quarta-feira, 30 de junho de 2010

Uma mensagem aos meus amigos comunistas.

Estava lendo esse paper e achei esse trecho extremamente interessante.

"Once we accept that institutions, especially bad ones, may not be very persistent without the underlying power structures holding them in place, it becomes easier to understand why we have seen such extraordinary change in countries that were under the yoke of communism. While the years spent under communism may have affected peoples’ attitudes somewhat (see Alesina and Fuchs- Schudeln (2005)), the speed with which socialist institutions were replaced by market institutions does not speak highly of the durability of the former. We would argue that one of the virtues of communism is a very strong emphasis on education, and this creates the broad constituencies that can press for market reforms once the stranglehold of the nomenklatura is broken. Ironically, instead of capitalism containing the seeds of its own destruction, the seeds for flourishing capitalism have been nurtured in the soil of communism. Capitalism may well be the final stage of communism!"

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ron Paul X Bernanke

Ron é um estudioso da escola austríaca de economia.



Prestem atenção no que Ron Paul chama de inflação, não é o aumento dos preços, que é a consequencia da verdadeira inflação, isto é, do aumento da base monetária.

Esse video complementa o tópico anterior.

sábado, 19 de junho de 2010

Onde está o dinheiro?

Excelente pergunta feita pelo Adolfo Sachsida.


Só para lembrar, foi assim que começou o problema do subprime nos EUA. O FED imprimindo dinheiro a rodo, as taxas reais lá embaixo e o Greesnpan sendo louvado porque não havia sinais de inflação. O que aconteceu foi que a farra monetária foi direcionada para o mercado imobiliário e os índices de preços não mostravam porque os imóveis não eram importantes na formação do índice. Tais índices, mesmo os mais sofisticados, são uma medida grosseira dos preços da economia. Inflação deveria ser medida pela taxa de aumento da oferta monetária, por essa medida, os EUA tiveram uma média de 21% de inflação nos anos Greenspan.

Joseph Stiglitz sobre a crise.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Mais Dream Theater.

Para vocês a maravilhosa The Dance of Eternity.


Essa é cabulosa demais. Ytse Jam.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dream Theater - The Dark Eternal Night.

Quem gosta de boa música vai gostar desse video!


Eu acho o som da caixa do Portnoy muito feio. Prestam atenção no som da caixa no intervalo 0:59 e 1:08, parece que batendo naquelas latas de tinta.

Polarização. Capitalismo democrático X Capitalismo estatal.

Artigo muito interessante.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Krugman de novo.

Fiz um post esses dias atrás sobre o Paul Krugmam. Minha critica foi contra o discurso dele de que as consolidações fiscais sempre trazem recessão e desemprego. Coloquei alguns exemplos de contrações fiscais expansionistas e expansões fiscais contracionistas e deixei claro que não há concenso na literatura, isto é, existem condições que prevalecem efeitos keynesianos (multiplicadores maiores que 1) ou fracamente keynesiano (multiplicadores entre 0 e 1) e situações onde prevalecem efeitos nulos (multiplicadores nulo) ou efeitos não-keynesianos (multiplicadores negaivos).
Pois bem, parece que alguem fez a mesma critica e o Krugman fez um post meio que se retrando. Para quem está familiarizado com o nobelista de 2008 sabe que seu jeito de se retratar é bem peculiar.

"So yes, you can boost your economy with fiscal austerity, as long as you also devalue your currency and sharply reduce interest rates; also, incantations will destroy a flock of sheep, if administered with a sufficient portion of arsenic."

Não somente nessas condições é possivel acontecer um ajuste fiscal expansionista. Outra situação ocorre quando há um aumento da renda disponível decorrente dos menores impostos futuros, mesmo que o cambio permaneça constante e a taxa de juros também, se os impostos cortados forem distorcivos, é possível haver um boom decorrente da consolidação fiscal.
Além do fato de ser extramamente difícil identificar quando efeitos keynesianos prevalecerão, há outras complicações relacionadas com o tempo. Quanto tempo até que as medidas façam efeito?? Por quanto tempo terão efeito sobre a economia?? Quais serão as condições econômicas quando e durante o tempo em que as medidas estarão fazendo efeito??

É um assunto muito complicado....

terça-feira, 15 de junho de 2010

Paul Krugman sobre as medidas ortodoxas.

Parece que o ganhador do Nobel de 2008 não está nenhum pouco satisfeito com a austeridade fiscal que está se desenhando nos países europeus.

Diz ele:
"...a reason to raise interest rates even in the face of high unemployment and incipient deflation..."

