable to figure any of this out. In other words, there is something wrong with the price system. John Maynard Keynes thought that the problem lay with wages and prices that were stuck at excessive levels. But this problem could be readily fixed by expansionary monetary policy, enough of which will mean that wages and prices do not have to fall. So in January 2009, Barro was at least willing to entertain the possibility that some kind of obstacle to necessary price and wage reductions might be responsible for the failure of markets to generate a spontaneous recovery from a recession, so that a sufficient monetary expansion could provide a cure for this problem by making wage-and-price reductions unnecessary. But if that is what Barro believed (and perhaps still believes), it would be interesting to know if he thinks that monetary expansion, which, after all, can be accomplished at very little cost in terms of resources or foregone output is not somehow inconsistent with his conception of regular economics. I mean you print up worthless peices of paper and, poof, all of a sudden all that output that private markets couldn’t produce gets produced, and all those workers that private markets couldn’t employ get employed. In Professor Barro’s own words, How can that be right? But let us assume that Professor Barro, obviously a very, very clever fellow, has an answer to that question, so that trying to increase output and employment by printing up and distributing worthless pieces of paper is not at odds with regular economics, while trying to do so by government spending – quintessential Keynesian economics – must therefore contradict regular economics. Well, then, let’s ask ourselves how is it that monetary expansion works according to regular economics? People get additional pieces of paper; they have already been holding pieces of paper, and don’t want to hold any more paper. Instead they start spending to get rid of the the extra pieces of paper, but what one person spends another person receives, so in the aggregate they cannot reduce their holdings of paper as intended until the total amount of spending has increased sufficiently to raise prices or incomes to the point where everyone is content to hold the amount of paper in existence. So the mechanism by which monetary expansion works is by creating an excess supply of money over the demand. Well, let’s now think about how government spending works. What happens when the government spends money in a depression? It borrows money from people who are holding a lot money but are willing to part with it for a bond promising a very low interest rate. When the interest rate is that low, people with a lot cash are essentially indifferent between holding cash and holding government bonds. The government turns around and spends the money buying stuff from or just giving it to people. As opposed to the people from whom the government borrowed the money, a lot of the people who now receive the money will not want to just hold the money. So the government borrowing and spending can be thought of as a way to take cash from people who were willing to hold all the money that they held (or more) giving the money to people already holding as much money as they want and would spend any additional money that they received. In other words, i.e., in terms of the demand to hold money versus the supply of money, the government is cleverly shifting money away from people who are indifferent between holding money and bonds and giving the money to people who are already holding as much money as they want to. So without actually printing additional money, the government is creating an excess supply of money, thereby increasing spending, a process that continues until income and spending rise to a level at which the public is once again willing to hold the amount of money in existence. Now I am not saying that the two approaches, monetary expansion via printing money and government spending by borrowing, are exactly equivalent. But I am saying that they are close enough so that if restoring full employment by printing money does not contradict regular economics, I have trouble seeing why restoring full employment by borrowing and government spending does contradict regular economics. But I am sure that Professor Barro, very, very clever fellow that he is, will clear all this up for us in due course, perhaps in a future op-ed in my go-to paper.

Government Spending Is No Free Lunch - By Robert Barro

Back in the 1980s, many commentators ridiculed as voodoo economics the extreme supply-side view that across-the-board cuts in income-tax rates might raise overall tax revenues. Now we have the extreme demand-side view that the so-called "multiplier" effect of government spending on economic output is greater than one -- Team Obama is reportedly using a number around 1.5. To think about what this means, first assume that the multiplier was 1.0. In this case, an increase by one unit in government purchases and, thereby, in the aggregate demand for goods would lead to an increase by one unit in real gross domestic product (GDP). Thus, the added public goods are essentially free to society. If the government buys another airplane or bridge, the economy's total output expands by enough to create the airplane or bridge without requiring a cut in anyone's consumption or investment. The explanation for this magic is that idle resources -- unemployed labor and capital -- are put to work to produce the added goods and services. If the multiplier is greater than 1.0, as is apparently assumed by Team Obama, the process is even more wonderful. In this case, real GDP rises by more than the increase in government purchases. Thus, in addition to the free airplane or bridge, we also have more goods and services left over to raise private consumption or investment. In this scenario, the added government spending is a good idea even if the bridge goes to nowhere, or if public employees are just filling useless holes. Of course, if this mechanism is genuine, one might ask why the government should stop with only $1 trillion of added purchases. What's the flaw? The theory (a simple Keynesian macroeconomic model) implicitly assumes that the government is better than the private market at marshaling idle resources to produce useful stuff. Unemployed labor and capital can be utilized at essentially zero social cost, but the private market is somehow unable to figure any of this out. In other words, there is something wrong with the price system. John Maynard Keynes thought that the problem lay with wages and prices that were stuck at excessive levels. But this problem could be readily fixed by expansionary monetary policy, enough of which will mean that wages and prices do not have to fall. So, something deeper must be involved -- but economists have not come up with explanations, such as incomplete information, for multipliers above one. A much more plausible starting point is a multiplier of zero. In this case, the GDP is given, and a rise in government purchases requires an equal fall in the total of other parts of GDP -- consumption, investment and net exports. In other words, the social cost of one unit of additional government purchases is one. This approach is the one usually applied to cost-benefit analyses of public projects. In particular, the value of the project (counting, say, the whole flow of future benefits from a bridge or a road) has to justify the social cost. I think this perspective, not the supposed macroeconomic benefits from fiscal stimulus, is the right one to apply to the many new and expanded government programs that we are likely to see this year and next. What do the data show about multipliers? Because it is not easy to separate movements in government purchases from overall business fluctuations, the best evidence comes from large changes in military purchases that are driven by shifts in war and peace. A particularly good experiment is the massive expansion of U.S. defense expenditures during World War II. The usual Keynesian view is that the World War II fiscal expansion provided the stimulus that finally got us out of the Great Depression. Thus, I think that most macroeconomists would regard this case as a fair one for seeing whether a large multiplier ever exists. I have estimated that World War II raised U.S. defense expenditures by $540 billion (1996 dollars) per year at the peak in 1943-44, amounting to 44% of real GDP. I also estimated that the war raised real GDP by $430 billion per year in 1943-44. Thus, the multiplier was 0.8 (430/540). The other way to put this is that the war lowered components of GDP aside from military purchases. The main declines were in private investment, nonmilitary parts of government purchases, and net exports -- personal consumer expenditure changed little. Wartime production siphoned off resources from other economic uses -- there was a dampener, rather than a multiplier. We can consider similarly three other U.S. wartime experiences -- World War I, the Korean War, and the Vietnam War -- although the magnitudes of the added defense expenditures were much smaller in comparison to GDP. Combining the evidence with that of World War II (which gets a lot of the weight because the added government spending is so large in that case) yields an overall estimate of the multiplier of 0.8 -- the same value as before. (These estimates were published last year in my book, "Macroeconomics, a Modern Approach.") There are reasons to believe that the war-based multiplier of 0.8 substantially overstates the multiplier that applies to peacetime government purchases. For one thing, people would expect the added wartime outlays to be partly temporary (so that consumer demand would not fall a lot). Second, the use of the military draft in wartime has a direct, coercive effect on total employment. Finally, the U.S. economy was already growing rapidly after 1933 (aside from the 1938 recession), and it is probably unfair to ascribe all of the rapid GDP growth from 1941 to 1945 to the added military outlays. In any event, when I attempted to estimate directly the multiplier associated with peacetime government purchases, I got a number insignificantly different from zero. As we all know, we are in the middle of what will likely be the worst U.S. economic contraction since the 1930s. In this context and from the history of the Great Depression, I can understand various attempts to prop up the financial system. These efforts, akin to avoiding bank runs in prior periods, recognize that the social consequences of credit-market decisions extend well beyond the individuals and businesses making the decisions. But, in terms of fiscal-stimulus proposals, it would be unfortunate if the best Team Obama can offer is an unvarnished version of Keynes's 1936 "General Theory of Employment, Interest and Money." The financial crisis and possible depression do not invalidate everything we have learned about macroeconomics since 1936. Much more focus should be on incentives for people and businesses to invest, produce and work. On the tax side, we should avoid programs that throw money at people and emphasize instead reductions in marginal income-tax rates -- especially where these rates are already high and fall on capital income. Eliminating the federal corporate income tax would be brilliant. On the spending side, the main point is that we should not be considering massive public-works programs that do not pass muster from the perspective of cost-benefit analysis. Just as in the 1980s, when extreme supply-side views on tax cuts were unjustified, it is wrong now to think that added government spending is free.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Além da euforia (I): Por Fabio Giambiagi.

