sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Krugman sobre Friedman.

O Krugman vem batendo muito na tecla de que o Friedman seria a favor do QE2 se estivesse vivo. Eu duvido muito disso por dois motivos:
1º- Friedman sabia muito bem que as políticas econômicas enfrentavam hiatos de tempo desde quando o problema é percebido, a decisão é tomada e os efeitos desta se manifestarem. Assim, Friedman sabia que o fine tunning é uma falácia, ou seja, é impossível controlar perfeitamente os efeitos das decisões tomadas. Caso a inflação se tornar forte, pode não ser possível tomar controle. Friedman não apoiaria tal medida discricionária.
2º Friedman somente enfatizou tanto o papel do enxugamento monetário grande depressão porque houve cartelização dos salários (as empresas não poderiam reduzir os salários, mas com isso ganhariam monopólios do governo, primeiro no governo Houve e depois com o New Deal do keynesiano Roosevelt). O controle dos salários e o enxugamento monetário fizeram com o salário real aumentasse demais levando ao desemprego e conseqüentemente à queda de produtividade, enfim, à depressão. Além disso, a própria decisão de enxugar a oferta de moeda é uma medida discricionária que o Friedman via com tanto perigo, assim, ao criticar o FED por ter feito o q fez não significa que o Friedman gostaria de ligar as impressoras do FED no máximo, significa apenas que o banco central americano não deveria ter tomado tal atitude e, talvez no máximo, significa que a oferta deveria ter aumentado um pouco para evitar o brutal aumento do salário real ocorrido na época.

UPDATE: Para quem saber mais sobre o papel do controle dos salários na grande depressão eu recomendo a leitura de dois artigos:

http://ideas.repec.org/p/nbr/nberwo/15258.html

http://ideas.repec.org/p/fip/fedmwp/597.html