E dai??? Paul Krugman é tão perdido no seu vasto conhecimento que nem se preocupa em verificar o que a literatura tem a dizer sobre o assunto. Não é tão obvio assim que contrações fiscais levem à recessão e desemprego. São exemplos de experiências de “contrações fiscais expansionistas” a Dinamarca em 1983-86, a Irlanda em 1986-89, a Grécia em 1990-94 e a Suécia em 1986-87. Por outro lado, existem também exemplos de “expansões fiscais contracionistas” como a Suécia em 1990-93, a Finlândia em 1977-80 e 1990-92, a Suécia em 1977-79, o Japão em 1990-94 e a Austrália em 1990-94. A literatura mostra que existem condições específicas para que efeitos keynesianos prevaleçam, isto é, não é regra que diminuir gastos traz recessão e desemprego. Estou com preguiça de entrar no assunto, mas tem o problema das modificações na estrutura de produção acarretadas por manipulações, e se a estrutura criada a partir dos incentivos não for ótima no longo prazo? Eu respondo: será necessário um ajuste da estrutura, isto é, recessão!
Além disso aumentar os juros e cortar gastos agora pode diminuir a curva de juros de longo prazo( pasmem os pós-keynesianos!!!!).

O Krugman, se você tiver um tempinho livre, dá uma lida nesse paper?

sábado, 12 de junho de 2010

Entrevista com Peter Schiff.

Peter é um profundo conhecedor da escola austríaca da economia.

Se alguem me perguntasse: qual o post mais relevantes do seu blog, isto é, se eu tivesse que escolher somente um post de todos que existem no seu blog, qual você me indicaria?
Eu responderia: com certeza é este!.

Eu realmente aconselho que todos vejam essa entrevista, eu sei que é grande, mas vale a pena! Assista aos poucos se for o caso.








Quem tem medo da educação? Por Claúdio Haddad.

Excelente artigo, um pouco antigo, mas ainda sim vale muito a pena ler.

Produtividade e Instituições: Porque algumas nações são ricas e outras são pobres?

Outro texto que fiz para minha aula de finanças públicas.

O motivo pelo qual algumas nações são tão ricas e outras são tão pobres intriga economistas desde muito tempo atrás. Os dados mostram que tais disparidades sempre existiram, mas que se intensificaram na era industrial, ou seja, algumas características que eram essenciais para a prosperidade dentro da era industrial existiam em alguns países, mas em outros tais características eram fracas ou mesmo inexistentes. Como medida para prosperidade, a partir da teoria neoclássica dos salários, a maioria dos papers utiliza a produtividade total dos fatores (PTF), pois tal medida é parcimoniosa, isto é, aumento na renda dos trabalhadores que estejam acima do aumento de sua produtividade é insustentável, pois é inflacionária e um aumento na renda menor que o aumento da produtividade é obtido por um aumento no lucro normal, o que também é insustentável. Portanto é conveniente utilizar a PTF para mensurar ganhos reais de prosperidade em uma nação. Basicamente, a PTF é a parte do produto total da economia que não é explicada nem pelo montante de máquinas e equipamentos (capital físico), nem pela qualidade da força de trabalho de um dado país (seu capital humano). Colocado de outra forma, toda diferença nos níveis de PIB entre países não explicada pelos insumos de produção tradicionais é amontoada na rubrica “produtividade total dos fatores”. Tal metodologia surgiu a partir do trabalho de Robert Solow nos anos 50 e está no mainstream econômico desde então.
Identificando a relação entre a PTF e crescimento econômico, resta tentar identificar o motivo pelo qual a produtividade varia tanto entre os países. Vou refutar primeiro a teoria de que é o nível de investimento que determina a PTF. Na verdade, essa é uma tarefa fácil devido à própria natureza endógena do investimento, este que é determinado conjuntamente com varias outras variáveis endógenas como os juros reais, o consumo e a poupança dentro de um sistema de equilíbrio geral (as linhas keynesianas de pensamento discordariam comigo, já que para eles não há mecanismos de feedback entre as variáveis econômicas, tudo é autonomo). A resposta então só pode vir de uma variável que é determinada fora do sistema, uma variável exógena que afete a PTF e assim afete positivamente os fatores endógenos. Percebe-se então que é o aumento da PTF que gera um aumento do investimento, o que é bastante lógico já que o próprio aumento da produtividade libera capital para ser investido em outras áreas.
Acredito que resposta na diferença entre as instituições existentes nos países. As instituições são bem entendidas aqui como as regras do jogo econômico, ou seja, as diretrizes pelas quais os agentes tomam suas decisões e envolvem desde politicas comerciais até o sistema judiciário. Olhando para o passado vemos que os países que adotaram as instituições capitalistas tiveram maiores taxas de crescimento da PTF, aos marxistas que defendem que o capitalismo só prosperou devido à tecnologia (está dentro da PTF) resta reconhecer que foi o capitalismo que gerou a tecnologia, parafraseando Mises.
Resta descobrir quais são as instituições que afetam positivamente a PTF. A melhor resposta é muito antiga e pode ser encontrada na obra de Adam Smith de 1776. Smith foi muito claro em análise sobre a natureza da riqueza das nações defendendo que a produtividade vem da divisão de trabalho dentro de um cenário de competição e que o papel dos governos é garantir a integridade da propriedade privada e também garantir que os empresários e especuladores ganhem dinheiro. As nações que seguiram o conselho de Smith tiveram os melhores resultados.
Com o aumento da complexidade do sistema econômico, vários autores identificaram novos mecanismos pelos quais as instituições afetam a PTF, ainda que tenham a mesma essência das propostas de Smith. Vejamos algumas delas:
• Abertura econômica: dentro de um contexto de comercio internacional, a divisão do trabalho só pode atingir seu máximo quando todas as nações produzem os bens em que são mais eficientes e importando os bens que não produzem ao menor custo possível. Politicas comercias restritivas atrapalham esse objetivo, pois o país acaba tendo que produzir bens os quais poderia obter a custos menores se praticasse livre comercio internacional. Além disso, restrições comerciais impedem o país de se aproveitar das externalidades positivas das tecnologias de países mais avançados. A abertura econômica ocorrida no Brasil no começo dos anos 90 prova a importância da divisão do trabalho na PTF. Todas as medidas de produtividade tiveram um forte aumento no período.
• Respeito aos contratos: mesmo dentro de um país a divisão do trabalho pode não alcançar seu nível máximo. Se houver muita incerteza quanto às trocas de mercado, as empresas podem escolher não negociar. Os contratos servem para minimizar as incertezas, mas se estes não respeitados e não há nenhuma ação das instituições para coibir isso, os agentes respondem não negociando com estranhos simplesmente por falta de confiança.
• Proteção à propriedade: qualquer forma de propriedade privada precisa ser plenamente respeitada. Os agentes não investiram capital onde há o risco de expropriação de seus esforços.
• Estado mínimo: a ineficiência de um estado desnecessariamente grande atrapalha a economia. Isso ocorre porque o objetivo dos políticos não é o mesmo da sociedade, ou seja, é um problema agente-principal. Sendo assim, é melhor que o estado seja pequeno para que o resultado desse problema não seja grande.