Acabo de lançar, com Armando Castelar Pinheiro, o livro "Além da euforia" (Editora Campus). O livro faz uma análise da economia brasileira nos últimos anos, destacando a natureza excepcional de um conjunto de circunstâncias positivas que beneficiaram o país, mas apontando para uma série de deficiências do nosso modelo de desenvolvimento. Começo hoje uma série de cinco artigos tratando das principais ideias do livro. Ele trata dos elementos que tendem a prejudicar a perspectiva de um maior dinamismo futuro da nossa economia, elementos esses que, na euforia consumista dos últimos tempos, os brasileiros tendemos a ignorar. Aqueles que acompanham as colunas que escrevi no Valor nos últimos anos talvez se sintam confusos pelo que pode parecer, numa primeira impressão, como manifestações de expressões contraditórias por parte do mesmo autor. De fato, nos últimos 10 anos ajudei a organizar vários livros e, em mais de um deles havia uma imagem positiva do país. Como é possível - pode indagar o leitor - transmitir uma visão positiva e crítica ao mesmo tempo? Na verdade, ambas atitudes se justificam e a coexistência entre essas visões se explica com base na velha imagem do copo "cheio pela metade e vazio pela metade". Os avanços do Brasil ao longo dos últimos 25 anos a 30 anos foram muito grandes - e, em alguns casos, acentuados depois de 2003. Brasil não aproveitou plenamente as boas condições dos últimos anos para aprofundar o desenvolvimento De forma genérica, pode-se dizer que o país se assumiu como uma democracia complexa; modernizou o parque produtivo em relação ao seu estado nos anos 80; estabilizou a economia; mudou o regime fiscal em relação à desordem que imperou durante décadas; melhorou a distribuição de renda; diminuiu o número de pessoas miseráveis; reduziu a taxa de desemprego; acumulou reservas internacionais; etc. Os méritos disso foram compartilhados por vários governos: originalmente, Sarney comandou a transição política nos anos 80; a gestão Collor deu uma "virada de leme" na orientação da economia no começo dos anos 90; com Itamar Franco tivemos o Plano Real; FHC liderou reformas fundamentais que mudaram a economia do país depois de 1994; e no governo Lula todos os indicadores econômicos e sociais melhoraram de forma inequívoca na última década. Não obstante isso, persiste entre um grupo de analistas - entre os quais, modestamente, me incluo - a percepção de que o Brasil não aproveitou plenamente uma "combinação zodiacal" inédita para dar passos mais avançados rumo ao desenvolvimento. Em particular, essa visão, que o livro escrito com Castelar tenta condensar, sustenta que parte dos êxitos na primeira década do atual século - e, em particular, nos últimos anos - se apoiou no comportamento atípico de algumas variáveis-chave da economia internacional - notadamente os preços das "commodities" e as taxas de juros - e que se estas sofrerem uma reversão no futuro, o país não terá se preparado devidamente para encarar um cenário hostil. A abordagem crítica se baseia em quatro pontos: 1) a taxa de investimento da economia brasileira continua sendo baixa, como expressão de uma poupança doméstica inferior à que prevalecia em 1994 e que, depois de algumas oscilações e de aumentar entre 1999 e 2004, voltou a cair entre 2004 e 2011; 2) os níveis de educação da população brasileira, em média e mesmo entre os mais jovens, são constrangedoramente baixos para poder aspirar a taxas maiores de crescimento, em um mundo cada vez mais competitivo; 3) a situação do balanço de pagamentos - base da reviravolta favorável da situação do setor externo do país na primeira metade da primeira década do século - dá sinais de reversão, apenas mitigados até 2011 por termos de troca exuberantes; e 4) a demografia, que no Brasil até aqui tem sido uma aliada do crescimento, passará gradualmente a se tornar um entrave para uma maior expansão, devido à combinação de menor crescimento da População Economicamente Ativa e maior incremento da população idosa - na bonança, estamos sacando contra o futuro. O resultado disso é uma economia que tem crescido se aproveitando dos bons ventos da economia internacional e da existência, no começo desse ciclo, em 2003, de um "exército de trabalhadores de reserva" então desempregados, estoque esse que gradualmente foi sendo esgotado pelo próprio processo de expansão. A chave para entender as limitações desse processo está na frase de um analista estrangeiro (Gray Newman) acerca da América Latina, numa das epígrafes do livro: "O risco é esquecer o desafio colocado para os 'policy makers': o de aproveitar os atuais fluxos de capitais para construir melhores condições para o crescimento sustentável. Poucas coisas foram mais prejudiciais para a região que o excesso de confiança em fluxos transitórios". A frase é de 2005 e 7 anos depois os fluxos ainda se mantêm, mas o alerta é mais válido do que nunca. Convidamos o leitor interessado a compartilhar nossa reflexão e nossas dúvidas. Aprofundarei esses temas nos meus próximos quatro artigos. Fabio Giambiagi, economista, co-organizador do livro "Economia Brasileira Contemporânea: 1945/2010" (Editora Campus). E-mail: fgiambia@terra.com.br. © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/2673982/alem-da-euforia-i#ixzz28vXEo1tf

Além da euforia (II): Por Fabio Giambiagi.

Continuo hoje a série de cinco artigos acerca do meu livro com Armando Castelar ("Além da euforia", Editora Campus). O livro trata do "lado escuro da Lua" da nossa realidade: os problemas, a rigor, conhecidos por todos, mas que insistimos em não levar em consideração. Após um primeiro artigo geral, o tema em questão hoje é a nossa baixa produtividade. A economia brasileira está ingressando em mares nunca dantes navegados: o da escassez de mão de obra. Em épocas antigas, a necessidade de braços (e mentes) era abastecida pelo movimento demográfico do país. Entre 1950 e 1960, a população brasileira cresceu a uma taxa de 3% ao ano, taxa que se manteve elevada por um par de décadas. Além disso, o Brasil dinâmico era o da indústria em expansão e a migração campo-cidade assegurava fluxos de trabalhadores aos borbotões. Como se não bastasse, a expansão da participação das mulheres no mercado fazia com que a taxa de variação do número de pessoas dispostas a trabalhar fosse maior que a do número de pessoas em idade de trabalhar. Quando comecei a estudar economia, em 1980, logo tivemos a crise recessiva de 1981/1983 e a economia entrou em colapso. O investimento despencou e o desemprego em massa tornou-se um fantasma que assolou toda uma geração. No Brasil no qual se formou o grupo dos economistas "cinquentões" a que pertenço, o grande entrave ao crescimento era a escassez ora de demanda - quase sempre - ora de capital, nas (raras) ocasiões em que o produto potencial não conseguia "dar conta do recado", como nos "minibooms" do Plano Cruzado (1986), do Plano Real (1994/1995) ou, episodicamente, em alguns momentos de 2005, 2008 ou 2010, quando o governo tinha que subir os juros para esfriar a economia. Falta de mão de obra, porém, era um não problema, uma categoria analítica que não frequentava nossa realidade - nem nos meus anos de faculdade do começo dos 80, nem nos 30 anos seguintes. Agora, porém, as coisas estão mudando (ver tabela). As estatísticas da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) sofreram uma descontinuidade em 2002 e, portanto, o primeiro ano para o qual é possível definir uma média anual é 2003. Entre aquele ano e 2010, as taxas de variação média anual das variáveis População Economicamente Ativa (PEA), População Ocupada (PO) e população desempregada foram de 1,6%, 2,5% e menos 6,8% (taxa negativa), respectivamente. Nesse mesmo período, a taxa de variação média da população de 15 a 64 anos foi também de 1,6% ao ano, similar à da PEA. A economia brasileira está ingressando em mares nunca dantes navegados: o da escassez de mão de obra Em 2011, a PEA e a população de 15 a 64 anos aumentaram 1,2% e 1,3%, respectivamente, a PO cresceu 2,1% e o número de desempregados diminuiu 10,4%. A taxa de desemprego média do Brasil está perto do piso. Talvez possa cair mais um pouco, mas quando chegar a algo em torno de 5%, não haverá novos desempregados para serem absorvidos estruturalmente. O emprego no passado recente não foi limitado pela PEA, que nos últimos cinco anos cresceu 1,5% ao ano e, por isso, foi possível que ele pudesse crescer a taxas elevadas. Já nos próximos anos, em contraste com essa realidade, a variável passará a ser limitada pela PEA, ao mesmo tempo em que esta irá a caminho de crescer apenas 1% ao ano daqui a alguns anos. O que isso significa? Para entender a plena dimensão do desafio, olhemos com cuidado a última coluna da tabela. Ela compara o crescimento do PIB com o da população empregada, medida pela PME. Sei que são universos diferentes e que a PO abrange apenas as regiões metropolitanas, mas o indicador dá uma ideia do que ocorre no mundo real. E o que aconteceu é simples de entender: a produtividade não teve nenhum desempenho exuberante. Nos próximos anos, a não ser que a eficiência da economia dê um salto, se combinarmos a expansão do produto por homem ocupado no ciclo do crescimento do PIB de 2003/2011 (menos de 2%), com a taxa de crescimento da PEA - e da PO - rumo à qual estamos migrando (em torno de 1%), o problema não é que será difícil crescer a pelo menos 5%, como com grande dose de voluntarismo se postula em alguns círculos, mas sim que o Brasil terá problemas até para crescer 4%! Carlos Díaz Alejandro publicou em meados dos anos 80 um artigo muito comentado na época, chamado "Good-bye financial repression, hello financial crash". Parodiando Alejandro podemos dizer hoje "Adeus, economia da escassez de demanda; bom dia, economia da escassez de mão de obra". O keynesianismo do "pau na máquina" e da demanda "na veia" terá que ceder espaço ao mundo muito mais sofisticado do aumento da produtividade. Para o Brasil, será o fim da vida fácil e a hora de mostrar o seu valor. Fabio Giambiagi, economista, co-organizador do livro "Economia Brasileira Contemporânea: 1945/2010" (Editora Campus), escreve mensalmente às quartas-feiras. E-mail: fgiambia@terra.com.br. © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/2711304/depois-da-euforia-ii-produtividade-fraca#ixzz28vX8udJv

