quinta-feira, 20 de maio de 2010

A deflação é realmente ruim?

Um dos maiores medos dos economistas é a deflação, pois com quedas continuadas nos níveis de preços, os tomadores de empréstimos perderiam a capacidade de pagar suas dívidas contratadas a níveis de preços mais altos. O resultado disso seria uma quebradeira geral com insolvência do sistema bancario e consequentemente estagnação econômica. Pois bem, encontrei esse site interessante que me fez refletir sobre o assunto.
O sistema calcula as variações do poder de compra do dólar ao longo do período 1774-2009. É possível saber quanto valeriam 100 dólares de 2000 no ano 1990. Curioso como sou, fiz alguns cálculos. Segundo os temerosos da deflação, esta causa recessões econõmicas, pois bem, alguém aqui dúvida que a economia norte-americana prosperou absurdamente entre 1800 e 1913?? Acho que ninguém duvida disso.....
O estranho é que 100 dólares de 1800 valeriam a mesma coisa que 78,9 dólares de 1913, ou seja, houve deflação no período de maior crecimento econômico dos Estados Unidos.
Por que eu escolhi o ano de 1913?? Simples,porque esse é o ano em que o FED foi criado. Olhem outra curiosidade, 2230 dólares de 2009 tem o mesmo poder de compra de 100 dólares em 1913. Será que que é só coincidência???

Update: encontrei esse trecho sobre deflação em um artigo do Instituto Von Mises Brasil.
Deflação - queda de preços - é impensável, e causaria uma catastrófica depressão.

A memória do público é curta. Esquecemos que, do início da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, até o início da Segunda Guerra Mundial, os preços geralmente caíram, ano após ano. Isso porque um contínuo aumento da produtividade e da produção de bens, gerado pelo livre mercado, levou a uma queda nos preços. Não houve depressão, no entanto, já que os custos caíram junto com os preços de venda. Em geral, os salários permaneceram constantes, enquanto que o custo de vida caiu - de tal forma que os salários "reais", ou o padrão de vida de todos, aumentou constantemente.

Praticamente a única época em que os preços subiram, naqueles dois séculos, foi em períodos de guerra (Guerra de 1812, Guerra Civil, Primeira Guerra Mundial). Os governos em guerra inflaram descontroladamente a oferta monetária para pagar pela guerra, de modo que essa inflação foi bem maior do que os ganhos em produtividade - o que levou ao aumento dos preços.

Podemos ver como o capitalismo de livre mercado - quando não oprimido por inflação do governo ou de um banco central - funciona se olharmos para o que tem acontecido nos últimos anos com o preço dos computadores. Mesmo um simples computador costumava ser enorme, custando milhões de dólares. Agora, com o incrível surto de produtividade trazido pela revolução do microchip, os preços dos computadores estão caindo nesse mesmo momento em que escrevo. A indústria computacional tem tido sucesso apesar da queda dos preços porque seus custos têm caído, e a produtividade, subido. Na verdade, essa queda de custos e de preços permitiu a ela produzir para uma variada massa de consumidores, uma característica do crescimento dinâmico do capitalismo de livre mercado. A "deflação" não trouxe nenhum desastre para a indústria.

O mesmo ocorre para outras indústrias com alto crescimento, como a de calculadoras eletrônicas, aparelhos de TV, e videocassetes. Deflação, longe de trazer uma catástrofe, é a marca tradicional de um crescimento econômico sadio e dinâmico.

Nova Update: Guido Mantega teme a deflação.

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os países do G-20 concluíram em encontro durante o final de semana que existe uma tendência mundial para a queda de preços no próximo ano. "O perigo maior é de deflação", disse, durante entrevista de encerramento da reunião, em São Paulo.
Mantega explicou que alguns países emergentes que estão registrando uma forte saída de capitais em decorrência da crise financeira podem enfrentar um movimento de inflação passageira, porque o fluxo financeiro negativo desvaloriza suas moedas. "Mas esse é um movimento passageiro. A tendência em 2009 é de deflação, acompanhando a desaceleração do nível de atividade econômica no mundo", disse.



Questionado se o Banco Central brasileiro não iria acompanhar as medidas internacionais de cortes nas taxas de juros, Mantega afirmou que cada país está encontrando uma maneira específica de recuperar a liquidez no sistema financeiro. "Uns abaixaram (os juros) antes, outros depois. Todos devem calibrar a política monetária de acordo com suas peculiaridades", disse.



Ele voltou a ressaltar que a tendência, a médio e longo prazo, é de queda de preços, e afirmou que as autoridades monetárias saberão regular suas políticas para enfrentar esse novo cenário. Sobre a taxa de juros no Brasil, Mantega afirmou: "Se havia antes preocupação com excesso de demanda, ela dará lugar a outras preocupações. Mas cabe ao Banco Central decidir quando a política vai responder a essas necessidades".



Desde abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) vinha aumentando a taxa básica de juros brasileira, a Selic (atualmente em 13,75% ao ano) para combater o aumento de preços no País. Diante das perspectivas de agravamento da crise, porém, o Comitê decidiu em sua última reunião, em outubro, manter a taxa no nível em que estava.

2 comentários:

  1. que bonito, vei, exatamente a conclusão que a gente chegou!
    por que que você citou esse institutozinho de merda aí quando podia só ter colocado "conversando com um colega meu, cheguei à conclusão que o avanço tecnológico reduziu os preços". muito mais doido!!! hehehe.

    ó o nobel batendo na porta, ó!

    rodrigo

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  2. o seu boiola!

    O objetivo do post era exatamente isso, deflação não é sempre ruim como muitos defendem, na verdade pode até ser sinal de properidade como foi no período citado.

    Isso é muito velho, Paul Samuelson já dizia que a inflação tem sempre uma essência monetária. Não da para explicar inflação de longo prazo por choques de oferta ou de demanda. Deflação de longo prazo é sinal de properidade economica pelo motivo que você mesmo defendeu.

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