Depois de identificar quais instituições são benéficas, é necessário identificar os motivos pelos quais as más instituições tendem a persistir e também o que fazer para mudar a situação. Sendo que as instituições são exógenas e grande parte destas é determinada pelas ações dos políticos, é plausível imaginar que o problema esteja no próprio processo politico. Os políticos, ao buscarem seus objetivos próprios, tendem a favorecer grupos de interesses em troca de benefícios como votos e doações para campanhas. Tal situação é benéfica para o politico que consegue maximizar suas chances de se eleger e também para os grupos de interesses que ganham proteção contra competição, mas para a sociedade como um todo o resultado é perverso.
Para o caso brasileiro, acredito que algumas mudanças precisam de prioridade:
• O sistema eleitoral distrital: nesse sistema, os distritos eleitorais são bem menores que os estados e os políticos são eleitos por maioria. Ganha quem recebe mais votos na zona do Distrito e ponto final. Portanto, ninguém se elege com quantidade pífia de votos, o eleitor precisa analisar um número bem menor de candidatos, as campanhas são mais baratas (pois se restringem ao Distrito) e, mais importante, eleito e eleitor ficam muito mais próximos um do outro. Esta aproximação aumenta a fiscalização e, consequentemente, os incentivos do eleito a agir em concordância com as vontades dos eleitores. No sistema Distrital, o político não precisa conquistar o apoio de grandes grupos dispersos, mas sim do eleitor local, do seu distrito. Em vista disto, a influência de associações de classe, de grupos de interesse dispersos, sobre sua plataforma político-eleitoral é menor do que no caso da votação via sistema Proporcional. Uma consequência direta disto é que os grandes gastos públicos que beneficiam grupos amplos, mas dispersos (como, por exemplo, o gasto previdenciário) são menores nos países que adotam este sistema eleitoral.
• Agências reguladoras independentes: deve-se privatizar tudo que for possível, pois o mercado é sempre mais eficiente que o estado. No entanto, o governo deve-se preocupar em manter sua agenda clássica, isto é, deve se preocupar em corrigir as falhas de mercado. O poder de monopólio é perverso para a sociedade e deve ser controlado, mas não gerido pelo estado. Para tanto, devem ser criadas agências reguladoras independentes do governo, isto é, devem ser órgão de estado e não de governo. A agência reguladora deve ter independência para buscar a conciliação da manutenção dos lucros privados com preços não abusivos aos consumidores.
A literatura sobre o assunto é muito vasta, mas as conclusões são comuns. É claro o que devemos fazer para que o Brasil se torne um país rico, mas é também claro que as forças contrárias são muito fortes.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mankiw - Contradição!