Além da euforia (III): Por Fabio Giambiagi.

Este é o terceiro de cinco artigos sobre meu livro com Armando Castelar Pinheiro ("Além da euforia", Editora Campus). Depois de um primeiro artigo geral e de outro sobre a produtividade, hoje irei tratar da nossa baixa poupança doméstica. Na discussão sobre o papel do Estado, que ressurgiu com força no Brasil na crise de 2008/2009, os defensores de uma maior participação do governo têm utilizado o argumento que, em circunstâncias em que o setor privado hesita em investir, o investimento público - ou financiado com recursos públicos - teria um papel fundamental para o aumento do investimento. Há, porém, uma questão que não tem sido levada devidamente em conta. O problema que existe para o aumento do investimento não é se ele será feito pelo setor público ou pelo setor privado e sim como se ganha espaço para isso na composição da demanda agregada. Não adianta pretender que a Petrobras gaste mais no pré-sal, que a União dote o país de aeroportos decentes para a Copa de 2014 ou que os Estados pavimentem mais estradas, se não forem tomadas medidas para conter o ritmo de expansão do consumo, caso a economia opere perto da plena carga. É interessante olhar as duas tabelas deste artigo. Uma delas mostra a igualdade entre a Formação Bruta de Capital (FBK) e a poupança e a decomposição desta entre a poupança doméstica e a externa, sendo que esta última é a soma da renda líquida enviada ao exterior (RLEE) com o déficit de transações das contas de bens e serviços com o exterior. A outra tabela apresenta as taxas de variação reais médias dos componentes da demanda agregada em períodos específicos: 1) os primeiros anos do Plano Real; 2) os anos de ajuste do governo FHC e, já no governo Lula, da ortodoxia de Antonio Palocci; e 3) o pós-2004. É preciso medidas para conter o ritmo de expansão do consumo caso a economia opere perto da plena carga As duas tabelas conjuntamente contam uma história em três capítulos: 1) deterioração da poupança doméstica nos primeiros anos do Plano Real, com piora da situação externa; 2) ajuste de 1999 a 2004, revertendo tais processos com contenção do consumo, aumento da poupança doméstica e notável mudança do resultado das transações correntes com o exterior; e 3) nova inflexão depois de 2004, com maior consumo, redução da poupança doméstica e piora das contas externas. O "novo modelo de desenvolvimento" que sucedeu ao fim da era Palocci nada mais foi do que o velho modelo de crescer com poupança externa. A discussão em torno do papel do Estado ignora tais questões. Pode até fazer sentido conduzir a Petrobras em ritmo de "pau na máquina" ou "turbinar" as instituições financeiras oficiais para alavancar seus empréstimos. O que não faz sentido é fazer isso, ao mesmo tempo em que o crédito continua crescendo bastante e se adotam regras generosas de aumento do salário mínimo - mecanismos que reforçam o crescimento do consumo - e depois reclamar que a conta corrente está com um déficit muito alto! É preciso entender que um dos problemas críticos a serem enfrentados pela economia brasileira para poder crescer mais chama-se: "escassez de poupança". Até agora, depois de 2004, foi possível implementar uma política que "driblou" qualquer tentativa de fazer escolhas, uma vez que tanto o consumo como o investimento aumentaram a taxas vigorosas, ao mesmo tempo em que o país exibia indicadores externos confortáveis e inflação baixa. Isso ocorreu, porém, partindo de uma situação muito peculiar, quando no começo dessa história de sucesso havia grande capacidade ociosa e superávit em conta corrente, com muita "gordura" para queimar. Entretanto, se o Brasil continuar exibindo um descompasso entre o crescimento da absorção doméstica e do PIB e tendo, como corolário disso, um aumento do "quantum" de importações significativamente superior ao das exportações, haja pré-sal para equacionar esse desequilíbrio na segunda metade da década! O livro será lançado hoje, 11 de julho, em São Paulo, na Livraria Cultura, Av. Paulista 2073 (Conjunto Nacional). Fabio Giambiagi, economista, coorganizador do livro "Economia Brasileira Contemporânea: 1945/2010" (Editora Campus), escreve mensalmente às quartas-feiras. E-mail: fgiambia@terra.com.br. © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/2745212/depois-da-euforia-iii-poupanca-escassa#ixzz28vX3Ko5C

Além da euforia (IV): Por Fabio Giambiagi.

Este é o quarto artigo acerca do meu livro com Armando Castelar ("Além da euforia", Ed. Campus) referente aos problemas da nossa realidade e que serão um obstáculo para a continuidade do crescimento. Depois de um primeiro texto geral, os artigos posteriores trataram da nossa baixa produtividade e da poupança doméstica e hoje iremos abordar o tema da educação. O desenvolvimento sustentável, para além da "etapa fácil" da ocupação de capacidade ociosa e da redução da taxa de desemprego, se constrói sobre alicerces que, no Brasil, deixam a desejar - realidade essa que, se não for modificada, irá conspirar contra nosso êxito no longo prazo. O capítulo sobre educação foi escrito por Marcio Gold Firmo, cujas informações acerca do tema são aqui sintetizadas. A tabela é um bom indicador para medir nosso atraso relativo. É verdade que entre 2000 e 2010 o número de anos médios de escolaridade da População Economicamente Ativa (PEA) no Brasil aumentou 1,1 ano. Ocorre que: i) na década anterior, tinha aumentado 1,9 anos; ii) na primeira década deste século, a escolaridade média se elevou também 1,1 ano nos países selecionados da periferia europeia e nos "tigres" asiáticos e em 0,9 anos nos maiores países da América Latina exceto Brasil; e iii) no conjunto de países da tabela, em 2010 o Brasil fica muito atrás em qualquer comparação feita. Estamos mal na foto - e o filme não chega a ser animador. O Brasil evoluiu, mas o resto do mundo também. Consequentemente, nosso atraso relativo permanece. Uma realidade similar se observa em diversos indicadores. Na nota de matemática do Programme for International Student Assessment (Pisa), hoje o melhor "termômetro" comparativo da qualidade da educação em diversos países, mesmo considerando o avanço recente, ficamos atrás não apenas dos países desenvolvidos, mas também de países como Argentina, México, Chile, Uruguai e também atrás de Rússia, Sérvia, Turquia e Cazaquistão. No mesmo PISA, em 2009, o percentual de alunos com desempenho abaixo do adequado em matemática foi de 8% na Coreia do Sul, 22% na média dos países da OCDE, 23% nos EUA, 30% na Grécia, 42% na Turquia e constrangedores 69% no Brasil. Nos exames do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), o percentual de alunos com desempenho em Matemática considerado adequado à sua série já é baixo no 5º ano do Ensino Fundamental (apenas 33%) e cai ainda mais, para apenas 15%, no 9º ano e para 11% no 3º ano do Ensino Médio. Alguém poderia alegar que o problema é de escassez de verbas. Essa é uma questão controversa, mas objetivamente: a) o gasto em educação no Brasil passou de 3,9% para 5% do PIB entre os anos de 2000 e 2010; e b) neste último ano, o gasto em educação no Brasil como fração do PIB, pelos dados da OCDE, era maior do que nos EUA e do que a média da OCDE, além de ser também superior ao de Polônia, Holanda, Canadá, Espanha, Coréia do Sul, Alemanha, Austrália, Chile e Japão. País prioriza o ensino direcionado à formação do cidadão, ao invés de ensinar matemática e português Parte do nosso atraso vem de longa data e resulta da opção que as elites dirigentes fizeram há décadas ao adotar um modelo fortemente concentrador de renda e com escassas preocupações com a melhora de oportunidades para os filhos das famílias mais humildes, através da priorização da educação. A Coreia do Sul fez exatamente o contrário a partir dos anos 50, com resultados espetaculares. Parte do problema, porém, deriva de escolhas recentes, como aquelas associadas a certo tipo de ensino voltado para a formação do cidadão, em oposição à priorização do aprendizado de matemática e português. Sem uma base forte nessas disciplinas, é impossível esperar que o aluno tenha um bom desempenho nas demais. Cabe destacar, como um bom sinal, o empenho do setor privado e da academia em favor do avanço da avaliação da eficácia de diferentes tipos de intervenções educacionais, a despeito da resistência de parte do setor de educação pública. É imperativo que os governos assumam o papel de multiplicadores das experiências inovadoras de sucesso. Na educação, o Brasil tem hoje uma atitude oposta à que assume no futebol, no qual o segundo lugar é visto como uma derrota. Comparativamente, a autocongratulação em relação aos resultados educacionais de nossas crianças e jovens é de uma complacência inadmissível. Aspirar a um crescimento sustentável de 5% ao ano, desse jeito, é apenas um sonho. Fabio Giambiagi, economista, coorganizador do livro "Economia Brasileira Contemporânea: 1945/2010" (Editora Campus), escreve mensalmente às quartas-feiras. E-mail: fgiambia@terra.com.br. © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/2780128/depois-da-euforia-iv-educacao#ixzz28vWvzpIY

