quinta-feira, 22 de abril de 2010

BRAZILNOMICS - Dividindo o custo, mas não o benefício.

Inauguro hoje a série BRAZILNOMICS para expor alguns fatos que após mais de três anos de graduação e muitos manuais de economia, não consigo sequer pensar em uma explicação racional. Começo a pensar que o motivo pelo qual vejo tanta coisa que me parece estranha é que até hoje usei apenas manuais de autores estrangeiros, e estes tendem a ter exemplos e estudos de casos de seus respectivos países. Muitos brasileiros dizem que o Brasil é um país especial. Começo a acreditar que sim, é tão especial que nem o mainstream econômico consegue explicar.
O sistema tributário brasileiro é abominável. Um monstro antigo, gordo e ineficiente que foi desenhado para extrair o máximo possível da população, sem se preocupar com os efeitos redistributivos e as distorções de incentivos. Muitos podem argumentar que o sistema foi feito muito tempo atrás e que a reforma, se acontecer, irá resolver os problemas. Cada vez mais desconfio dessa teoria, cada vez mais os governos se prestam a interferir na economia sem se preocupar com os efeitos de longo prazo.
Penso que o Estado ideal é o menor possível, ou seja, aquele que se presta apenas a garantir a propriedade privada e a prover bens públicos de qualidade e com eficiência. Penso assim porque acredito que as falhas de governo trazem ainda mais externalidades que as falhas de mercado e também que a mão invisível funciona melhor no jogo econômico do que no jogo político. Os políticos que detém as forças econômicas em suas mãos sempre as usarão para atingir seus objetivos, o máximo possível de votos não importando as conseqüências econômicas.
Mesmo acreditando no livre mercado como melhor forma de alocar os recursos, acredito também que algumas medidas redistributivas possam ser defensáveis, pois o tradeoff entre eficiência e equidade existe. Auxílios condicionais à educação, saúde e alimentação podem não ser economicamente bem vistos, mas tem seu valor como política social. Não concordo com o Bolsa Família, mas entendo os motivos de sua implementação. Impostos da população mais rica são transferidos para os mais pobres em formas desses benefícios, ou seja, os ricos consomem menos para que os pobres tenham condições melhores de vida. É difícil negar que haja certa nobreza nesse ato.
Pois bem, aqui está o que me motivou a inaugurar essa série. Pensando na arrecadação de impostos como um jogo de soma zero, ou seja, se alguém paga menos, outro tem que pagar mais, o governo está socializando a cirurgia plástica! Isso é inaceitável. Alguém pode descobrir algum argumento de nobreza neste ato? Quer dizer que se um maridão quiser turbinar a esposa, devemos todos pagar por isso. Peitos, bundas, abdomens e tudo mais, devemos dividir, sem ao menos aproveitar do beneficio. Alguém com a mulher turbinada vai nos olhar na rua e dizer:
_ Ei otário, olha como ficou bom o que você me ajudou a pagar!
Não há argumentos econômicos e nem morais para que isso seja implementado. Aliás, todos os argumentos que consigo pensar são contrários. Poderíamos comprar um livro ao invés de pagar pelo silicone de alguém que nunca vimos e hoje em dia já há toda uma discussão quanto aos motivos que levam uma pessoa a se submeter a uma cirurgia plástica. Será que nem a lei da demanda faz efeito no Brasil? Com a plástica mais barata, mais pessoas irão procurar o procedimento. Sendo assim, podemos esperar mais casos de erros médicos, mais pessoas procurando açougues para fazer a operação e mais dos muitos malefícios da estética que já são problemas hoje em dia.
Agora, uma previsão minha: Um Nobel será dado ao economista iluminado que explicar racionalmente, como funciona o BRAZILNOMICS.

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