Carta de Mankiw a Bernanke.
"Of course, you have big shoes to fill. Alan Greenspan is widely acknowledged to
have been a superb Fed chairman. Alan Blinder and Ricardo Reis (2005) may even prove
right in their judgment of Greenspan as “the greatest central banker who ever lived.” His tenure exhibited low and stable inflation, as well as robust and stable growth in
production and employment."

As vezes não da para entender o Mankiw!

EUA no caminho da servidão?

Eu acredito que sim. Os americanos estão fazendo escolhas erradas e o medo de Hayek pode se tornar realidade.

Russel Allen cover.

O cara é realmente muito bom. Claro que ainda está distante do Russel, mas vale a pena ver.


Faltou os drives poderosos, a marca registrada do Russel!!!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O tamanho e o crescimento dos governos.

Fiz esse texto para minha aula de Finanças Públicas.

É fato inegável que os governos têm crescido nas ultimas décadas, principalmente depois da 2ª Grande Guerra Mundial. Nos Estados Unidos, por exemplo, o orçamento governamental como proporção do PIB era de apenas 10% até o início da 1ª Grande Guerra Mundial, em 1949 o orçamento já beirava os 25% do PIB. O resto do mundo também experimentou esse fenômeno. A partir dos anos 60, a Europa conheceu um aumento absurdo do tamanho de seus governos, que em alguns países ultrapassou os 50% do PIB.
Os mesmos motivos que explicam a necessidade de existência do governo devem também explicar seu aumento no século XX. Vamos analisar alguns:
• Corrigir falhas de mercado: qualquer livro de introdução à economia tem um capítulo dedicado a explicar em quais circunstâncias os mercados podem falhar. O crescimento, como proporção do PIB, do governo pode ter acontecido porque os mercados começaram a falhar mais com o aumento da complexidade da economia. Essa hipótese parece coerente, mas não podemos subestimar a capacidade do mercado em se sofisticar, se fizermos isso estaremos cometendo o mesmo de erro de Marx.
• Preferência dos votantes: é a explicação mais básica. Estando em um ambiente democrático, se os governos são maiores que antes é porque a população mudou de preferência.
• Aumento da renda: poderia acontecer se a elasticidade-renda da demanda por bens públicos fosse maior do que um. Teoricamente essa hipótese não é robusta, pois a medida que os indivíduos ficam mais ricos é natural que dependam menos do governo e de seus serviços. Isso ocorre por que aumentos da renda diminuem os custos de oportunidade e assim as pessoas aumentam suas opções e tendem a preferir os serviços privados aos serviços públicos. Testes estatísticos também refutam essa hipótese, na verdade parecem indicar que o que ocorre é exatamente o contrário, a demanda por serviços públicos é maior em países pobres.
• Efeito Baumol: os custos dos serviços públicos tendem somente a aumentar. Na verdade, o problema é mais complexo. Por exemplo, o custo de atendimento ao paciente médio tem aumentado constantemente ao longo dos tempos. Esse é o efeito Baumol que faz os governos aumentarem, mas essa análise esta incompleta. Os custos aumentam porque o bem oferecido não é o mesmo, é melhor. O custo, hoje, de um atendimento da qualidade do ano de 1960 é muito menor do que era na época, há ganhos de produtividade se mantermos a qualidade do atendimento constante. Os custos por paciente sobem porque a saúde é um setor de capital humano intensivo não importando o nível da tecnologia existente, o avanço desta juntamente com os avanços na qualidade dos profissionais da medicina melhoram a qualidade do atendimento médio, mas fazem os custos aumentarem. O mesmo é válido para a segurança pública.
• A demanda por distribuição de renda: há diversos estudos que demonstram que a renda relativa é mais importante do que a renda absoluta para determinar o bem estar dos indivíduos, em outras palavras, as pessoas preferem que todos estejam na merda a que alguns prosperem e outros não. A hipótese de que o governo cresce porque a demanda por redistribuição cresce é plausível, pois qualquer ação do governo tem caráter redistributivo, mas não está claro a direção da causalidade.
• Atuação de grupos de interesse: essa hipótese vem da regra democrática de decisão por maioria aliada ao fato de que os custos das ações públicas são dispersos. Pensando em uma economia com 100 agentes, se 51 destes desejam uma obra e 49 não, a obra será realizada e o custo será rateado entre os 100 agentes mesmo que somente 51 se beneficiem. Essa lógica de custos dispersos levam os grupos de interesse a se organizarem para buscar ações que lhes sejam benéficas, dividindo os custos com toda a população. A atuação dos vários grupos de interesses faz o governo aumentar porque o numero e o poder desses grupos aumenta conforme a economia se torna mais complexa.
• Burocracia: há intermediários entre as decisões politicas e provisões dos serviços públicos. Os burocratas são agentes independentes do governo que possuem seus próprios interesses, maximizar a verba para seu setor, e nem sempre prezam pela eficiência econômica. A busca por maiores orçamentos pode levar ao aumento do tamanho do governo.
• Ilusão fiscal: é a hipótese de que o governo pode enganar os cidadãos sobre o real tamanho do governo. O Governo pode se financiar por divida e não somente por impostos. Sendo assim, as pessoas, por não terem os impostos aumentados, podem ter a falsa impressão de que o governo está do mesmo tamanho. Essa hipótese depende da transparência das contas do governo e também se os agentes atuam por expectativas racionais.
• Sufrágio universal: essa é talvez a variável mais importante que determina o crescimento do governo. Quanto mais universal é o voto, maior o número de pessoas de baixa renda votando, e são exatamente esses os que demandam um governo maior. Usando o modelo do eleitor médio, a expansão do voto traz o eleitor médio para demandar maiores orçamentos públicos. Outro fato importante é a expansão do voto às mulheres, estas tendem a demandar maiores orçamentos públicos se comparadas com os homens de mesma renda. Isso ocorre porque as mulheres têm menos qualificações que os homens devidos às outras atividades socialmente exercidas pelas mulheres como, por exemplo, cuidar da casa e dos filhos. O casamento traz mais custos de oportunidade para as mulheres do que para os homens.