Além da euforia (V): Por Fabio Giambiagi.

Encerro hoje a série de artigos acerca do meu livro com Armando Castelar ("Além da euforia", Editora Campus) sobre os problemas que todos sabem que caracterizam a economia brasileira, mas diante dos quais agimos como se não existissem. Além da apresentação inicial das principais ideias do livro, os artigos trataram das questões da produtividade, da poupança doméstica e da educação. Hoje iremos abordar o desafio demográfico. As regras de aposentadoria no Brasil são o nosso "lado grego". O que se disse da Grécia nos últimos 2 ou 3 anos? "Eles não aproveitaram a bonança de anos anteriores para fazer o dever de casa", "continuaram se aposentando muito cedo", "o resto do mundo se cansou de sustentar os gregos" e toda sorte de comentários de teor similar. É evidente que o Brasil não é a Grécia. Basta dizer que a dívida pública bruta grega como proporção do PIB é da ordem de duas vezes a nossa, além do nosso setor público ser credor líquido do exterior e de termos flexibilidade cambiária, todos esses elementos que representam diferenças cruciais. Ninguém, em sã consciência, pode argumentar que o Brasil está nas proximidades de correr risco de "default". Tendo deixado isso claro, porém, proponho ao leitor um exercício: já percebeu como ficam aquelas frases se substituirmos a expressão "os gregos" por "os brasileiros"? Diz J. Kennedy que a melhor época para consertar o telhado é quando o tempo está bom O leitor ouviu falar da "crise da Áustria"? Não, porque não houve crise. Menos ainda de "crise da Alemanha", cuja economia teve um desempenho estupendo depois de 2008/2009. Pois bem, quem olha para os dados da tabela pode ter uma pequena pista de por que Portugal entrou em crise e a Alemanha não: em Portugal, as pessoas podem antecipar a aposentadoria já com 55 anos, enquanto que na Alemanha isso só pode ocorrer aos 63. Ocorre que a tabela mostra também a idade em que, na média, as pessoas se aposentam por tempo de contribuição no Brasil pelo INSS: aos 54 anos os homens e aos 52 as mulheres. Vamos ser francos: dado algum dos que foram tão citados na crise grega nunca foram novidade. O mercado sabia dos fatos há muito tempo - e, não obstante isso, com a miopia própria das bonanças, ignorou a realidade durante anos, comprando alegremente títulos gregos a taxas pouco acima das associadas aos títulos germânicos. Foi só quando as labaredas da crise estavam chegando no quarto andar que tais números passaram a ser expostos em alto e bom som como prova do desleixo dos países da periferia da União Europeia na época das "vacas gordas". O leitor já pensou o que podem dizer do Brasil no futuro, se o mercado se tornar hostil? A pergunta que não quer calar (e que ninguém quer ouvir) é: há alguém que não esteja informado acerca da última linha da tabela? As projeções demográficas estão no site do IBGE para qualquer um que se dispuser a analisar os dados. Elas nos informam que no Brasil o número de pessoas com 60 anos ou mais de idade passará de 19 milhões para 64 milhões de pessoas entre 2010 e 2050, ao mesmo tempo em que a população de 15 a 59 anos vai encolher ligeiramente. E o que fizemos diante desse mega-desafio? Duas coisas: a) aumentamos as aposentadorias nas duas pontas da escala social, dando fortes aumentos reais ao longo de quase 20 anos a 2 de cada 3 aposentados do INSS (os que ganham o salário mínimo) e aos próximos aposentados da administração pública, que com os aumentos reais dos últimos anos vão passar para a inatividade com uma renda muito superior à média dos seus salários de contribuição; e b) houve um empenho firme e deliberado no sentido de convencer a população em peso de que mudar as regras de aposentadoria seria uma ideia "neoliberal". Isso, para não falar dos projetos divorciados da matemática elementar do senador Paulo Paim, aprovados com apoio unânime no plenário quando levados a votação e dependentes do veto presidencial. O livro com Armando Castelar se inicia com uma epígrafe de J. Kennedy, segundo o qual "a melhor época para consertar o telhado é quando o tempo está bom". À luz das tendências demográficas e da benevolência das nossas regras de aposentadoria, nesse sentido pode-se afirmar que nos últimos anos não colocamos nem um mísero prego no telhado do Regime Geral da Previdência Social. No dia em que chover, poderemos pagar as consequências. Fabio Giambiagi, economista, coorganizador do livro "Economia Brasileira Contemporânea: 1945/2010" (Editora Campus), escreve mensalmente às quartas-feiras. E-mail: fgiambia@terra.com.br. © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/2825712/depois-da-euforia-v-demografia#ixzz28vWlIcWM

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

domingo, 7 de outubro de 2012

O mundo é um lugar melhor sem Eric Hobsbawn.

Eric Hobsbawn, o historiador marxista e um dos maiores ícones da esquerda, finalmente faleceu. O dano que este homem fez ao mundo é imensurável. Sua visão marxista da história é hoje ensinada na grande parte dos cursos de economia e os pobres graduandos aprendem que o desenvolvimento é um processo de exploração, que somos pobres pq eles são ricos, que riqueza não cria, se rouba dos mais fracos e mais toda aquela ladainha de marxista.... A revista veja publicou uma matéria que aponta para a péssima influência de Hobsbawn ... Idéias e ideais, diferentemente da vida humana, são eternos. É uma pena que isso funcione para o bem e para o mal, pois mesmo que a morte de Hobsbawn tenha tornado o mundo um pouco melhor, sua obra ainda vai influenciar muitos retardados pseudo-intelectuais de esquerda (desculpem a redundância...)...

Documentário Mises Brasil.

Documentário BBC: Marx, Keynes e Hayek.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A escola campineira de economia é patética.

Quando os campineiros sentados no governo começaram com suas heterodoxisses, a maioria dos bons economistas alertaram que não ia dar certo, que crescimento não acontece pelo grito dos políticos. Pois bem, como era de se esperar, as montadoras estão se movimentando para começar demissões e o governo já está gritando de volta, soltando toda aquela ladainha de economista heterodoxo sobre emprego, demanda e blábláblá.....
ahhh, ia esquecendo do mais importante, o câmbio.....

terça-feira, 10 de julho de 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Riscos e lacunas do modelo brasileiro por Armando Castelar Pinheiro.

No seu relatório anual sobre a competitividade global, o Institute for Management Development (IMD) mostra mais uma vez que o Brasil caminha para trás no ranking das nações mais competitivas. Em 2012 caiu duas posições, passando à 46ª colocação entre os 59 países analisados. Como conciliar esse desempenho com a visão que passamos a ter do Brasil, de "queridinho" dos investidores estrangeiros e estrela ascendente no cenário econômico e político global? Qual das duas visões está correta, a de que o futuro de que falava Stefan Zweig finalmente chegou para o Brasil ou a que continua nos identificando com um país de risco elevado e ambiente de negócios ruim, este o sétimo pior entre os analisados pelo IMD? Em livro que escrevi com Fabio Giambiagi, intitulado "Além da Euforia", lançado há um par de semanas, mostramos que hoje dois Brasis coexistem, o que se livrou de alguns dos piores vícios do passado e aquele em que subsistem problemas antigos, em alguns casos até agravados. Dois Brasis co-existem, o que se livrou de alguns dos vícios do passado e aquele em que ainda há problemas antigos Começamos o livro reconhecendo os muitos avanços das duas últimas décadas. Sem querer ser exaustivos, podemos citar da abertura comercial aos avanços no mercado de crédito, passando pelo Plano Real e as alterações nas regras fiscais consolidadas na Lei de Responsabilidade Fiscal, assim como o saneamento e as novas regulações do setor financeiro. Entendemos, portanto, que houve inúmeros progressos na qualidade das nossas instituições e políticas econômicas, tornando o Brasil um destino mais atraente para os investidores estrangeiros, avanços dos quais devemos nos orgulhar. O livro não se destina, porém, a tecer louros sobre o passado, mas a apontar dois problemas centrais do nosso atual "modelo" de desenvolvimento. O primeiro é a provável exaustão de alguns fatores que explicam boa parte significativa do bom desempenho econômico dos últimos anos. A importância desses fatores não é devidamente reconhecida no desenho da política econômica, que atribui os resultados recentes aos fundamentos da nossa economia, colocando o país em uma dinâmica econômica que nos parece insustentável. O segundo problema é que o sucesso recente nos fez esquecer os gargalos que subsistem na nossa economia e limitam o nosso potencial de crescimento, como revelam pesquisas como a do IMD. Um dos desequilíbrios dinâmicos tratados em "Além da Euforia", que recentemente passou a ocupar espaço na mídia, envolve o crescimento da demanda acima daquele do Produto Interno Bruto (PIB) potencial, com base em forte expansão do crédito e das importações. Ainda que essa estratégia tenha funcionado na segunda metade da década passada, isso ocorreu por que o país partiu de elevados níveis de desemprego, um superávit em conta corrente de 2,5% do PIB e baixos níveis de endividamento. Hoje a taxa de desemprego é baixa; a conta corrente deve fechar o ano com déficit acima de 2,5% do PIB; e o endividamento das famílias é alto, considerando juros, prazo e que uma parcela pequena dele se destina à compra de imóveis. Além disso, é dado um crédito insuficiente ao papel das condições externas, tanto ao efeito da melhoria dos termos de troca, que impediu que a alta nas importações se transformasse em um déficit em conta corrente mais elevado, como à entrada de capital externo, que alimentou a expansão do crédito. Para avaliar a importância desses efeitos basta ver que a América Latina como um todo acelerou o crescimento do PIB ao mesmo tempo e tanto quanto o Brasil, com quedas de desemprego em alguns países ainda maiores do que a nossa. De fato, em 2011 o Brasil teve a menor expansão de PIB em toda a América do Sul. Também analisamos no livro a dinâmica insustentável na área fiscal, calcada na expansão do gasto corrente e da carga tributária sistematicamente acima do PIB. Ainda que em algum momento vá se tornar difícil continuar aumentando impostos - e a carga elevada e complexa é um dos fatores que constrange o investimento no país - a transição demográfica em curso já traz contratado um aumento significativo de gastos nas áreas de previdência, saúde e assistência a idosos. Nesse sentido, mostramos a necessidade de mudar as regras de aposentadoria, sob risco de tornar o sistema inviável daqui a uns anos. Além desses desequilíbrios dinâmicos, o livro analisa uma série de áreas em que a necessidade de reformas ficou esquecida em função dos bons resultados dos últimos anos: educação, infraestrutura, ambiente de negócios, produtividade são alguns dos temas tratados em capítulos individuais no livro. Também dedicamos um capítulo ao pré-sal, discutindo como evitar que esse se transforme numa fonte de atraso, como ocorre em alguns países não tão distantes de nós. "Além da Euforia" foi escrito em uma linguagem acessível aos não especialistas, com vários números para ilustrar nossos argumentos. Acreditamos que isso torna a sua leitura mais agradável e, esperamos, ajude a fomentar uma discussão mais realista sobre o Brasil atual.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Câmbio volátil e depreciado põe risco juro mais baixo - Valor Econômico.

A instabilidade excessiva e uma desvalorização muito acentuada do câmbio podem dificultar o projeto do governo de reduzir os juros para níveis mais baixos, provocando também incertezas num país hoje mais integrado à economia internacional, advertem alguns economistas. Além de um eventual impacto inflacionário, um risco que hoje parece pequeno, um dólar que oscila muito também afeta a vida de muitas empresas que tem dívida no exterior ou incluíram a importação na sua estratégia produtiva, influenciando também decisões de investimento no país - em renda fixa e na bolsa e também em atividades produtivas. Para o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, o câmbio não pode ser visto apenas como um fator importante para a rentabilidade da indústria, como, segundo ele, parece acreditar o Ministério da Fazenda. "O câmbio tem hoje uma grande abrangência no equilíbrio macro e microeconômico do país." O Brasil, lembra ele, tem um déficit em conta corrente (resultado das transações de bens, serviços e rendas com o exterior) que, se não é enorme, tampouco é desprezível, e precisa ser financiado - nos 12 meses até abril, somou 2,04% do Produto Interno Bruto (PIB), ou US$ 51,6 bilhões. Um dólar volátil demais pode inclusive afetar decisões de empresas estrangeiras de investir no setor produtivo, diz ele - que, no entanto, não atribui ao movimento do câmbio o fluxo recente um pouco menor de investimentos estrangeiros diretos. Também ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Mendonça de Barros destaca ainda que uma alta muito forte do dólar afeta as empresas que se endividaram no exterior, muitas vezes a um custo menor por prazos mais dilatados. Para ele, o movimento recente do câmbio atrapalhou até mesmo as vendas de títulos da dívida pública. No dia 22, quando o dólar testou o limite de R$ 2,10, o Tesouro ofertou três lotes de NTN-Bs (papéis atrelados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo) com vencimento em 2016, 2018 e 2022, mas não vendeu nada. Muita volatilidade no câmbio pode afastar o investidor estrangeiro que ajuda o governo a alongar os prazos da dívida pública, a taxas mais baixas, não se tratando de um dinheiro especulativo, avalia ele, hoje sócio da Quest Investimentos. Mendonça de Barros lembra que, nos últimos anos, um número muito maior de empresas passou a importar. Se o dólar sobe muito, isso pressiona os custos das companhias, podendo se traduzir em alguma inflação. Por tudo isso, ele acha que não faz sentido comemorar a depreciação mais acentuada do câmbio, como fez o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O discurso tende a contribuir para desvalorizar ainda mais a moeda, num momento de incerteza no cenário externo, especialmente em relação à crise na Europa. "Um câmbio muito desvalorizado e volátil pode colocar em risco o objetivo do governo de ter juros reais mais baixos", diz ele, que vê um cenário de fato propício para o BC testar níveis menores para a Selic, com um quadro externo benigno para os preços, uma atividade doméstica fraca e um quadro de juros baixíssimos no mundo desenvolvido. A alta mais forte do dólar incomodou o BC, que vendeu US$ 5,4 bilhões em swaps cambiais depois que o dólar se aproximou de R$ 2,10. Além disso, o sempre discreto diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton de Araújo, chegou a dizer publicamente que o excesso de volatilidade no câmbio era preocupante. Ontem, o dólar, que no fim de fevereiro estava em R$ 1,72, fechou em R$ 1,986. Para o ex-presidente do BC Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria, o governo tem alguns objetivos simultâneos em alguma medida conflitantes, como o de desvalorizar deliberadamente o câmbio, reduzir os juros e ampliar o crédito. O real mais fraco tem algum efeito sobre a inflação, ainda que no momento o repasse da desvalorização da moeda para os preços seja limitado. Loyola também nota que o país está hoje mais aberto do ponto de vista comercial e financeiro. Um câmbio muito volátil, para um país que precisa de poupança externa (que equivale ao déficit em conta corrente), pode ter efeitos negativos. Por fatores como esses, a moeda não pode ser tomada apenas como algo que vai melhorar a competitividade da indústria, por melhorar a rentabilidade das exportações e encarecer as importações, diz Loyola. Em entrevista recente ao Valor, o ex-presidente do BC Ibrahim Eris afirmou que um câmbio na casa de R$ 2 tem risco inflacionário, ainda que melhore de fato a situação da indústria. "Você não pode desvalorizar a moeda em 20% e achar que não vai ter nenhum impacto sobre a inflação, embora seja algo transitório", disse Eris. Para ele, que vê espaço para o BC testar níveis de juros comparáveis aos internacionais, o câmbio mais desvalorizado pode exigir da autoridade monetária em algum momento uma parada no ciclo de redução da Selic, atualmente em 9% ao ano. Hoje, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve cortar mais uma vez a taxa, para 8,5%, segundo a expectativa da maior parte do mercado.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Fudeu!! Querem botar o Oreiro no IPEA!!!