As razões apresentadas acima são as encontradas na literatura clássica sobre crescimento de governos. Vou apresentar agora as minhas teorias sobre o assunto:
• O surgimento do Keynesianismo: é inegável que a teoria de Keynes deu suporte para um governo maior. Antes disso havia muita fé no mercado e o governo era pequeno porque as pessoas demandavam o mercado. Com a Teoria Geral de 1936, o aumento da participação estatal na economia foi ganhando forças, pois além dos argumentos em favor da intervenção estatal, a economia mundial passava por uma época de crise e sendo que o ser humano adora se isentar de erros, o mercado foi visto como vilão, isto é, a culpa de todas as mazelas do mundo é do livre mercado. Além da fundamentação teórica frágil, a teoria keynesiana potencializou o poder dos políticos em intervir na economia, estes que há muito tempo desejavam se armar das forças econômicas para atingir seus objetivos próprios, o máximo número de votos e manutenção poder. Essa janela aberta aos interesses políticos em detrimento dos interesses econômicos é, em minha opinião, o pior legado deixado pelo keynesianismo. A coordenação econômica ganhou forças nas décadas posteriores e a população, com sua visão míope, demandava cada vez mais intervenção estatal acreditando que o estado pode ser mais eficiente que o mercado. Vale lembrar que a guerra mundial ocorrida no período também foi essencial para a disseminação das teorias de Keynes. O esforço de guerra foi tido com um sucesso, pois retirou a economia americana da recessão. O problema é que o esforço de guerra é a única situação em que é realmente desejável a coordenação pelo governo, já que em tempos de paz, coordenar todas as atividades da economia para os mais variados fins não é tão simples como quando se tem apenas um objetivo, produzir o máximo de bens bélicos. Minha teoria nunca foi testada empiricamente, mas alguns há alguns fatos que a fortalecem. Por exemplo, as series temporais sobre o crescimento dos governos mostram que essa tendência de crescimento se reverteu durante os anos 70 e 80 e foi nessa mesma época que economistas como Robert Barro, Eduard Prescott, Robert Lucas e Milton Friedman lideraram a revolução novo-clássica que vinha para derrubar o keynesianismo do mainstrean da economia. Fenômenos com a estagnaflação ocorrida nos anos 60 eram impensáveis dentro da moldura keynesiana e a resposta dessa escola aos problemas só pioravam a situação. Duas teorias foram fulminantes ao keynesianismo: a teoria das Expectativas Racionais e a hipótese da taxa natural de desemprego. A revolução novo-clássica restabeleceu a fé nos mercados e desmitificou a visão romântica da atuação dos governos na economia. É claro que casualidade não implica causalidade, mas é no mínimo uma coincidência interessante.
• A criação dos Bancos Centrais: durante todo o padrão ouro clássico não houve crises fiscais graves nos países centrais, pois os governos não podiam financiar seus gastos a partir de emissão monetária, isto é, tendo como lastro a quantidade de ouro, o governo estava restringido quanto à emissão monetária. Sendo então que os governos não tinham controle da oferta monetária, eles eram obrigados a manter posições fiscais robustas. Com a criação do Banco Central dentro de um sistema de reservas fracionárias, os governos passaram a ter um financiador para suas extravagâncias fiscais. Na necessidade de recursos podia-se agora ordenar que o tesouro emitisse títulos e ordenar que o Banco Central aumentasse a oferta de moeda e em um passe de mágica lá estava o governo financiado. Ainda que o financiamento não fosse inflacionário por meio de vendas diretas ao público, ocorria um aumento do governo em detrimento do setor privado. Nos Estados Unidos, por exemplo, o FED foi criado em 1913 e até essa data o orçamento do governo como proporção do PIB era menor que 10%. Na década de 1920 ocorreu uma expansão monetária forte e também um aumento do tamanho do governo. Um exemplo de como o Banco Central pode servir aos interesses dos políticos em aumentar o orçamento público pode ser econtrado no Brasil nos últimos meses. Os gastos públicos cresceram 19% e estavam pressionando a capacidade produtiva e consequentemente gerando inflação, mas restou ao BACEN controlar a inflação aumentando os juros e o compulsório. Apenas a expansão fiscal já tem o efeito perverso do crownding out que causaria um aumento dos juros, sendo que o BACEN teve que aumentar os juros para combater também a inflação, o investimento e o consumo privado tiveram que diminuir. O que aconteceu foi que o governo se expandiu deixando os efeitos peversos disso para serem controlados pelo BACEN, ou seja, deixou para este último o trabalho sujo, pois a inflação era de cunho fiscal e foi controlada por retração monetária. O BACEN não tinha escolha, seu objetivo é garantir o pleno emprego dentro das metas de inflação e foi isso que ele fez, mas como aconteceu no Brasil, os governos podem se aproveitar de seus Bancos Centrais para se expandir.
Pretendo um dia testar minhas hipóteses.