BRASÍLIA - O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, se reúne na tarde desta terça-feira com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. O encontro não estava previsto na agenda oficial da presidente divulgada na noite de ontem e foi incluído somente no início da tarde. Conforme adiantou o Valor, o assunto da reunião deve ser a sucessão de Pochmann no Ipea. Ele deixará o cargo para concorrer pelo PT à Prefeitura de Campinas (SP) nas eleições de outubro. O presidente do Ipea sugeriu três nomes para lhe sucederem: Vanessa Petrelli, Leda Paulani e Jorge Abrahão. Nenhuma dele, no entanto, empolgou Dilma. Porchmann, por outro lado, vetou a sugestão de Ricardo Paes de Barros, assessor especial da Secretaria de Assuntos Estratégico. Desta forma, ganhou força o nome do economista josé Luís Oreiro. (Yvna Sousa | Valor)
Como diria meu amigo Clauber: "Meu Deus, isso vai dar merda".
Se é para avacalhar, coloquem um plantador de inhame na direção do IPEA.....
UPDATE:
Tive a curiosidade de procurar quem é o Ricardo Paes de Barros. O cara é muito fera, e foi vetado pelo Porchmann!!!
É fácil ver que a Dilminha e o Porchman não querem um economista sério no comando do IPEA.

O Lula vai ser preso? por Carlos Eduardo.

Eu apoio.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

domingo, 27 de maio de 2012

Que besteira, todos nós já sabemos que é o câmbio!!

Esse Acemoglu e o Robinson são muito burros!! Deveriam passar um tempo na Unicamp para aprender que o verdadeiro determinante da riqueza de uma nação é o câmbio!!! Vejam mais um vídeo sobre a idéia idiota deles sobre instituições.... Pobres retardados, ainda não foram iluminados pelas teorias econômicas tupiniquins!!!

"The Imperial March" by the Vienna Philharmonic Orchestra (HQ)

Foda pra caralho!!!

A nova rodada de heterodoxisses vai funcionar? Discussão na Globo News.

Parte 1.
Parte 2.

sábado, 26 de maio de 2012

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Quando proteger a indústria - direto do blog do Leonardo Monastério.

- Quando a indústria for nascente, porque ela é nascente.
- Quando a indústria for madura. Pois é preciso preservar os empregos;
- Quando a indústria for decadente. E deixar que se perca tamanho know-how acumulado no setor?
- Quando os termos de troca forem desfavoráreis. Afinal, só com a indústria fugiremos da tendência secular da deterioração dos termos de troca;
- Quando os termos de troca forem favoráveis. Ora, é preciso combater a doença holandesa e, além disso, a maré pode virar;
- Se o desemprego estiver alto, devido ao efeito multiplicador da atividade manufatureira;
- Se o desemprego estiver baixo, para reduzir os custos e a pressão sobre a inflação;
- Se der praia no final de semana;
- Se não der praia.

What Makes a Nation Rich? por Acemoglu.

Vejam aqui a opinião do Acemoglu.
Pobre Acemoglu, no Brasil todos nós já sabemos, graças à iluminação das teorias keynesianas e cepalinas, que o verdadeiro determinante da riqueza das nações é câmbio!!!!
O Acemoglu deveria vir aprender um pouco de economia na Unicamp.....

Ex-presidente do BC fala sobre os efeitos da crise internacional na economia brasileira - Globo News.

Vejam aqui.

Imediatismo dos pacotes por Márcio Gárcia.

"Primum non nocere" é princípio básico da ética médica, segundo o qual o médico deve avaliar, antes de tomar qualquer atitude, se sua ação poderá prejudicar mais o doente do que se nada fosse feito. Tal ensinamento aplica-se a várias outras áreas, inclusive à economia. Infelizmente, não vem encontrando o devido eco na condução da política econômica brasileira recente. A desaceleração mais forte da economia vem suscitando uma sucessão de "pacotes" de estímulo econômicos, cada vez mais patéticos. Tais pacotes advêm de um diagnóstico comum: falta demanda. E prescrevem doses crescentes dos mesmos remédios: subsídios ao crédito e desonerações tributárias, sempre focalizados em poucos produtos e setores, escolhidos por critérios obscuros. Frequentemente, têm sido também criadas barreiras a produtos importados que competem com a produção de setores com lobby mais forte em Brasília, notadamente o automobilístico. De fato, a economia brasileira ora passa por um momento de arrefecimento da demanda, e é função da política econômica suavizar, na medida do possível, o ciclo econômico. No entanto, corrigir as raras e breves ocasiões de falta de demanda não é problema que tenha ameaçado o desempenho da economia brasileira, muito pelo contrário. Dificuldades pelo lado da oferta, essas, sim, constituem gargalos estruturais que vêm, há muito, prejudicando o crescimento econômico. E, com frequência, os pacotes de estímulo à demanda, em vez de destravar a oferta e ajudar no crescimento da produtividade da economia, representam aumento do custo Brasil para setores não beneficiados pelas medidas governamentais. A sucessão de medidas de estímulo à demanda pode até trazer alívio momentâneo, mas prejudica o crescimento A política econômica recente vem ficando cada vez mais parecida com aquelas que vigoraram no período pré-Real, quando as regras eram mudadas com grande frequência. Isso se choca frontalmente com os preceitos da teoria econômica moderna, que têm enfatizado, cada vez mais, a importância da manutenção de incentivos propícios ao crescimento econômico e à prosperidade. Incentivos que só podem surtir efeito se baseados em regras e instituições estáveis ao longo do tempo. A instabilidade advinda da sucessão de pacotes prejudica o investimento e o crescimento. Um empresário racional que se defronte com dificuldades, em vez de se esforçar para reduzir custos ou investir para aumentar a produtividade, logo perceberá ser mais lucrativo juntar-se a um lobby para extrair benesses em Brasília ou na avenida Chile. Não chega a ser surpreendente que isso venha ocorrendo. Confesso que até mesmo eu acho monótona a repetição do argumento de que as reformas estruturais (previdenciária, tributária, trabalhista) precisam voltar a ser prioridade. Mas nem mesmo o modesto projeto de limitar o crescimento real da folha salarial do setor público sai da gaveta do deputado relator, que alega que não o fará até a presidente afirmar que a medida é, de fato, prioritária. Há indicações cada vez mais evidentes de que a política econômica carece de visão coerente de longo prazo. Por exemplo, ao justificar as decisões do recente pacote, o ministro do Desenvolvimento declarou que "o governo está conjugando medidas estruturais, como é o caso da redução sistemática da taxa de juros, com medidas conjunturais..." (Valor Econômico, 23/5/2012, pág. A3). Tal declaração contém dupla impropriedade. Primeiro, porque atribui a redução dos juros à suposta agenda de medidas estruturais do governo, enquanto deveria ser responsabilidade autônoma do BC, a se crer nas declarações da presidente Dilma e do presidente do BC. Segundo, e mais importante, porque alterações da taxa de juros são, por definição, medidas anticíclicas e, portanto, conjunturais. Estruturais seriam medidas que permitissem ao BC reduzir os juros sem colocar em risco o controle inflacionário, como um verdadeiro ajuste fiscal, que arrefecesse a expansão do gasto corrente, e estimulasse o investimento público. Mas estas, o governo parece desinteressado ou incapaz de promover. Como disse um amigo, a estratégia econômica atual assemelha-se cada vez mais à do enxadrista improvisado: "Peça pra frente, que xadrez é sorte"! © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nosso Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/2675984/o-imediatismo-dos-pacotes#ixzz1vtDITrMp

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Entrevista: Friedman sobre "O Caminho da Servidão" de Hayek.

G3 Live In Denver - Rockin In The Free World.

Foda pra caralho....

Sensible Keynesians see no easy way out por Raghuram Rajan.

In the long run we are not dead, we will still be recovering from the Great Recession. We should therefore weigh stimulus policies not just on their immediate effect but on their consequences over time. Sensible Keynesians recognise this. They bet that reviving growth through government spending today outweighs the future loss of growth as the debt taken on to fund current spending is paid back. Consider two circumstances where this may apply. The first is in a fully fledged panic where demand collapses, banks and companies fail and organisational capital is destroyed. Save, possibly, for Greece, it is hard to argue any industrial country is there today. The key question then is whether more government spending can make a real difference to the most severe employment problems. Here the case for a general stimulus becomes less compelling. In the US, demand is weakest in communities where a boom and bust in house prices has left an overhang of household debt. Lower local demand has hit employment in industries such as retail and restaurants. A general increase in government spending may be too blunt – greater demand in New York is not going to help families eat out in Las Vegas (and hence create more restaurant jobs there). Targeted household debt write-offs in Las Vegas could be a better use of stimulus dollars.The second is when persistent high unemployment leads the long term unemployed to lose the habits and skills that make them employable. This is probably the more pertinent case in several industrial countries, such as the US and Spain. Increasing employment in a sustainable way today could more than pay for itself if people who would otherwise drop out of the workforce earn incomes. However, the past build-up of debt in now depressed areas may suggest that demand was too high relative to incomes. If so, demand, without the dangerous stimulant of borrowing, will stay weak. Policy should instead help workers move where there are suitable jobs – for instance, by helping them offload their homes and the associated debt without the stigma of default. Employment is also lower in states that experienced a housebuilding bust. In these states, unemployment is higher among construction workers and in related jobs such as real estate brokerage. Could big publicly funded infrastructure projects, modelled on those in the 1930s, re-employ them? Possibly not, since today’s built-up US is less in need of infrastructure on that scale. Moreover, it is not clear that a worker used to putting up drywall can move easily to laying fibre-optic cable. Perhaps it would be better policy to support retraining for private jobs. Japan, which had a huge property boom and bust in the late 1980s, provides a salutary warning of the difficulties of stimulus through infrastructure spending. Even though Japan covered much of the country with concrete, it never fully emerged from the crisis. For the Japanese, the long run has arrived, and they are older, fewer and have the highest government debt in the G7. The US government can still spend. The UK is more on the margin. With a huge financial sector dependent on the government’s financial standing, it can take fewer chances with its finances. Austerity is painful, which is why austerity tomorrow is not credible. Yet shared tax increases and spending cuts can instil a sense of national purpose to help a country weather tough times. For Greece, government spending is the problem, not the solution. A responsible government would implement judicious austerity, firing the party hacks who were hired in the go-go years, cutting wages and pensions and restructuring itself to collect taxes and provide useful services, even while retaining transfers to the indigent and elderly. As public sector workers share the private sector’s pain, national solidarity could improve. Also, improved government efficiency and other structural reforms will make it easier for Europe to provide the financing that will prevent even more savage cuts to government functions. And it will make it easier to write down Greek debt further and attract private investment, giving people hope of growth. Targeted government spending, or reduced austerity, along the lines suggested by sensible Keynesians, might be feasible in some countries and helpful in speeding recovery. But we should examine each policy based on a country’s circumstances. We should be particularly wary of populist Keynesians, who parrot “in the long run we are dead” to justify any short-sighted government action. They do the world a disservice by suggesting there are easy ways out. By misleading people and their leaders, they may well precipitate revolution rather than recovery.

Sachsida sobre a nova rodada de heterodoxisses.

Leiam aqui.
Não sei o que é pior, o Mantega ser corrupto e adotar tais medidas puramente pq foi comprado pelos setores ajudados ou se ele é burro o suficiente para acreditar que isso funciona.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Mais uma rodada de heterodoxisses.

Guido Mantega anuncia mais uma rodada de heterodoxisses.
Isso vai dar merda!!! E quando der (inflação com baixo crescimento, demissões nos setores superaquecidos pelas heterodoxisses do nosso governo), os heterodoxos vão botar a culpa em quem???!!! Meu palpite é que vão culpar os banqueiros gananciosos que vão restringir crédito e patrões malvados das indústrias distorcidas pelo governo.....
E outra, será que não veem que redução de impostos desse jeito somente adianta o consumo de bens duráveis??!! Pq acham que o consumo desses bens caiu tão fortemente??? Será que não foi pq que muita gente já trocou de carro nos estímulos anteriores??? O governo vai continuar estimulando até que todo mundo troque de carro???? Daqui a pouco estaremos adotando as medidas que os EUA adotaram no começo da crise, o governo vai incentivar vc a destrui seu carro e te dar um cheque para comprar um novo!!! olha como isso funcionou nos EUA....

domingo, 20 de maio de 2012

A Itália está salva!!!

Todos os keynesianos sabem como desastres naturais e destruição em massa são benéficos para a economia, pois, como é óbvio e só os ortodoxos malvados e sem coração não veem, há um grande aumento da demanda para reconstrução que, através do efeito multiplicador, se espalha por todos os setores da economia trazendo renda e emprego para o país com sorte de ter sido desolado por um terremoto ou que sabiamente se engajou em uma guerra. Pois bem, o país sortudo da vez é a Itália. Um terremoto de 5,9 atingiu o norte da Itália, mas os italianos devem comemorar!!! Deviam apenas ficar tristes por não ter sido um terremoto mais forte, mas quem sabe, com muita sorte, eles não atingidos por um terremoto de 9,5 graus?!!
Para aqueles que acreditam que estou descaracterizando a visão keynesiana, vejam a opinião de Krugman sobre:
Os atentados terroristas de 11 de setembro.
O Furacão Irene.
O que ajudaria a acabar com crise nos EUA.

Quem disse que os marxistas não sabem derivar?

sábado, 19 de maio de 2012

ADRENALINE MOB - Indifferent

Russel Allen é um monstro.

Keynes vs Hayek.

Jared Diamond e Acemoglu estão errados!!!

Economistas têm sempre tentado entender porque alguns países são tão ricos enquanto outros são tão pobres (quantos papers começam com tal frase?!). Há duas respostas dominantes: a hipótese da geografia, liderada por Jared Diamond, defende que diferenças nas dotações de recursos naturais (plantas e animais domesticaveis) influenciaram a produtividade e, consequentemente, a capacidade de introduzir inovações, inclusive institucionais, que permitiram um maior enriquecimento e dominação sobre civilizações com menor qualidade de recursos naturais; a segunda tem seumaior expoente em Acemoglu e defende que, mesmo nos tempos antigos, o arranjo institucional é o fator principal para explicar a riquezas das nações, pois cria a estrutura de incentivos sobre a qual os indivíduos tomam suas decisões.
Pois bem, segundo nossos economistas excêntricos/alternativos/diferentes/heterodoxos, ambos estão completamente enganados!!! O verdadeiro fator determinando da riqueza de uma nação é o câmbio!!!! O que seria dos sumérios se não tivessem desvalorizado seu câmbio??? Os egipcios teriam conseguido prosperar sem a desvalorização do câmbio???? Com certeza, a Grécia não teria sido engolida pelo império romano se tivesse desvalorizado para fomentar suas exportações e permitir ganhos de escala nos encadeamentos para frente e para trás de sua indústria nascente!!!
Alguém avisa o Diamond e o Acemoglu que a questão que ambos se dedicam tão intensamente já foi plenamente respondida por economistas brasileiros.
Pobres gringos, já é 2012 e ainda não conhecem a iluminação das teorias keynesianas e cepalinas.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Sobre as medidas heterodoxas.