A literatura sobre o crescimento dos governos mostra que cada país tem sua especificidade quanto ao porque seu governo cresceu. Na Suécia e no Reino Unido o governo parece ter crescido pela maior demanda de um governo maior, ou seja, foi determinada por condições de demanda de ações públicas. Canada, França e EUA parecem ter crescido devido a aumentos da oferta de serviços públicos. Em países como Austrália, Holanda e Noruega não é possível identificar qual lado foi mais forte. A literatura mostra um fato interessantíssimo, quando os eleitores podem ter controle direto das decisões públicas, por meio de referendos, o governo tende a ser menor. Toda essa discussão é importante porque o tamanho do governo é uma das regras do jogo econômico e essas regras influenciam o resultado. Respostas importantes podem advir da análise do tamanho e da atuação dos governos.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Reformas institucionais e educação .

Data: 28/05/2010
Veículo: VALOR ECONÔMICO -SP
Editoria: OPINIÃO
Jornalista(s): Pedro Cavalcanti e Renato Fragelli

Teorias antigas de crescimento econômico enfocavam, quase que inteiramente, os investimentos em capital físico - máquinas, equipamentos e estruturas - como o motor do desenvolvimento de longo prazo das nações. Este tipo de teoria gera, como contrapartida de política econômica, incentivos à formação bruta de capital, programas de poupança forçada, créditos fiscais e, na arena global, programas internacionais de empréstimos/doações por organismos multilaterais destinados a aumentar investimentos nos países pobres.


As teorias modernas levam em conta não apenas as dotações de fatores de produção de uma economia - terra, trabalho de diferentes níveis educacionais, e capital - mas também as condições institucionais, tecnológicas e políticas que determinam a eficiência com que esses fatores interagem ao serem empregados na produção. Em particular, exercícios baseados nessas novas teorias permitem a decomposição da diferença de renda per capita existente entre um país rico e um pobre, identificando-se quanto da pobreza deste se deve, de um lado, à ineficiência geral de sua economia e quanto decorre, de outro lado, da insuficiência de capital e baixa escolaridade.


Comparando-se duas economias que disponham das mesmas dotações de fatores de produção, o PIB será maior naquela que apresentar a maior eficiência geral no uso dos fatores - ou, no jargão dos economistas, a maior produtividade total dos fatores. A produtividade total é baixa em países onde os incentivos que norteiam os agentes econômicos - trabalhadores, empresários, governo etc. - desestimulam o aumento da produção. Entre os principais fatores que contribuem para uma baixa produtividade total destacam-se instabilidade macroeconômica, alta carga tributária, incerteza jurídica, burocracia, legislação que estimula conflitos em vez do acordo entre as partes, tolerância com lobbies, barreiras à adoção de tecnologias (ou à sua criação) e ao fluxo internacional de mercadorias.


A estimativa do valor da produtividade total dos fatores dos diversos países se faz a partir de suas dotações de fatores e dos PIBs. Para cada país, a dotação de capital é estimada a partir da acumulação de investimentos passados, deduzida a depreciação; a dotação de trabalho é decomposta em uma parcela quantitativa - o tamanho da população economicamente ativa - e outra qualitativa - o número médio de anos de escolaridade da referida população. A partir de cálculos baseados em dados do Banco Mundial, verifica-se que a produtividade total brasileira é 63% da norte-americana. Já o PIB por trabalhador - medido em paridade de poder de compra, de modo a gerar valores comparáveis entre países - corresponde a 22% do observado naquele país.


De acordo com os valores acima, se o Brasil empreendesse um ambicioso programa de investimentos que conseguisse elevar o estoque de capital por trabalhador ao nível observado nos EUA e, adicionalmente, aprimorasse a educação básica até alcançar a escolaridade média dos trabalhadores norte-americanos, então o PIB por trabalhador do Brasil subiria de seu atual valor de apenas 22% para 63% do observado nos EUA. Este número mostra que a diferença de PIB por trabalhador que continuaria a se observar entre o Brasil e os EUA, mesmo após a implantação de vultosos programas de investimento e educacionais (que exigiriam recursos gigantescos), ainda seria de 37%. Esta é a parcela da diferença de renda per capita entre os dois países que se deve à baixa eficiência observada no Brasil. Ela decorre de falhas institucionais cuja superação dependeria basicamente de diagnóstico correto e vontade política, não de mais recursos.


Por outro lado, o salto de 22% para 63% estimado quando trocamos capital e educação brasileira pela norte-americana indica que há muito a se ganhar também com acumulação de fatores de produção. Estimativas razoavelmente confiáveis indicam que 28% dessa variação de 41% se devem à baixa escolaridade e apenas 13% à insuficiência de capital.


Em resumo: o grosso da enorme diferença de renda per capita entre o Brasil e os EUA se deve à ineficiência produtiva e baixa escolaridade, muito pouco à escassez de capital.


Uma discussão racional sobre que tipo de política econômica deve ser adotada a fim de estimular o crescimento de longo prazo do país deveria partir de estimativas objetivas como as apresentadas acima. O que está faltando para que o Brasil cresça mais rapidamente? Seria uma política cambial agressiva voltada para a proteção da indústria nacional? Seria um banco estatal de fomento que destina recursos públicos - num país de média renda onde a exação fiscal já monta a 37% do PIB - para subsidiar a formação de grandes conglomerados verde-amarelos, cujos proprietários podem mudar de coloração no futuro? Ou seria a melhoria do ambiente de negócios, aperfeiçoando-se o sistema regulatório e enfrentando-se os grupos de pressão que se beneficiam dos cartórios e pedágios que grassam em vários setores da economia nacional? Ou então um foco na educação básica, não apenas em termos quantitativos, mas sobretudo qualitativos?


*Pedro Cavalcanti e Renato Fragelli são professores da Escola de Pós-Graduação em Economia, FGV.

Previsões para a Europa e talvez para os Estados Unidos.__________Gary Becker and Richard Posner.

Europe’s current economic crisis is being attributed to its having a common currency but no common fiscal authority. It’s as if the United States had no Treasury Department, and a state that had borrowed heavily from banks in other states got into serious financial trouble, like Greece. It could not reduce its debt burden by devaluing its currency (and thus repaying its debts to the banks in other states in cheaper dollars), which would have the further benefit of stimulating exports (by enabling the same amount of foreign currency to buy more U.S. products) and discouraging imports (because it would take more dollars to buy products denominated in a foreign currency). The state could not expect to receive any transfer payments from other states, and the federal government would not be authorized to transfer money to the state (remember that I’m assuming that the federal government has no Treasury Department). So the state probably would default on its bank debt (“restructure” the debt is the current euphemism), and this might bring down the banks that had made the loans that were now in default.

That is the current economic situation, with Greece taking the place of the defaulting state, and the European Union taking the place of the U.S. government, in my hypothetical example. And the situation will be resolved, one way or another. One way would be by a default, perhaps accompanied by a bailout of banks whose solvency is endangered by the default. Another way would be by Greece’s abandoning the euro in favor of its own currency, And a third way would be by fiscal measures (“austerity”) that would restore the government’s solvency.