Segue abaixo uma respota dada a um leitor em post antigo. Resolvi colocar novamente pq o assunto está na moda. Lembrem de que o isso foi escrito a mais de um ano atrás.
Operações no cambio não resolvem, pois uma vez que o cambio desvalorizado fomenta as exportações, o pagamento recebido por es...tas tende a valorizar novamente o real. Assim, só é possível manter a competitividade baseada no cambio desvalorizado se o governo tiver condições de manter a situação comprando cada vez mais dólares. Dada à escassez de poupança interna, o governo não pode proceder como a China e tem basicamente duas opções: ou emite títulos e os vende ao banco central para usar esses reais para comprar dólares (insustentável pois o real não é moeda de reserva e a inflação seria brutal) ou arcar com os altíssimos custos fiscais de emprestar do público para comprar os dólares extras (o que vem fazendo hj, mas os custos de carregar reservas é brutal dado a grande diferenças entre os juros internos e aqueles recebidos nas melhores opções de esterilização). As outras tentativas de manter o real desvalorizado não passam de enxugar gelo. Enquanto os grandes BCs não terminarem o QE e os nossos juros não diminuírem a valorização não vai melhorar. Além de tudo, desvalorizar o câmbio diminui a riqueza real do país, uma vez que parte dessa tem a ver com o poder de compra do brasileiro em termos de produtos importados. Da mesma forma, impor tarifas às importações também não funciona, basicamente, por três motivos: como sustenta o teorema da assimetria de Lerner, em prazos longos, tarifas às importações são equivalentes às tarifas sobre exportações, pois o valor das importações se iguala ao valor das exportações (não faz sentido ter balança positiva eternamente e balança negativa muito menos); taxar importações não melhora nossa competividade em outros mercados (não podemos impedir os italianos de comprarem sapatos chineses para que comprem os nossos); colocar impostos diminui a competição e os incentivos às empresas nacionais para inovar e aumentar eficiência e produtividade. Este último ponto é muito claro para mim, não acho que a proteção para indústria nacional funcione de forma positiva. Muita gente parece acreditar que sim. Não q eu ache a situação da indústria nacional seja boa. Eu sei que o cambio é um sério problema. No entanto, vejo uma solução diferente. Cortar impostos da folha de pagamento pode ser uma saída enquanto as reformas e o investimento em infraestrutura e inovação não vêm (ideia do seu odiado Samuel Pessoa). Mas o governo precisaria cortar gastos também, do contrário teria que aumentar a divida (efeitos de crowding out, juros subiriam e atraíra ainda mais dólares) ou aumentar impostos (ruim também). As reformas são extremamente necessárias. Apenas não acredito nenhum pouco na capacidade do governo em coordenar as atividades produtivas. Resumidamente, eu não acredito que os formuladores de politica econômica são deuses na terra, isto é, são completamente racionais e detêm toda a informação necessária sobre todos os setores da economia e, assim, sabem exatamente quanto dinheiro precisa ser investido em cada projeto, em cada setor, tem uma capacidade de cognição infinita que os permite coordenar todos os projetos simultaneamente e o pior, o que os formuladores são isentos de qualquer propensão à corrupção e incapazes se utilizar as ferramentas que possuem para garantir popularidade e ganhar a próxima eleição (qualquer semelhança com os argumentos de Hazlitt não é nem de longe mera coincidência)

Uma estratégia de desenvolvimento.

Economistas heterodoxos não se cansam de argumentar que precisamos de uma estratégia de desenvolvimento....
Pois bem, aqui vai a minha estratégia de desenvolvimento. O encontro anual da AKB está para acontecer e o governo deveria financiar tal encontro em navio luxuoso com direito a uma parada em uma ilha paradisíaca e deserta no Caribe (aposto que eles iriam adorar tal estímulo). Seria ótimo para o desenvolvimento do país se todos akbistas fossem deixados em tal ilha para sempre.
Perfeito não é???!!! Duvido que alguém tenha melhor estratégia que essa!!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

As novas metas por Pedro Ferreira e Renato Fragelli.

Desde meados de 2011, uma nova política econômica vem sendo implantada, afastando-se do bem-sucedido tripé formado pela meta de inflação, câmbio flexível e meta de superávit primário que vigorou desde 1999. A mudança iniciou-se com reduções mais arrojadas da taxa Selic, que passou de 12,5% ao ano para os atuais 9%, mesmo diante de um consenso de mercado de que o centro da meta (4,5%) não seria alcançado. Na política cambial, a fim de se forçar a desvalorização do real, elevou-se o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de capitais para 6%, reduzindo-se a atratividade de aplicações em moeda doméstica, bem como intensificaram-se as compras de reservas pelo Banco Central. A novidade mais recente na política econômica foi a pressão do Planalto sobre os bancos estatais para reduzirem suas taxas de empréstimos. Do antigo tripé, somente o superávit primário de 3% do PIB parece ainda subsistir, embora sua obtenção dependa crescentemente de receitas extraordinárias e até imaginárias, como depósitos judiciais ainda pendentes de deliberação final da Justiça. Num momento em que a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) patina, devendo ficar abaixo de 3% em 2012, o objetivo da política de juros adotada é incentivar o consumo e o investimento. Embora não seja uma taxa baixa frente à experiência recente, está muito aquém do desejo do governo que ainda sonha com os 4,4% ao ano que caracterizaram em média os anos de bonança do governo Lula. Para isto ele empenha todas as armas de seu arsenal. Até o momento, a agressiva redução da taxa Selic não comprometeu o controle da inflação, embora as previsões para 2013 sejam menos otimistas. Mas o fato de as taxas de juros reais de longo prazo terem também caído abaixo de 5% ao ano indica alguma confiança em que o país caminha para taxas reais de equilíbrio permanentemente mais baixas. Do antigo tripé macroeconômico somente o superávit primário de 3% do PIB parece ainda subsistir A utilização dos bancos públicos para liderar a redução dos juros sobre empréstimos pode ser entendida como uma tentativa de empurrar um mercado oligopolizado na direção de um comportamento mais competitivo. Em princípio, quando dois grandes players, como a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco do Brasil (BB), baixam coordenadamente suas taxas de empréstimos, pode-se potencialmente gerar um novo equilíbrio com spreads bancários mais baixos. Em que pese o fato de a estratégia prejudicar os acionistas privados do Banco do Brasil, cumpre reconhecer que bancos públicos não deveriam se comportar como os privados que se guiam pela maximização de lucros, mas ter como objetivo maximizar o bem-estar da sociedade. Se a manobra for bem-sucedida, os ganhos para a sociedade podem suplantar as perdas. Mas a agressiva ênfase na redução das taxas de juros envolve riscos. Até o final de 2010, a política monetária tinha como objetivo coordenar as expectativas inflacionárias. Choques de oferta desviavam temporariamente as expectativas inflacionárias de curto prazo do centro da meta, mas a credibilidade do Banco Central era evidenciada pelo fato de as previsões com prazo mais extenso se situarem em torno de 4,5% ao ano. A nova política econômica aparentemente definiu novos parâmetros: uma meta para a taxa nominal de câmbio - será que R$ 2,00 satisfaz os industriais? - e outra para a taxa de juros de empréstimos bancários, enquanto o Banco Central parece considerar a sua tarefa cumprida quando a taxa de inflação não supera 6,5% ao ano, isto é, o topo da meta. Quem hoje crê que a inflação dos próximos 36 meses ou 48 meses ficará em 4,5% ao ano? A previsão mais popular está algo em torno de 5,5%. Este cenário poderá levar os agentes econômicos a tomarem medidas mais defensivas (por exemplo, maiores reajustes de preços) frente a aumentos futuros da incerteza econômica, o que elevará consideravelmente o custo das políticas anti-inflacionárias. Há perigos também no uso dos bancos públicos para redução dos juros. A CEF já carrega em seu portfólio 100% dos empréstimos imobiliários à baixa renda. São devedores de alto risco. Além disso, a expansão agressiva do crédito durante a crise de 2008 necessariamente implica em devedores selecionados com menos cautela. A preservação dos spreads, apesar da queda da taxa Selic, bem como o aumento recente da inadimplência bancária, são sintomas de que a qualidade da carteira do sistema bancário piorou. Mesmo baixando suas taxas de empréstimos, os bancos privados terão uma seletividade maior que os públicos. Estes tendem a ficar com os tomadores mais arriscados. Qualquer choque negativo implicará em aumento adicional da inadimplência e no abalo da saúde financeira da Caixa e BB. Como o governo não vai permitir que eles quebrem, ou mesmo que cheguem perto disto, pode-se prever no futuro vultosos aportes do Tesouro a esses bancos. Isto já ocorreu no passado e a conta para os contribuintes foi sempre salgada. O elevado crescimento dos anos Lula resultou parcialmente da combinação das reformas implantadas por FHC com os termos de troca favoráveis ao Brasil. Esses frutos já foram colhidos. Desde a interrupção das reformas institucionais desencadeada pela crise do mensalão, a única mudança significativa implantada pelo governo PT foi o fundo de pensão dos servidores, mesmo assim somente para novos servidores. Não será mudando o que deu certo desde 1999, e arranhando a credibilidade do Banco Central que o crescimento estável será alcançado. Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli Cardoso são professores da pós-graduação da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (EPGE-FGV).