The current European economic crisis is thus the product of an encounter between a defective institutional structure (a common currency but no common fiscal authority) and an overindebted member state of the supranational institution. These problems are solvable in a variety of ways, including by dropping the euro or creating an EU fiscal authority, comparable to our Treasury Department, as well as by a default or austerity measures. But the financial crisis is short term and tends to mask Europe’s longer-term economic problems, well discussed in a recent article in the New York Times: “Europeans Fear Crisis Threatens Liberal Benefits,” May 22, 2010, www.nytimes.com/2010/05/23/world/europe/23europe.html?pagewanted=1&hp.

The basic problem is often said to be the conjunction of an aging population, low birthrates, and extravagant social welfare benefits (mainly pensions, early retirement, and publicly subsidized health care). For example, these benefits consume 31 percent of the Gross Domestic Product of France—twice as much as such benefits consume of the U.S. GDP (these are 2005 figures). But I think we need to dig deeper for a satisfactory explanation.

It is true that improvements in health care (including nonmedical preventive measures such as diet and exercise) are increasing longevity, but they are also increasing (along with the decline in manual labor as a percentage of all work) the age at which people are no longer healthy or fit enough to work. And it is true that birthrates are very low in most of Europe, which increases the percentage of old people, but that of course is not because of some biological impairment of European fertility. Nor would low birthrates matter much if Europe were more welcoming than it is to immigration, because immigrants tend to be young.

The major cause of Europe’s long-run economic problems is political, though the political is in turn shaped by cultural factors, including historical memory; maybe the best way to describe the major cause of the problems is Europe’s “political culture.” Government has greater prestige in Europe than in the United States and (a related point) socialism retains substantial support in Europe; individualism, with related notions such as self-reliance, freedom to fail, entrepreneurship, the “self-made” man, and the Horatio Alger story do not grip the public imagination of many Europeans. Government in Europe employs a higher percentage of the working population and engages in more redistribution of income, resulting in high taxes to fund retirement at earlier ages than in the United States, generous pensions and family leave, unemployment benefits generous enough to discourage work, and medical care. Lavish redistribution of wealth in turn entails barriers to immigration, lest the social safety net become an immigration magnet. Unions are strong in Europe, and they push up wages and (worse) encourage featherbedding, short hours, and other inefficient practices. Unions of government workers are especially pernicious, as they reinforce the natural tendency of government to overpay its employees because they are voters as well as employees. A third of the Greek work force is government-employed, for example, and much of it appears to be both overpaid and underworked relative to employees in the private sector.

Because socialist policies reduce economic efficiency, European countries (with some exceptions, notably Germany) have difficulty competing in foreign markets with China, Indian, Brazil, and other rapidly growing economies, and so have difficulty maintaining a positive trade balance. And because tax rates in Europe are already very high, government deficits cannot easily be reduced by raising taxes. The aging of the population increases the demand for public spending, and the demand can be met only by increased borrowing, which is also necessary to close the gap between exports and imports.

European economic stagnation and public overindebtedness is in short mainly a political problem, resulting from a swollen and still rapidly expanding demand for government services. It is a political problem rooted in cultural factors summed up in the word “statism,” in contrast to American individualism, as designations of dominant political ideologies. This is an oversimplification but seems to me to get at the heart of the difference between European economies and the U.S. economy.

Many of the same economic pathologies that plague Europe plague us, but less seriously. We have an aging population, though it is due mainly to increasing longevity rather than to a low birthrate, for our birthrate is close to the replacement level and immigration brings us over the replacement level; there has been an ominous increase of late in hostility to immigration but this may be a byproduct of the economic crisis and so may pass when the crisis passes. Many of our public employees are overpaid and underworked, but only 8 percent of our labor force is employed by government (federal, state, and local), and this includes our military personnel (almost 1 percent of the labor force), who do not appear to be either overpaid or underworked. We have an alarming public debt, swollen by unfunded spending programs in both the Bush and Obama Administrations (the new health care reform is, realistically understood, unfunded) and by the decline in tax revenues as a result of the economic downturn. But as long as the U.S. dollar remains the dominant international reserve currency (which means that it is used in many transactions in which there is no U.S. party), the demand by foreign central banks for the dollar will remain very high and the resulting volume of U.S. money held abroad will enable us to continue borrowing abroad at low or at least moderate interest rates.

But if we continue running huge deficits, continue being unable politically either to cut spending significantly or raise taxes significantly, continue adding huge new spending progams, continue increasing the ratio of elderly to young, continue raising the minimum wage and promoting unionism, turn protectionist, resist immigration, and become even more deeply involved in military operations, we too may eventually go the way of Europe, even the way of Greece. Nowhere is it written that the United States can never decline.